Entrevista
Insegurança e abandono aceleram esvaziamento da região central de Sorocaba
Empresária Cristina Delanhesi e o vereador Roberto Freitas defendem ações integradas para revitalizar o Centro e ampliar a sensação de seguranç
A sensação de insegurança, a degradação dos espaços públicos e a falta de políticas de revitalização estão entre os fatores que têm contribuído para o esvaziamento da região central de Sorocaba. A avaliação foi feita pela empresária Cristina Delanhesi e pelo vereador Roberto Freitas (PL), durante entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (14). Ambos defenderam uma atuação conjunta entre poder público, comerciantes e sociedade civil para recuperar o Centro da cidade.
Cristina, que atua na região central à frente do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS), afirmou que a percepção de insegurança é frequente entre comerciantes, funcionários e frequentadores da área. "Há uma sensação de insegurança absoluta entre quem trabalha no Centro. Muitas funcionárias contam que precisam se organizar em grupos para ir do ponto de ônibus até o trabalho porque têm medo".
Ela ressalta que o aumento da população em situação de rua e de usuários de drogas na região contribui para esse cenário, embora faça questão de diferenciar a vulnerabilidade social da criminalidade. "Não estou dizendo que moradores de rua são responsáveis pelos crimes. Mas a situação de precariedade leva ao aumento da violência e gera insegurança para quem trabalha na região".
Comércio
Durante a entrevista, a empresária afirmou que a combinação entre insegurança, abandono e altos custos tem levado muitos comerciantes a deixar o Centro.
Segundo ela, além das dificuldades enfrentadas pelos empresários que mantêm lojas físicas, existe concorrência desigual com o comércio informal instalado nas calçadas. "Há um desequilíbrio. Quem mantém uma loja paga aluguel, impostos, funcionários e encargos. Já quem vende na rua tem uma realidade completamente diferente".
Para Cristina, esse cenário reduz a competitividade dos estabelecimentos formais e contribui para o aumento do número de imóveis fechados na região central.
Degradação
Outro ponto destacado foi a situação da área da antiga estação ferroviária, onde funciona o Museu de Arte Contemporânea.
Segundo a empresária, a falta de manutenção dos imóveis e terrenos vizinhos favorece a ocupação irregular e aumenta a sensação de abandono.
Cristina afirmou que a diretoria do museu precisou contratar segurança privada para garantir o funcionamento da instituição e a proteção de funcionários e visitantes. "A situação chegou a um ponto em que tivemos de contratar segurança privada. Não tínhamos tranquilidade para manter as pessoas trabalhando ali".
Ela também relatou que objetos roubados e documentos chegaram a ser encontrados em imóveis abandonados próximos ao museu.
Revitalização
Para o vereador Roberto Freitas, a recuperação do Centro depende de um conjunto de medidas que envolvem segurança, urbanismo, mobilidade e ocupação dos espaços públicos.
Segundo ele, Sorocaba precisa investir em tecnologia, ampliar o efetivo nas ruas e desenvolver projetos de revitalização capazes de devolver movimento à região. "Quanto mais degradado o Centro vai ficando, maior é o sentimento de abandono. E o crime escolhe exatamente esses ambientes".
O parlamentar também defendeu o uso de tecnologias, como sistemas de monitoramento e inteligência artificial, para auxiliar na identificação de criminosos e ampliar a eficiência das ações de segurança.
Urbanismo
Durante a entrevista, Roberto Freitas afirmou que o Centro necessita de um planejamento de longo prazo para recuperar sua atratividade.
Segundo ele, a revitalização da área ferroviária, a reorganização da paisagem urbana, a retirada da poluição visual e a ocupação de imóveis vazios por empresas e atividades econômicas podem contribuir para transformar a região.
O vereador citou como exemplo iniciativas adotadas em outras cidades brasileiras que estimularam a instalação de empresas de tecnologia em áreas degradadas. "Precisamos trazer empresas de volta para o Centro, gerar emprego, movimentação e dar vida novamente à região".
Audiência
Roberto Freitas informou que a Câmara Municipal promoverá, no próximo dia 27 de julho, uma audiência pública para discutir os desafios da região central de Sorocaba.
Segundo o vereador, o encontro deverá reunir representantes do poder público, comerciantes, entidades e moradores para debater propostas relacionadas à segurança, mobilidade, urbanismo e desenvolvimento econômico. "O desafio do Centro é complexo e precisa ser enfrentado com a participação de todos os setores da sociedade".
Centro vivo
Ao comentar o futuro da região central, Cristina Delanhesi defendeu ações que incentivem a permanência das pessoas no local, com mais opções culturais, gastronômicas e de lazer.
Segundo ela, a recuperação do Centro passa também pela valorização dos espaços públicos e do patrimônio histórico da cidade. "O Centro é bonito, tem história e precisa voltar a ser um lugar onde as pessoas tenham vontade de passear e permanecer", conclui.
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