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Comércio exterior

Tarifa dos EUA acende alerta para indústrias da RMS

Exportações da Regional Sorocaba para o mercado norte-americano caíram 39,7% no primeiro semestre; Ciesp teme perda de competitividade, mas diz que ainda é cedo para medir reflexos na economia

21 de Julho de 2026 às 21:23
Caroline Mendes [email protected]
Raio-X da balança comercial da Regional Sorocaba
Raio-X da balança comercial da Regional Sorocaba (Crédito: VITOR MORETTI)

A confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos preocupa a indústria da região de Sorocaba. Embora ainda seja cedo para mensurar os impactos sobre produção, investimentos e empregos, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) avalia que a medida tende a reduzir a competitividade das empresas brasileiras em um dos principais mercados consumidores do mundo.

Os dados mais recentes da balança comercial da Regional Sorocaba do Ciesp já mostram uma retração nas vendas ao mercado norte-americano. Entre janeiro e junho de 2026, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 117,4 milhões, uma queda de 39,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

O levantamento considera os 48 municípios que integram a Regional Sorocaba do Ciesp. No período, as exportações totais da região alcançaram US$ 2 bilhões, representando uma redução de 4,1% na comparação anual. As importações também recuaram 0,7%, totalizando US$ 2,19 bilhões.

Hoje, os Estados Unidos ocupam a quarta posição entre os principais destinos das exportações da região, atrás de Argentina, China e Colômbia.

Entre os principais produtos exportados estão veículos automóveis e tratores, responsáveis por 36,2% do total embarcado, seguidos por sementes e frutos oleaginosos (15,1%) e máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (12,1%).

Competitividade em risco

Para o diretor titular do Ciesp Sorocaba, Rodrigo Figueiredo, a confirmação do tarifaço pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) atinge exportações paulistas estimadas em US$ 11 bilhões, envolvendo tanto a indústria quanto o agronegócio, e a região de Sorocaba possui participação significativa nesse montante.

"O Ciesp expressa sua indignação e lamenta essa medida, que é prejudicial à própria população norte-americana, que pagará mais caro pelos bens, mercadorias e alimentos brasileiros", diz.

Segundo o dirigente, os segmentos mais afetados devem ser os de autopeças, automotivo, máquinas e equipamentos, agronegócio e eletroeletrônicos, setores que possuem forte representatividade na economia regional.

Falta de previsibilidade

O Ciesp informa que ainda não recebeu relatos de empresas sobre cancelamento de pedidos ou renegociação de contratos em razão da nova tarifa. No entanto, a entidade afirma que existe consenso entre o setor produtivo de que a medida reduz a competitividade da indústria brasileira diante de concorrentes internacionais que não enfrentam as mesmas barreiras comerciais.

Outro fator apontado como preocupante é a insegurança para o planejamento empresarial.

De acordo com Rodrigo Figueiredo, a indefinição sobre a manutenção, ampliação ou eventual retirada das tarifas dificulta decisões relacionadas a investimentos, produção e estratégias comerciais.

"O Brasil passa a figurar entre os países com as barreiras comerciais mais severas para acesso ao mercado norte-americano. Isso aumenta os riscos para quem atua no comércio exterior", destaca.

Solução e diálogo

Desde o anúncio das primeiras medidas tarifárias, o Ciesp afirma que vem atuando em defesa da indústria paulista. A entidade participou de uma missão em Washington, liderada pelo presidente Rafael Cervone, para dialogar com autoridades e contribuir para a construção de alternativas que preservem a competitividade das empresas brasileiras.

Na avaliação do diretor regional, a reversão da medida depende de negociações diplomáticas.

"O governo brasileiro, sem reações de cunho político e com serenidade, segurança e bom senso, deve intensificar os esforços diplomáticos para buscar a reversão da medida e restabelecer um ambiente de maior estabilidade nas relações comerciais entre os dois países", declara.

Apesar da preocupação do setor industrial, o Ciesp considera prematuro afirmar que a nova tarifa provocará redução da produção, perda de investimentos ou demissões na região.

A entidade defende que o momento exige cautela e diálogo entre governos e representantes do setor produtivo. (C.M.)

 

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