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Entrevista

Juros altos e falta de mão de obra desafiam crescimento da construção civil

Diretor regional do Sinduscon-SP afirma que setor mantém crescimento, mas enfrenta dificuldades para financiar obras e atrair trabalhadores

03 de Agosto de 2026 às 21:43
João Frizo [email protected]
Município mantém ritmo de crescimento favorecido pelo 
desenvolvimento urbano e pela atração de novos investimentos
Município mantém ritmo de crescimento favorecido pelo desenvolvimento urbano e pela atração de novos investimentos (Crédito: Fábio Rogério)

Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da rádio Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (3) o diretor regional do Sinduscon-SP, Renan Persio, afirmou que o setor da construção civil continua em expansão em Sorocaba, impulsionado pelo crescimento imobiliário e pelos investimentos no interior paulista. Apesar do cenário favorável, ele destacou que os juros elevados, a escassez de mão de obra qualificada e as incertezas econômicas estão entre os principais desafios enfrentados pelas empresas.

Segundo Renan Persio, Sorocaba mantém um ritmo de crescimento importante, favorecido pelo desenvolvimento urbano e pela atração de novos investimentos. Para ele, esse avanço deve ser acompanhado de planejamento visando garantir uma expansão organizada da cidade. "A gente está trabalhando para ter esse crescimento. O grande desafio hoje é a taxa de juros elevada e a mão de obra qualificada. A cidade precisa crescer organizada", afirma.

Juros afetam

Na avaliação do diretor regional do Sinduscon-SP, a elevada taxa básica de juros impacta toda a cadeia da construção civil. Segundo ele, tanto as empresas responsáveis pelos empreendimentos quanto os consumidores encontram mais dificuldades para acessar crédito. "A taxa de juros afeta tanto quem compra quanto quem toma dinheiro para construir. Toda a cadeia da incorporação e da habitação é afetada", explica.

Renan Persio observou que o cenário acaba restringindo novos financiamentos imobiliários e reduzindo o poder de compra da população. Segundo ele, uma das exceções é o programa Minha Casa, Minha Vida, que conta com condições de financiamento diferenciadas.

Outro fator citado durante a entrevista à Rádio Cruzeiro FM 92,3 foi o período pré-eleitoral. Embora avalie que as empresas continuam desenvolvendo seus projetos normalmente, ele afirmou que parte dos consumidores costuma adiar decisões de compra diante das incertezas do cenário econômico e político.

Déficit habitacional

Ainda durante a entrevista, Renan Persio destacou que Sorocaba apresenta déficit habitacional, especialmente nas faixas de menor renda. Segundo ele, a cidade vem ampliando a oferta de empreendimentos de interesse social, mas a demanda permanece elevada. "Tem bastante trabalho para fazer. A gente vê algumas invasões e situações que mostram que ainda existe necessidade de ampliar a oferta de habitação", afirma.

O diretor explicou que um dos desafios para viabilizar esses empreendimentos é controlar os custos da construção. Conforme relatou, o aumento do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que acompanha a evolução dos preços de materiais e mão de obra, exige que as empresas busquem maior produtividade para manter os projetos dentro dos limites de financiamento dos programas habitacionais.

Falta de trabalhadores

Outro tema abordado foi a dificuldade para contratar profissionais. Segundo Renan Persio, a construção civil continua gerando empregos, mas enfrenta escassez de trabalhadores, principalmente nos canteiros de obras. "O emprego existe. O grande desafio hoje é atrair os jovens para a construção civil", ressalta.

De acordo com ele, o setor percebe um envelhecimento da mão de obra e tem investido em cursos de qualificação e em ações para aproximar as novas gerações da atividade. O dirigente afirmou que um evento voltado à apresentação de novas carreiras será realizado em setembro, em São Paulo, com o objetivo de incentivar a entrada de jovens na construção civil.

Na avaliação de Renan Persio, muitos trabalhadores mais jovens buscam atualmente atividades que ofereçam maior flexibilidade de horários, característica que dificulta a reposição da mão de obra tradicional da construção. Mesmo com o avanço de novas tecnologias, ele acredita que a atividade continuará dependendo fortemente do trabalho humano. "A construção vem se modernizando, mas ainda precisa de muita mão de obra. Cada obra tem características diferentes e muita coisa continua sendo executada no próprio local", diz.

Reforma tributária

A reforma tributária também foi citada como um dos temas que geram preocupação entre as empresas do setor. Segundo o diretor regional do Sinduscon-SP, ainda existem dúvidas sobre a regulamentação das novas regras e seus impactos para a construção civil.

Ele afirmou que, caso haja aumento da carga tributária sobre a cadeia produtiva, existe a possibilidade de elevação dos custos dos empreendimentos e, consequentemente, dos preços dos imóveis. No entanto, ponderou que as discussões ainda estão em andamento no Congresso Nacional e que o setor acompanha a definição das regras.

Jornada da Habitação

Os temas discutidos durante a entrevista estarão entre os assuntos da Jornada da Habitação, promovida pelo Sinduscon-SP nesta quinta-feira (6), no Senai da avenida Itavuvu.

Segundo Renan Persio, o encontro reunirá representantes do setor da construção civil, especialistas e autoridades para debater habitação de interesse social, financiamento imobiliário, reforma tributária, saúde e segurança no trabalho, além de apresentar dados atualizados sobre o desempenho da construção civil e discutir alternativas para ampliar a oferta de moradias e melhorar a produtividade do setor.

 A entrevista completa você pode acessar pelo LINK: https://www.cruzeirofm.com.br/2026/08/03/noticias/jornalismo/juros-altos-sao-principal-desafio-para-construcao-civil-em-sorocaba/