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Mobilidade

Ponte entre Parque São Bento e Jardim Carandá entra na reta final em Sorocaba

Obra deve ser concluída em novembro e promete criar nova alternativa de ligação na zona norte

28 de Julho de 2026 às 21:09
João Frizo [email protected]
Montagem das vigas na estrutura foi finalizada. Serviços no complexo viário seguem em ritmo acelerado
Montagem das vigas na estrutura foi finalizada. Serviços no complexo viário seguem em ritmo acelerado (Crédito: Fotos: Reinaldo Santos)

A construção do complexo viário que vai ligar o Parque São Bento ao Jardim Carandá, na zona norte de Sorocaba, entrou na reta final. Segundo a Secretaria de Parcerias (Separ), a obra atingiu aproximadamente 80% de execução física, enquanto a estrutura da ponte sobre o Rio Sorocaba já supera 90%. A entrega está prevista para novembro deste ano.

O empreendimento é considerado uma das principais intervenções de mobilidade em andamento no município. Além da ponte, o projeto contempla uma nova avenida, ciclovia, calçadas, iluminação pública, drenagem, paisagismo e toda a infraestrutura necessária para criar um novo eixo de circulação entre bairros que hoje dependem praticamente de um único acesso.

No local, a reportagem do Cruzeiro do Sul observou equipes atuando simultaneamente na montagem da superestrutura da ponte e na implantação da nova avenida. A estrutura da travessia já está praticamente formada, com as vigas instaladas sobre os pilares, enquanto máquinas executam serviços de terraplenagem e pavimentação nos acessos ao complexo viário.

A expectativa da prefeitura é reduzir significativamente a circulação de veículos na rodovia Emerenciano Prestes de Barros (SP-97), atualmente a principal ligação da região, além de melhorar a fluidez do trânsito e ampliar a integração do transporte coletivo com o Terminal São Bento e o sistema BRT.

Obra avança

De acordo com a Separ, a construção encontra-se na fase de execução da superestrutura da ponte, com o lançamento das vigas longarinas, instalação das pré-lajes e demais componentes estruturais do tabuleiro.

Enquanto isso, outra frente de trabalho executa a implantação da nova avenida, incluindo pavimentação, iluminação pública, infraestrutura urbana e paisagismo.

As etapas de fundação e construção dos pilares já foram concluídas. Também estão praticamente finalizados os serviços de terraplenagem, drenagem, implantação de guias, calçadas, ciclovia e base da pavimentação. Restam a pavimentação definitiva, os acabamentos, a implantação da iluminação, do paisagismo e da sinalização horizontal e vertical para que o complexo possa ser liberado ao tráfego.

Inicialmente orçada em R$ 43,8 milhões, a obra passou por reajuste contratual previsto em contrato e tem investimento atualizado de R$ 48,6 milhões.

Segundo a prefeitura, a ponte e a nova avenida serão entregues simultaneamente por integrarem um único complexo viário.

Nova alternativa

Para o professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Sorocaba (Uniso), Tiago da Guia Oliveira, a nova ligação atende uma necessidade antiga da zona norte, uma das regiões que mais cresceram em Sorocaba nas últimas décadas.

Segundo ele, bairros como Parque São Bento, Jardim Carandá e Altos do Ipanema concentram uma população comparável à de muitos municípios da Região Metropolitana de Sorocaba, mas continuam dependentes quase exclusivamente da rodovia Emerenciano Prestes de Barros para os deslocamentos diários.

"O fluxo acaba convergindo para um único eixo viário, principalmente nos horários de entrada e saída do trabalho e das escolas. Essa obra cria uma rota alternativa e se faz necessária justamente para desafogar esse gargalo", afirma.

Na avaliação do especialista, a nova ponte deverá reduzir o volume de veículos na rodovia, mas não representa uma solução definitiva para os problemas de mobilidade da região. "A médio e longo prazo, uma única alternativa não será suficiente. A obra é importante, mas precisa estar inserida em um planejamento mais amplo", destaca.

Planejamento

Além da nova ponte, o arquiteto defende outras intervenções estruturais para acompanhar o crescimento da zona norte.

Entre elas está a implantação da ligação entre a região da Cruz de Ferro e a rodovia Raposo Tavares (SP-270), formando o chamado anel viário externo. Segundo ele, essa conexão permitiria distribuir melhor o fluxo de veículos que hoje obrigatoriamente passa pela Avenida Ipanema para acessar outras regiões da cidade.

O especialista também aponta a necessidade de modernizar o transporte coletivo, fortalecendo as linhas interbairros e reduzindo a concentração de deslocamentos pelos terminais centrais.

"O problema da Avenida Ipanema continuará existindo. A ponte resolve uma parte importante da demanda, mas a cidade precisa continuar investindo em novas conexões viárias e em um transporte coletivo mais eficiente", avalia.

Mobilidade e preservação

Apesar de considerar a obra necessária, o arquiteto ressalta que intervenções sobre o Rio Sorocaba exigem cuidados ambientais.

Segundo ele, construções desse porte inevitavelmente provocam transtornos temporários, como movimentação de máquinas, interdições e aumento do fluxo de caminhões, mas o principal desafio é garantir que a execução ocorra com estudos técnicos e medidas de compensação ambiental.

"Melhorar a mobilidade não pode significar comprometer a qualidade ambiental da cidade. Obras dessa natureza precisam minimizar os impactos sobre o rio e as áreas de preservação", afirma. Para ele, o planejamento urbano deve integrar mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida.

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