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Entrevista

Ministra das Mulheres confirma avanço da Casa da Mulher Brasileira em Sorocaba e reforça ações de combate à violência

Márcia Lopes confirma avanço da Casa da Mulher Brasileira em Sorocaba e defende fortalecimento da rede de proteção

04 de Agosto de 2026 às 21:51
João Frizo [email protected]
Unidade em São Paulo em funcionamento; em Sorocaba, autoridades apresentam alternativas de terrenos para receber uma no valor de R$ 9,5 milhões
Unidade em São Paulo em funcionamento; em Sorocaba, autoridades apresentam alternativas de terrenos para receber uma no valor de R$ 9,5 milhões (Crédito: DIVULGAÇÃO)

Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (4) a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destaca as ações do Governo Federal voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres durante o Agosto Lilás e confirma o avanço do projeto para implantação da Casa da Mulher Brasileira em Sorocaba. Segundo ela, o município já apresenta alternativas de terrenos para receber a unidade, que deverá contar com investimento de aproximadamente R$ 9,5 milhões.

De acordo com a ministra, a solicitação para a implantação da Casa da Mulher Brasileira foi apresentada pelo município em reuniões realizadas em Sorocaba e posteriormente em Brasília. Atualmente, a proposta passa pela etapa de análise das áreas indicadas para receber o equipamento.

"Estamos analisando os terrenos e, concluída essa etapa, vamos assinar o contrato da obra, na ordem de R$ 9,5 milhões. A nossa expectativa é iniciar esse processo no começo do próximo ano", afirma.

Segundo Márcia Lopes, a Casa da Mulher Brasileira reunirá, em um único espaço, diferentes serviços voltados ao atendimento de mulheres em situação de violência, fortalecendo a rede de proteção e agilizando o acesso aos órgãos responsáveis pelo acolhimento e encaminhamento dos casos.

Principal estratégia

Ao comentar o cenário da violência contra as mulheres no País, a ministra afirma que o enfrentamento ao problema depende da atuação integrada dos diferentes órgãos públicos e também da participação da sociedade.

Segundo ela, além das políticas desenvolvidas pelo Executivo, é necessário que o Legislativo, o Judiciário, os municípios e instituições da sociedade civil atuem de forma articulada para ampliar a prevenção, garantir atendimento rápido às vítimas e responsabilizar os agressores.

"O que precisa acontecer é que o sistema funcione. Se o Executivo funciona com boas políticas públicas, se o Legislativo funciona com boas leis e se o sistema de Justiça cumpre o seu papel, esse processo melhora muito", diz.

Márcia Lopes também ressalta que o fortalecimento dos canais de denúncia tem contribuído para ampliar o número de mulheres que procuram ajuda. Segundo ela, somente entre janeiro e junho deste ano o Ligue 180 registra quase 900 mil atendimentos em todo o país, entre denúncias e pedidos de orientação.

Rede de atendimento

Durante a entrevista, a ministra respondeu a uma pergunta do Cruzeiro do Sul sobre os dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania que apontam aumento de 111,8% nas violações de direitos contra mulheres em Sorocaba entre janeiro e julho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo ela, embora o crescimento dos registros seja preocupante, é necessário analisar quais tipos de violência estão sendo notificados e fortalecer a atuação integrada dos serviços públicos para ampliar a prevenção e o atendimento às vítimas.

"É preciso entender qual é a dinâmica da cidade, se faltam campanhas de prevenção, se faltam serviços públicos e se os profissionais estão preparados para identificar e encaminhar essas situações", afirma.

A ministra defendeu o fortalecimento do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, a elaboração de um plano municipal de atendimento e a integração entre unidades de saúde, Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), delegacias especializadas e demais órgãos da rede de proteção.

Ferramenta de prevenção

Outro tema abordado foi a importância da educação na prevenção da violência contra as mulheres. Márcia Lopes afirma que o Ministério das Mulheres e o Ministério da Educação trabalham para ampliar a implementação da Lei Maria da Penha nas escolas, incorporando conteúdos sobre direitos das mulheres e enfrentamento à violência nos currículos da educação básica.

Segundo ela, a iniciativa também será estendida às universidades, com a inclusão do tema na formação de futuros profissionais de diferentes áreas.

"Não é uma campanha ou uma semana pedagógica. A proposta é que esse conteúdo faça parte do currículo da educação básica e também das universidades", explica.

Para a ministra, a mudança cultural é uma das principais ferramentas para reduzir os índices de violência. Ela afirma que o enfrentamento ao problema passa pela conscientização desde a infância e pela formação de profissionais preparados para acolher e orientar as vítimas.

Denúncia

Ao falar sobre os desafios para reduzir os casos de feminicídio, Márcia Lopes reforça a importância da denúncia ainda nos primeiros episódios de violência.

Segundo ela, muitas agressões começam com ameaças, ofensas e violência psicológica antes de evoluírem para situações mais graves. Por isso, defendeu que familiares, vizinhos e pessoas próximas também ajudem a identificar e comunicar casos de violência. "Começa num xingamento, começa num empurrão, começa numa ofensa e pode terminar no feminicídio. As mulheres não podem suportar essa situação sozinhas", afirma.

A ministra também destaca o Ligue 180 como principal canal nacional de orientação e denúncias, reforçando que o serviço pode ser utilizado tanto por mulheres em situação de violência quanto por pessoas que desejam buscar informações ou denunciar casos de agressão.

A entrevista completa você pode acessar pelo LINK: https://youtu.be/eArZP_uLk_4?si=NlJ4zRGEObhE7G3T

 

 

 

 

 

 

 

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