Audiência Pública
Sorocaba registra 218 crimes contra farmácias e prejuízo supera R$ 1,5 milhão
Levantamento do 55º BPM/I aponta 59 roubos e 157 furtos contra estabelecimentos; maioria dos casos ocorre em áreas comerciais da zona norte e sul e envolve medicamentos e produtos de alto valor
A onda de crimes contra farmácias em Sorocaba levou representantes das forças de segurança, do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Sindicato dos Comerciários (Sincomerciários) e de redes do setor a discutirem, nesta quinta-feira (6), medidas para reduzir riscos aos trabalhadores e estabelecimentos. Em audiência pública realizada na sede do sindicato, no Centro, a Polícia Militar apresentou levantamento com 218 ocorrências envolvendo farmácias na área do 55º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I).
Do total, 157 casos foram classificados como furtos (72%) e 59 como roubos (28%). Segundo a corporação, os crimes são marcados pelo direcionamento a produtos de alto valor, concentração em determinados horários e atuação organizada dos criminosos.
O comandante do 55º BPM/I, major Carlos, afirmou que os criminosos passaram a mirar medicamentos de alto custo, como as chamadas canetas emagrecedoras, devido ao valor de mercado e à facilidade de revenda. “Em determinado momento, o foco foram esses produtos de emagrecimento, tendo em vista o alto valor deles. Diante disso, iniciamos uma proposta de atuação junto com o sindicato e o Ministério Público para tentar diminuir essas situações”, afirmou.
Segundo a PM, os crimes contra farmácias já causaram prejuízo superior a R$ 1,5 milhão em produtos furtados ou roubados. Os valores levados dos caixas ultrapassam R$ 36 mil.
Os casos mais violentos ocorreram principalmente durante a madrugada, quando criminosos passaram a atuar contra unidades com funcionamento 24 horas. “É no período da madrugada onde ocorreram os roubos das canetas emagrecedoras e os confrontos com a Polícia Militar. Durante o dia também há ocorrências, mas os casos mais violentos acontecem nesse horário”, explicou o major.
A zona norte e a zona sul concentram os maiores índices de ocorrências, com roubos e furtos em corredores comerciais. A zona leste aparece associada principalmente a produtos de alto valor agregado, enquanto a zona oeste teve destaque em furtos envolvendo patrimônio, higiene e cosméticos.
Dos 157 furtos registrados, 67 ocorreram à tarde, 49 à noite, 27 pela manhã e 14 na madrugada.
Entre as medidas apresentadas pela PM estão a revisão da necessidade de funcionamento ininterrupto de algumas unidades, redução de dinheiro em caixa, realização frequente de sangrias, armazenamento seguro de medicamentos de alto valor, monitoramento por câmeras e integração ao programa Muralha Paulista.
O presidente do Sindicato dos Comerciários de Sorocaba e Região, Milton Matias da Costa, afirmou que a discussão foi motivada por reclamações de trabalhadores vítimas de violência. “Os comerciários de farmácia reclamam muito para o sindicato. Há estresse, preocupação e até depressão entre quem já passou por um assalto e teve uma arma apontada para o rosto”, disse.
Segundo ele, o objetivo é criar protocolos de proteção aos funcionários, com orientações para evitar a divulgação de informações sobre medicamentos de alto valor e o mapeamento das farmácias abertas durante a madrugada.
O procurador do Ministério Público do Trabalho, Gustavo Rizzo, afirmou que a sequência de assaltos transforma o problema em uma questão trabalhista, já que os empregados ficam expostos a riscos previsíveis. “O trauma de quem passa por um assalto é um dano real. Não é preciso que haja uma morte para que exista prejuízo ao trabalhador”, afirmou.
O MPT informou que deverá solicitar às empresas informações sobre os Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) para verificar se os assaltos estão sendo considerados riscos ocupacionais e quais medidas preventivas são adotadas.
Entre as ações avaliadas estão treinamentos, protocolos de emergência, controle de acesso durante a madrugada, redução da exposição de produtos de alto valor e revisão dos horários de funcionamento das unidades mais vulneráveis.
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