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Alimentos

Cesta básica registra segunda queda seguida em Sorocaba

Maior oferta de alimentos reduziu o custo dos produtos em julho, porém fatores como clima, combustíveis e câmbio ainda podem pressionar os preços no segundo semestre

08 de Agosto de 2026 às 21:10
João Frizo [email protected]
Levantamento da Uniso aponta redução de 2,42% no valor da cesta básica
em julho, impulsionada principalmente pela queda nos preços de alimentos
Levantamento da Uniso aponta redução de 2,42% no valor da cesta básica em julho, impulsionada principalmente pela queda nos preços de alimentos (Crédito: João Frizo)

Depois de meses de alta, a cesta básica sorocabana voltou a dar sinais de alívio ao consumidor. Pelo segundo mês consecutivo, o conjunto de 34 produtos pesquisados pelo Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas (LabCSA), da Universidade de Sorocaba (Uniso), ficou mais barato. Em julho, o custo da cesta caiu 2,42% em relação ao mês anterior, passando de R$ 1.242 para R$ 1.211,97. Foi uma economia de R$ 30,03 para quem precisou comprar todos os itens pesquisados.

Embora o resultado represente um alívio após a sequência de aumentos registrada nos primeiros meses do ano, o custo da cesta ainda permanece acima do observado há um ano. Na comparação com julho de 2025, o consumidor desembolsa R$ 57,40 a mais, o equivalente a uma alta de 5%.

Para o economista Marcos Canhada, coordenador da pesquisa, o levantamento mostra um cenário mais favorável ao consumidor, mas ainda insuficiente para indicar uma mudança definitiva no comportamento dos preços. "A pesquisa do mês de julho mostra um cenário mais favorável para o consumidor, com a segunda redução consecutiva no custo da cesta básica sorocabana neste ano. A queda de 2,42% em julho traz um alívio importante após meses anteriores de maior pressão sobre os preços dos alimentos."

A trajetória da pesquisa mostra essa mudança de comportamento. Depois de iniciar o ano em R$ 1.185,55, a cesta básica apresentou sucessivos aumentos e atingiu o pico em maio, quando chegou a R$ 1.259,74. Em junho ocorreu a primeira queda e, em julho, o movimento se repetiu, reduzindo parte da pressão acumulada ao longo do primeiro semestre.

Oferta

A principal razão para o recuo da cesta básica foi o aumento da oferta de alimentos, impulsionado pelo período de safra e pela normalização do abastecimento em alguns segmentos do mercado.

Segundo Canhada, esse movimento fez com que 25 dos 34 produtos pesquisados apresentassem redução de preços em julho, número suficiente para compensar os reajustes registrados em outros itens. "A principal explicação para a redução observada em julho está na maior oferta de alguns alimentos, favorecida pelo período de safra de determinados produtos, além da normalização da oferta em alguns segmentos do mercado."

Os produtos que mais contribuíram para esse resultado foram justamente alguns dos alimentos mais consumidos pelas famílias. A batata liderou as reduções, com queda de 40,04%, seguida pelo frango (-7,56%), feijão (-4,85%) e café (-4,23%). Também registraram recuo as carnes bovinas, ovos, óleo de soja, açúcar refinado e diversos outros itens da cesta.

No caso da batata, o economista explica que a redução reflete a melhora das condições de colheita e o aumento da disponibilidade do produto no mercado. O alimento vinha registrando preços elevados nos últimos meses e começou a retornar a um patamar considerado mais próximo da normalidade. Já o frango foi beneficiado pela maior oferta no mercado interno e pela redução dos custos de produção, enquanto o café segue em queda após a recuperação da produção brasileira, que havia sido prejudicada por problemas climáticos e sanitários em períodos anteriores.

Apesar da queda expressiva de alguns produtos, Canhada ressalta que o resultado da cesta básica depende mais do peso de cada item no orçamento familiar do que da variação percentual isolada.

Embora o creme dental tenha registrado a maior alta percentual do mês, por exemplo, seu impacto sobre o custo total da cesta é pequeno. Já produtos como carnes, frango e café possuem peso muito maior nas despesas das famílias e, quando ficam mais baratos, acabam influenciando significativamente o resultado final da pesquisa.

Alta

Nem todos os itens acompanharam a tendência de baixa. Entre os produtos que registraram aumento estão a cebola (6,02%), farinha de trigo (3,28%), leite longa vida (2,96%), papel higiênico (4,54%) e creme dental (37,47%).

Segundo a análise do LabCSA, a alta da cebola está relacionada à menor oferta provocada pelos impactos climáticos sobre a produção. Já a farinha de trigo continua sendo influenciada pelo mercado internacional, principalmente pelos custos de importação, pela variação cambial e pelo preço do cereal no exterior. No caso do leite, fatores ligados aos custos de produção e à cadeia de distribuição ajudam a explicar os reajustes observados durante o mês.

Próximos meses

Apesar da sequência de dois meses de queda, Canhada afirma que ainda não é possível dizer que os preços entraram em uma trajetória definitiva de estabilidade. "Ainda é cedo para afirmar que existe uma tendência consolidada de estabilização. Embora duas quedas consecutivas sejam um sinal positivo, o comportamento dos preços dos alimentos costuma ser bastante volátil."

Segundo o economista, será necessário acompanhar o comportamento do mercado durante os próximos meses para verificar se o movimento de queda será mantido. Entre os fatores que podem modificar esse cenário estão as condições climáticas, os custos dos insumos agrícolas, o preço dos combustíveis, o câmbio e as despesas com transporte e logística.

Outro ponto que preocupa é a possibilidade de impactos do El Niño sobre a produção agrícola. Produtos como batata e cebola, por dependerem diretamente das condições climáticas, podem voltar a sofrer aumentos caso ocorram perdas nas próximas safras.

Canhada considera que novas reduções ainda são possíveis caso a oferta de alimentos continue elevada, mas avalia que a expectativa mais prudente é de oscilações moderadas ao longo do segundo semestre, e não de uma sequência contínua de quedas.

2025

Mesmo com o alívio observado em junho e julho, os preços ainda permanecem acima dos registrados em 2025 porque as reduções recentes compensaram apenas parte das altas acumuladas ao longo dos últimos doze meses. "A comparação anual mostra que, apesar do alívio recente, o nível geral de preços ainda permanece acima do observado há um ano. As quedas recentes compensam apenas parte das altas registradas anteriormente."

Segundo Canhada, produtos de consumo diário, como carnes, café, leite, arroz, feijão e farinha de trigo, continuam sendo os que mais pesam no orçamento doméstico.

Para reduzir o impacto da alimentação sobre a renda familiar, o economista recomenda que o consumidor acompanhe as oscilações de preços e utilize substituições quando possível. Entre os exemplos apontados pela pesquisa estão trocar a carne de primeira pela carne suína, substituir a carne de segunda pelo frango e optar pela mandioca em lugar da batata, alternativas que podem contribuir para diminuir o valor final das compras sem comprometer a alimentação.

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