Patrimônio
Mercado Distrital aguarda nova licitação e segue com apenas quatro lojas em funcionamento
Mais de um ano após reportagem mostrar o abandono do espaço, comerciantes relatam baixo movimento, fazem a própria manutenção e esperam pela revitalização
Pouco resta do movimento que transformou o Mercado Distrital "Tito Isquierdo", na Vila Fiori, em um dos principais centros de compras de Sorocaba. Inaugurado em 1985 para descentralizar o comércio da cidade, o espaço hoje mantém apenas quatro estabelecimentos em funcionamento, convive com áreas desocupadas e continua sem previsão para passar pela aguardada revitalização.
Há pouco mais de um ano, o Cruzeiro do Sul mostrou a situação de abandono do mercado, marcada pela deterioração da estrutura, boxes vazios e baixo movimento de consumidores. Desde então, pouca coisa mudou. Os lojistas continuam aguardando uma definição sobre o futuro do espaço e, enquanto isso, assumem parte da manutenção do prédio para manter as portas abertas.
Espera que se prolonga
Há cerca de 30 anos instalada no Mercado Distrital, a comerciante Maria Lúcia Souza de Moura acompanha, há décadas, as promessas de revitalização sem que elas saiam do papel. Segundo ela, a expectativa foi renovada há alguns meses, após uma reunião realizada com representantes da prefeitura. "Faz uns três, quatro meses que a gente teve uma reunião e o secretário falou que essa pessoa tinha ganho a licitação. A gente está aqui na espera, está na ansiedade", relata.
Enquanto a reforma não acontece, os próprios comerciantes procuram conservar o espaço. Maria Lúcia conta que os lojistas realizam pequenos serviços de limpeza e manutenção, como pintura das lojas, varrição e conservação das áreas comuns. "Não é só porque a prefeitura larga, não dá muita atenção, que a gente deixa. A gente pinta essas lojas, varre sempre e lava", afirma.
Ela também chama atenção para a presença constante de pombos, que acabam comprometendo a limpeza do mercado. Na tentativa de tornar o ambiente mais agradável, organizou um espaço para troca de livros e cultivou plantas em pneus reaproveitados.
Apesar das dificuldades, a comerciante afirma que continua no local graças aos clientes conquistados ao longo dos anos. Segundo ela, o movimento permanece concentrado aos domingos, quando ocorre a feira livre. "Como eu estou aqui há quase 30 anos, tenho clientes que sempre vêm comprar. O movimento um pouco melhor é no domingo, por causa da feira."
A principal preocupação, porém, é o futuro dos atuais locatários. "A gente espera que realmente esse espaço seja bem aproveitado e que eles não tirem a gente."
Movimento
No açougue instalado há 43 anos no Mercado Distrital, o proprietário Márcio Rodrigues afirma que o cenário permanece praticamente o mesmo dos últimos anos. Segundo ele, o maior fluxo de consumidores ocorre aos sábados e domingos, impulsionado pela feira livre, enquanto durante a semana o movimento é reduzido. "O bom movimento para nós é o sábado e o domingo, por causa da feira. No decorrer dos outros dias da semana é bem difícil."
Assim como Maria Lúcia, Márcio afirma que os vendedores continuam aguardando informações sobre a revitalização. Ele participou das reuniões promovidas pela administração municipal e diz que ainda não sabem como será o futuro do mercado. "A gente perguntou qual seria a empresa. A resposta que obtivemos é que eles não sabem qual é a empresa. Qual é o modelo da reforma? Eles não sabem. Isso assusta um pouco a gente."
Segundo ele, a preocupação é compreender de que forma será conduzida a modernização e se os atuais comerciantes permanecerão no local após a conclusão das obras.
Enquanto aguardam uma definição, eles mesmo seguem realizando pequenos serviços para conservar o espaço. "A roçagem da grama e a pintura das sarjetas fomos nós, os quatro locatários, que fizemos."
Novo processo licitatório
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Semepp) informou que pretende promover a requalificação do Mercado Distrital, com modernização das instalações, melhorias estruturais, regularização dos boxes e demais intervenções necessárias para preservar a importância histórica do imóvel e manter sua finalidade comercial, econômica e social.
A pasta informou que o primeiro processo licitatório não teve prosseguimento porque a empresa classificada foi inabilitada. Segundo a secretaria, a equipe técnica iniciou a revisão da documentação administrativa e técnica para viabilizar um novo certame, que deverá ser realizado "o mais breve possível".
A prefeitura, no entanto, não informou quando o novo edital será publicado nem estabeleceu prazo para o início das obras.
Sem um cronograma definido, o Mercado Distrital permanece praticamente na mesma situação retratada há um ano pelo Cruzeiro do Sul: apenas quatro vendedores mantêm as atividades no local e seguem aguardando que a prometida revitalização finalmente saia do papel.
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