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Morte suspeita

Bebê morre após passar por atendimentos em unidades de saúde de Sorocaba

Isaac Filipe apresentou febre, lesões na pele, vômitos e alterações no quadro respiratório; Polícia Civil requisitou exames necroscópico e toxicológico ao IML

22 de Julho de 2026 às 13:21
Caroline Mendes [email protected]
Isaac Filipe apresentou febre, lesões na pele, vômitos e alterações no quadro respiratório
Isaac Filipe apresentou febre, lesões na pele, vômitos e alterações no quadro respiratório (Crédito: Arquivo pessoal)

A morte de Isaac Filipe Aguiar de Assis Verissimo, de 10 meses, morador do Parque São Bento, em Sorocaba, é investigada pela Polícia Civil como morte suspeita. O bebê morreu na manhã de sábado (18), após passar por atendimentos em unidades de saúde do município nos dias anteriores. A mãe da criança registrou um boletim de ocorrência no Plantão Policial de Sorocaba, no mesmo dia.

Segundo o documento, Isaac começou a apresentar febre no domingo anterior à morte e permaneceu com o quadro durante a segunda e a terça-feira. A mãe relatou à polícia que o bebê havia sido atendido anteriormente, em junho, quando teria recebido diagnóstico de bronquiolite e, posteriormente, sido informada sobre a possibilidade de um quadro de asma.

Na quinta-feira (16), diante da persistência dos sintomas, a mãe levou o filho ao PA da zona oeste. Conforme o relato registrado no BO, foram observadas diversas lesões cutâneas, descritas como “bolinhas” espalhadas pelo corpo, mas não teria sido estabelecido um diagnóstico conclusivo para o quadro.

Na sexta-feira (17), ainda segundo o boletim, a mãe levou novamente Isaac ao Pronto-Socorro Nogueira Padilha em razão da persistência do mal-estar. O documento registra que foi realizada uma inalação, mas que, segundo a declarante, não teria sido informado um diagnóstico preciso para a febre e as lesões na pele.

Já na madrugada de sábado (18), por volta das 3h10, a mãe levou o bebê à UPA General Carneiro. De acordo com o relato registrado no BO, Isaac apresentava um quadro respiratório associado a episódios de vômito e foi liberado após o atendimento.

Ainda dentro da unidade de saúde, logo após a liberação, a mãe, acompanhada da avó materna da criança, teria percebido uma piora no estado clínico do bebê. Segundo o relato, os lábios de Isaac passaram a apresentar coloração arroxeada. A família pediu ajuda à equipe médica, que voltou a atender a criança.

Conforme informado à Polícia Civil pelo médico responsável pelo atendimento, Isaac apresentava vômitos e evoluiu para hipoatividade, rebaixamento do nível de consciência e, posteriormente, parada cardiorrespiratória. Apesar das manobras de reanimação, o bebê morreu por volta das 6h34.

Família pede justiça

A tia de Isaac, Thais Pereira, afirmou que a família está abalada com a morte do bebê e busca respostas sobre o que aconteceu nos dias que antecederam o óbito.

“Queremos justiça pelo nosso menino. Meu único sobrinho homem, meu homenzinho… dói tanto. Ele foi tão desejado, tão sonhado, era tão alegre, sorridente, feliz”, afirmou. Thais Pereira, tia de Isaac

Segundo Thais, a família questiona especialmente a sequência de atendimentos e a ausência de um diagnóstico para os sintomas apresentados pelo bebê. Ela também afirma que não teriam sido realizados exames durante um dos atendimentos e que Isaac recebeu uma medicação intravenosa antes de sofrer a parada cardiorrespiratória.

A família ainda não soube informar o nome do medicamento administrado. Segundo a tia, essa informação deverá ser verificada no prontuário médico, assim como os demais procedimentos realizados durante os atendimentos.

Morte suspeita

Diante do relato apresentado pela mãe, especialmente em relação à ausência de um diagnóstico conclusivo nos atendimentos anteriores e à possibilidade de eventual falha na assistência médica, a autoridade policial determinou o registro da ocorrência como morte suspeita.

A Polícia Civil requisitou a realização de exames necroscópico e toxicológico pelo Instituto Médico Legal (IML) para apurar a causa determinante da morte e esclarecer as circunstâncias do caso.

O boletim de ocorrência registra a possibilidade de eventual negligência na assistência médica, mas a existência ou não de falha no atendimento ainda será apurada. Os exames e demais elementos da investigação deverão contribuir para esclarecer as circunstâncias da morte.

Causa da morte

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SES) lamentou o ocorrido e afirmou que está à disposição dos familiares para todo esclarecimento necessário.

Após solicitar informações às unidades de urgência responsáveis pelos atendimentos, a SES informou que foi comunicada de que os protocolos médicos foram respeitados. Segundo a pasta, durante o tratamento, não teriam sido apresentados sinais vitais de risco nas pré-consultas de triagem e durante a consulta médica.

A Secretaria informou ainda que aguarda a definição da causa do óbito pelo Sistema de Verificação de Óbito (SVO). O Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), gestora responsável pela unidade, já tomou as medidas cabíveis em relação ao profissional, conforme a nota.

A SES afirmou que aguarda mais informações para a continuidade das tratativas e fiscalizações que lhe cabem e que permanece à disposição das demais autoridades.

Casos recentes

A morte de Isaac ocorre após outros dois casos recentes envolvendo crianças e adolescentes que passaram por unidades de saúde de Sorocaba e tiveram os atendimentos questionados por familiares.

Em junho, uma menina de 8 anos morreu na UPH da Zona Leste enquanto aguardava uma vaga de UTI pediátrica. Segundo a Santa Casa de Sorocaba, responsável pela gestão da unidade, a criança chegou em estado gravíssimo, com severa desidratação causada por um quadro intenso de diarreia. A instituição informou que foi solicitada uma transferência emergencial, mas não havia vaga disponível na rede referenciada. A regulação dos leitos é de responsabilidade do Governo do Estado. 

Ainda em junho, um adolescente de 14 anos morreu após passar por três unidades de saúde de Sorocaba. A família afirmou que ele aguardou cerca de 18 horas por uma transferência e questionou o atendimento recebido. A Prefeitura e a direção da UPA Éden afirmaram que os protocolos assistenciais foram adotados e que aguardavam o laudo do SVO para esclarecer a causa da morte.

Nos três casos, as circunstâncias dos óbitos e a eventual existência de falhas nos atendimentos dependem das apurações e dos documentos médicos correspondentes. No caso de Isaac, a Polícia Civil aguarda os exames do IML para esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do ocorrido.