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Uma herança de família que atravessa mais de 83 anos

07 de Agosto de 2026 às 21:56
Thaís Verderamis [email protected]
Diana Tannos recebe o Cruzeiro do Sul há mais de 83 anos, 
uma tradição herdada do pai e preservada ao longo da vida
Diana Tannos recebe o Cruzeiro do Sul há mais de 83 anos, uma tradição herdada do pai e preservada ao longo da vida (Crédito: THAÍS VERDERAMIS)

Thaís Verderamis

Em um apartamento no Centro de Sorocaba, uma das portas guarda uma história impressionante e um sorriso acolhedor. Ali vive a médica Diana Tannos, integrante da primeira turma formada pela Faculdade de Medicina de Sorocaba, em 1956, instituição que mais tarde passou a integrar a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Aos 98 anos, ela ainda recebe diariamente o Cruzeiro do Sul, do qual é assinante há mais de 83 anos.

Ativa e com uma memória admirável, Diana conta que herdou a assinatura do pai. "Meu pai assinava o jornal desde que eu tinha entre 10 e 15 anos. Depois, eu mantive a assinatura", relembra.

Mesmo tendo perdido a visão do olho esquerdo, continua acompanhando as notícias. Diz que suas páginas preferidas são a dois, onde estão o editorial e os artigos de opinião, e a três, que traz a frase do dia.

"Eu leio mais a parte principal, porque tive pressão alta no olho e perdi a visão de um deles. Com uma lente eu consigo ler. Pelo menos a parte principal do jornal, que eu acho que é a página dois, eu leio e acho muito bom. O jornal dá conhecimento do que se passa na metrópole, nas outras cidades", compartilha.

A escolha por Sorocaba

Natural de Boituva, Diana mudou-se para Sorocaba ainda jovem para estudar. O pai fazia questão de que as filhas cursassem o ginásio, oportunidade que não existia na cidade natal. O incentivo foi além: ela integrou a primeira turma formada pela Faculdade de Medicina de Sorocaba, em 1956, e construiu uma trajetória de 57 anos dedicados à profissão.

Ao longo da carreira, sua história também ganhou espaço nas páginas do Cruzeiro do Sul. "Eu saí várias vezes no jornal. Uma delas foi quando a turma XXV da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), formada em 1980 e que comemorou 45 anos de formatura em 2025, prestou uma homenagem a mim", relembra.

Questionada sobre o motivo de ter escolhido permanecer em Sorocaba, a resposta vem sem hesitação.

"Eu gostei do povo. Muito hospitaleiro. Até hoje é uma cidade muito simples, acolhedora e tem todos os recursos para a gente viver aqui", afirma.

Diana nunca se casou nem teve filhos, mas encontrou na medicina e no cuidado com o próximo o propósito de sua vida.

"Eu queria me dedicar muito aos outros. Nunca achei alguém de quem eu verdadeiramente gostasse. Mas nunca fui solteirona, porque sempre aconselhei as pessoas que chegavam até mim. Nunca tive uma conversa fútil, desnecessária. Sempre respeitei a individualidade de cada um."

Além dos pacientes, também marcou a trajetória de muitos estudantes. Ao longo da carreira, orientou cerca de 1.500 alunos, que ainda hoje fazem questão de visitá-la.

"Hoje eu recebo muitos alunos. Por mim passaram cerca de 1.500. Eles vêm aqui pedir conselhos e agradecer por tudo o que a gente se dedicou a eles", conta, com um sorriso leve.

A reportagem do Cruzeiro do Sul foi recebida de portas abertas. Na casa de Diana, ninguém entra sem tomar um café turco — preparado sem coador — e experimentar alguma receita feita com carinho. Na tarde da entrevista, o café foi servido com sequilhos caseiros de raspas de limão. A louça impecável, os móveis e os eletrodomésticos antigos revelam o cuidado e o capricho cultivados ao longo de uma vida.

Católica, dedica os dias à oração, à culinária e ao crochê. Mesmo aos 98 anos, continua ajudando na cozinha, passando receitas, descascando legumes e colaborando no que pode.

Cultiva amizades e conquista as pessoas com a simplicidade. Bastam alguns minutos de conversa e disposição para ouvir para compreender por que Diana Tannos permanece tão querida por quem cruza seu caminho. Médica da primeira turma formada pela Faculdade de Medicina de Sorocaba, dedicou 57 anos ao exercício da profissão e deixou sua marca na vida de milhares de pacientes, alunos e amigos.

 

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