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Trânsito

Três mortes em quatro dias acendem alerta na Itavuvu

Excesso de velocidade, desrespeito às regras e fiscalização estão entre os desafios; via registrou 20 mortes em dois anos

25 de Julho de 2026 às 20:28
Caroline Mendes [email protected]
Via, localizada na zona norte de Sorocaba, 
é uma das de maior fluxo da cidade
Via, localizada na zona norte de Sorocaba, é uma das de maior fluxo da cidade (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

Os dois acidentes fatais registrados na avenida Itavuvu, em Sorocaba, em um intervalo de apenas quatro dias, reacenderam o debate sobre a segurança viária em uma das principais vias da zona norte da cidade. As ocorrências deixaram três mortos: um motorista e uma bebê de um ano, vítimas de uma colisão entre veículos no domingo (19), e um pedestre atropelado por uma motocicleta enquanto atravessava na faixa na quarta-feira (22).

Os dois acidentes ocorreram a cerca de 440 metros de distância um do outro, em um trecho onde o limite de velocidade é de 50 km/h, conforme informou a Prefeitura de Sorocaba.

Apesar da sequência de ocorrências, especialistas alertam que os casos, por si só, não são suficientes para concluir que existe um problema específico de infraestrutura na via.

"O trânsito é um espaço compartilhado e a ação ou a omissão de um usuário pode resultar em prejuízos para todos. Quando há mortes ou lesões graves, é necessária uma avaliação detalhada dos fatores de risco para que sejam adotadas medidas de prevenção", afirma o especialista em trânsito, mobilidade e segurança Renato Campestrini.

Histórico preocupa

Apesar da redução dos índices gerais de acidentes e mortes no município no primeiro semestre deste ano, a Itavuvu continua entre as vias com maior número de ocorrências graves.

Levantamento elaborado com base em dados do InfoSiga, sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP), aponta que a avenida registrou 347 acidentes entre julho de 2024 e junho de 2026, média de 14,5 ocorrências por mês. Desse total, 17 acidentes foram fatais, provocando 20 mortes.

As colisões representam 46,7% das ocorrências, enquanto os atropelamentos correspondem a 14,1% dos registros. Entre as vítimas fatais, 40% eram motociclistas e 30% pedestres, grupos considerados os mais vulneráveis no trânsito.

Segundo Campestrini, o problema vai além das características físicas da via. "Uma via por si só não é perigosa, mas o comportamento de seus usuários, sim."

Para ele, excesso de velocidade, uso do celular ao volante e desrespeito às normas de circulação potencializam o risco de acidentes.

Na avaliação do delegado Acácio Leite, responsável pelo 15º Distrito Policial, os acidentes graves registrados tanto na Itavuvu quanto na avenida Ipanema têm em comum o comportamento dos condutores.

"Infelizmente, tanto a Ipanema quanto a Itavuvu têm sido palco de acidentes de trânsito, na sua maioria com gravidade. Essa sequência nos indica que o usuário não está utilizando essas vias com a necessária atenção."

Segundo ele, a maioria das ocorrências investigadas está relacionada ao excesso de velocidade, ao desrespeito à sinalização e à combinação de álcool e direção, e "nessa guerra, o pedestre sempre sai perdendo."

Ele lembra que, no atropelamento registrado nesta semana, o casal atravessava pela faixa de pedestres, os veículos pararam e sinalizaram a travessia, mas o motociclista não conseguiu evitar o atropelamento.

Para Campestrini, a faixa de pedestres deveria ser um local de travessia segura, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro.

Entretanto, ele observa que apenas implantar sinalização ou semáforos não resolve o problema. "O respeito deve ser constantemente reforçado pela educação para o trânsito, mas também pela fiscalização, seja por agentes, seja por meios tecnológicos."

Engenharia e fiscalização

Questionada sobre possíveis intervenções no local, a prefeitura informou que a via possui sinalização horizontal e vertical, pavimentação e condições de visibilidade compatíveis com os padrões técnicos do Código de Trânsito Brasileiro e no Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito. A administração municipal acrescentou que a avenida é monitorada e que novas intervenções poderão ser adotadas caso estudos apontem necessidade.

Na avaliação de Campestrini, uma medida que pode contribuir para reduzir acidentes é ampliar o monitoramento. "Rever ou ampliar os pontos de fiscalização eletrônica de velocidade pode incentivar o respeito às regras e aumentar a segurança."

Redução dos índices

A prefeitura informou que houve redução dos indicadores de acidentes em Sorocaba no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho de 2025 foram registrados 38 sinistros com mortes, número que caiu para 27 no mesmo período de 2026, redução de 28,9%.

Os acidentes com vítimas também diminuíram de 759 para 597, queda de 21,3%.

Apesar da melhora nos indicadores gerais, Campestrini lembra que 71 pessoas morreram nas vias urbanas de Sorocaba entre julho de 2025 e junho de 2026, gerando um custo estimado superior a R$ 314 milhões para a sociedade.

"O objetivo da fiscalização não é criar uma indústria de multas, mas impedir a indústria da dor e da morte no trânsito", conclui.