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Alerta

Golpes digitais já somam 575 casos no Procon Sorocaba em 2026

WhatsApp, Pix e falsas centrais bancárias estão entre as principais fraudes; especialistas alertam para uso de engenharia social e inteligência artificial pelos criminosos

22 de Agosto de 2026 às 19:28
Caroline Mendes [email protected]
Muitos desses casos configuram estelionato e investigação cabe às autoridades policiais: órgão atua na orientação dos consumidores
Muitos desses casos configuram estelionato e investigação cabe às autoridades policiais: órgão atua na orientação dos consumidores (Crédito: Divulgação)

Os golpes digitais já levaram 575 consumidores a procurar o Procon de Sorocaba em 2026. Entre as principais fraudes relatadas estão golpes pelo WhatsApp, falsas centrais de atendimento bancário, falsos investimentos, links fraudulentos, compras em sites falsos e fraudes envolvendo o Pix.

O cenário local acompanha uma tendência nacional de forte crescimento do estelionato. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou mais de 2,2 milhões de ocorrências de estelionato em 2025, entre modalidades tradicionais e digitais. O volume representa crescimento de 429,8% em relação a 2018.

Segundo o Procon de Sorocaba, embora muitos desses casos configurem crime de estelionato, cuja investigação cabe às autoridades policiais, o órgão atua na orientação dos consumidores e na análise de eventuais falhas na prestação de serviços quando existe relação de consumo. "O Procon atua na orientação dos consumidores e na análise de eventuais falhas na prestação de serviços, quando houver relação de consumo, especialmente envolvendo instituições financeiras e plataformas digitais", informa o órgão.

WhatsApp e Pix no radar

Entre as fraudes mais relatadas ao Procon estão a clonagem ou falsificação de contas do WhatsApp, falsas centrais bancárias, links enviados por SMS, e-mail ou aplicativos de mensagens e golpes envolvendo Pix.

Golpes por meio do WhatsApp, com clonagem ou falsificação de contas; falsas centrais de atendimento de bancos; falsos investimentos; links falsos enviados por SMS, e-mail ou aplicativos de mensagens; compras realizadas em sites fraudulentos; fraudes por Pix, mediante engenharia social; e golpes da falsa venda de produtos em redes sociais e marketplaces, são algumas das modalidades apontadas pelo Procon.

O órgão afirma que golpes envolvendo WhatsApp, Pix e falsas centrais bancárias estão entre os mais recorrentes atualmente. Segundo o Procon, os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para induzir a vítima a realizar transferências, compartilhar senhas ou códigos de autenticação ou instalar aplicativos que permitem acesso remoto ao celular.

A engenharia social consiste justamente em manipular a vítima para que ela própria forneça informações ou realize alguma ação que beneficie o criminoso.

Para Gustavo Chamadoira, diretor de Engenharia da Fortinet Brasil, o avanço desse tipo de crime está diretamente relacionado à digitalização da sociedade. "O aumento expressivo dos casos de estelionato, utilizando ambientes digitais, está relacionado ao avanço da digitalização da sociedade. Aplicativos bancários, comércio eletrônico, redes sociais e serviços digitais passaram a fazer parte da rotina da população, ampliando as oportunidades de interação, mas também a superfície de ataque explorada pelos criminosos", relata.

Segundo ele, os golpes também ficaram mais sofisticados, com a utilização de informações públicas para personalizar as abordagens. "Os golpes se tornaram mais sofisticados, com o uso de ferramentas capazes de coletar informações públicas, personalizar abordagens e utilizar inteligência artificial para tornar mensagens e perfis mais convincentes", explica.

Por que o WhatsApp?

O aplicativo de mensagens se tornou uma das principais ferramentas utilizadas pelos golpistas porque está presente na rotina pessoal e profissional de grande parte da população. "O WhatsApp permanece entre os principais canais utilizados porque faz parte da rotina pessoal e profissional da maioria dos brasileiros. E é percebido como um ambiente de confiança", afirma Chamadoira.

A partir dessa confiança, os criminosos podem se passar por familiares, amigos, empresas ou instituições financeiras. Em uma das modalidades, por exemplo, o golpista utiliza a fotografia e informações públicas de uma pessoa para criar um perfil falso e abordar familiares e amigos com pedidos de dinheiro.

Em outro golpe, o criminoso tenta obter o código de segurança enviado pelo próprio WhatsApp para assumir a conta da vítima.

A Febraban orienta que o usuário nunca compartilhe códigos de autenticação e recomenda a ativação da verificação em duas etapas.

IA torna golpes mais convincentes

A IA também passou a integrar o arsenal utilizado pelos criminosos.

De acordo com Chamadoira, a tecnologia permite produzir mensagens mais naturais e personalizadas e criar perfis falsos mais convincentes. "A inteligência artificial permite que criminosos produzam golpes mais convincentes e personalizados. Ela pode ser utilizada para analisar informações públicas, adaptar mensagens ao perfil da vítima, criar comunicações com linguagem natural e tornar perfis falsos mais realistas", afirma.

Com isso, uma mensagem que contém detalhes pessoais ou apresenta uma linguagem semelhante à de alguém conhecido não deve ser considerada automaticamente verdadeira. "Diante de qualquer abordagem inesperada ou suspeita, a recomendação é interromper a conversa", orienta o especialista.

Urgência é sinal de alerta

Um dos principais recursos utilizados pelos criminosos é criar uma situação de urgência. A vítima recebe uma mensagem informando que alguém precisa de dinheiro imediatamente ou uma ligação afirmando que existe uma movimentação suspeita na conta.

A estratégia busca impedir que a pessoa tenha tempo para verificar a informação. "A engenharia social é uma técnica de manipulação psicológica que busca convencer a vítima a realizar uma ação que beneficie o criminoso, como compartilhar informações confidenciais ou solocitar uma transferência financeira, por exemplo."

Segundo ele, os criminosos exploram emoções como "urgência, medo, curiosidade e confiança", fazendo com que a vítima aja antes de verificar a veracidade da solicitação.

Falsa central bancária

A Febraban alerta para golpes em que criminosos se passam por funcionários de bancos. A abordagem pode ocorrer por telefone, SMS ou aplicativos de mensagens.

Em alguns casos, o golpista afirma que identificou uma operação suspeita e orienta a vítima a ligar para uma falsa central. Depois de conseguir informações da conta, tenta convencê-la a realizar transferências para supostamente cancelar ou estornar operações.

A orientação é não utilizar números de telefone recebidos por SMS ou mensagens. O cliente deve procurar diretamente os canais oficiais do banco.

A Febraban ressalta ainda que instituições financeiras não pedem senhas, tokens ou transferências para realizar "testes" do Pix.

A orientação da instituição é que comerciantes e prestadores de serviço verifiquem o crédito diretamente na conta antes de entregar produtos ou serviços.