Transporte
Reclamações sobre ônibus de transporte crescem na RMS
Passageiros procuraram o jornal para relatar atrasos, superlotação, falhas mecânicas e veículos em condições questionáveis
A reportagem publicada na última semana sobre as reclamações de passageiros da linha metropolitana entre Sorocaba e Araçoiaba da Serra revelou que os problemas podem ir além de um único itinerário: usuários de outras linhas da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) procuraram a redação para relatar dificuldades semelhantes em trajetos que ligam Sorocaba a municípios como Itu e Iperó. Os novos relatos envolvem atrasos, descumprimento de horários, superlotação, falhas mecânicas e veículos antigos.
A Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou ter recebido 190 manifestações relacionadas às empresas Rápido Luxo Campinas, VB Transportes e Turismo e Viação Lira entre junho de 2025 e julho de 2026.
O órgão esclarece que nem todas as manifestações identificam a linha utilizada e, por isso, não é possível detalhar os registros por itinerário. Ainda assim, afirma que as reclamações integram o monitoramento permanente da prestação do serviço e podem resultar na abertura de processos administrativos quando irregularidades são constatadas.
Problemas
Entre os passageiros que procuraram a reportagem está Luiz Otavio Balena, que utiliza diferentes linhas metropolitanas com origem em Sorocaba. Segundo ele, as reclamações não se restringem a um único itinerário e envolvem, principalmente, as condições dos veículos. "Os ônibus são desconfortáveis, sujos, barulhentos e têm equipamentos em mau estado, principalmente o elevador."
Balena afirma que já encaminhou reclamações aos órgãos responsáveis, mas diz não ter percebido mudanças na prestação do serviço. Para ele, além da renovação da frota, é necessário oferecer um canal mais eficiente para atender os usuários.
Outro relato recebido veio de um passageiro da linha Sorocaba-Itu (6209), que preferiu não se identificar. Usuário do transporte há cerca de dois anos, ele afirma que o principal problema está na oferta de horários. "São muito espaçados. Tem ônibus às 7h20 e depois só às 9h10. Em seguida, outro apenas às 10h. Fica muito difícil, porque o coletivo acaba enchendo de gente."
Segundo ele, as dificuldades não se resumem ao intervalo entre as viagens. "Os ônibus estão bem velhos e quebram com frequência. As reclamações nunca são ouvidas. Pelo menos nos horários de pico deveria ter ônibus de hora em hora ou a cada 40 minutos."
Empresa e Artesp
Os relatos dos passageiros contrastam com os indicadores operacionais apresentados pelo Grupo Belarmino, responsável pelas empresas Rápido Luxo Campinas, VB Transportes e Turismo e Viação Lira. Em nota, o grupo informou que acompanha diariamente a operação das linhas metropolitanas por meio de um Centro de Controle Operacional (CCO), responsável por monitorar a pontualidade, a ocupação dos veículos, o desempenho da frota e as ocorrências registradas ao longo da operação.
Segundo a empresa, os dados demonstram elevado índice de cumprimento da programação. Na linha Sorocaba-Iperó, todas as viagens previstas na última semana foram realizadas, sem registro de supressão de horários. Já na linha Sorocaba-Itu foram programadas 129 viagens, das quais 128 foram efetivamente executadas, o que representa índice de 99,22% de cumprimento.
Quanto às condições dos veículos, o grupo informa que a frota passa por manutenção preventiva e corretiva, seguindo um cronograma de revisões periódicas e inspeções internas.
Além de acompanhar os indicadores operacionais enviados pelas empresas, a Artesp informou que realiza fiscalização contínua do transporte coletivo metropolitano por meio de vistorias em campo, verificando o cumprimento dos horários, as condições dos veículos e demais obrigações previstas nos contratos de operação.