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Romaria de Aparecidinha reúne 70 mil fiéis em Sorocaba

Pela primeira vez, arcebispo Dom José Roberto Fortes Palau preside missa e caminha com os romeiros até o Santuário

12 de Julho de 2026 às 14:54
Vernihu Oswaldo [email protected]
Procissão - APARECIDINHA
Andor carregado pela multidão (Crédito: Reinaldo Santos)

Sorocaba realizou neste domingo (12) a 127ª edição da tradicional Romaria de Aparecidinha. A estimativa inicial é de que cerca de 70 mil fiéis tenham participado do percurso entre a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Ponte e o Santuário, no bairro de Aparecidinha. É lá que a imagem da padroeira permanece até 1º de janeiro de 2027, quando retorna à Catedral em nova romaria.

Ainda de madrugada, os romeiros iniciaram a caminhada. Apesar das horas de trajeto, o sol não apareceu com força e a temperatura amena favoreceu os participantes. Ao longo do caminho, voluntários distribuíram pães, frutas, doces, água e até café para quem seguia em oração.

A edição de 2026 marcou a história da tradição. Pela primeira vez, a Missa das 5h na Catedral Metropolitana foi presidida pelo arcebispo metropolitano de Sorocaba, Dom José Roberto Fortes Palau, que também percorreu todo o trajeto ao lado dos fiéis.

Reconhecida como uma das maiores manifestações religiosas do interior paulista, a Romaria de Aparecidinha carrega mais de 220 anos de história. Com origem atribuída a 1804, a peregrinação se consolidou como patrimônio da memória e da identidade de Sorocaba, unindo fé e resiliência coletiva. Documentos históricos comprovam que a devoção já estava fortemente enraizada na primeira metade do século 19, mesmo antes de a romaria ter datas e organização fixas.

A imagem de Nossa Senhora é carregada em andor, nos ombros dos devotos. Segundo a tradição, a escultura original em barro, do século 18, teria chegado a Sorocaba com tropeiros em 1782 e sido deixada em uma árvore no local onde hoje está o Santuário.

O atual pároco e reitor do Santuário de Aparecidinha, Padre Ricardo Chizzolini, destacou o significado da festa para o bairro. “O que fica de bom para nós aqui são bênçãos sobre bênçãos. A alegria do Senhor se faz presente no nosso meio e se manifesta nessa devoção. As pessoas vêm descalças, debaixo de chuva, de sol, de calor, e contam suas histórias de vida, de curas e de graças alcançadas por intercessão de Nossa Senhora."

Entre os romeiros, não faltaram relatos emocionantes. Rafael Martins, 34 anos, contou que fez a caminhada várias vezes com o pai e que este foi o primeiro ano em que teve coragem de fazer o trajeto sozinho. “A gente vai andando e pensando, relembrando. Não é fácil, mas é bom."

Em frente às barracas de comida, Jussara Silva, 70 anos, disse que a romaria é compromisso anual. "Enquanto eu tiver saúde, eu vou vir, e trago todo mundo comigo. Olha aí: tem filho, tem neta, tem vizinho. Todo mundo junto, caminhando e comendo."
Ela também comentou sobre o espírito do percurso: “Ao longo do caminho a gente vai acompanhando os padres, rezando, cantando. A gente se sente mais leve, né?”

Pela primeira vez desde que assumiu a Arquidiocese, Dom José Roberto Fortes Palau fez o percurso completo. Ele explicou a escolha: "O pastor tem que estar próximo ao povo. Dom Júlio já caminhava nessa romaria e eu mantive a tradição. O bispo tem que estar perto do povo, para que ele sinta que o bispo caminha com ele, como pedia o Papa Francisco. A romaria é uma oportunidade para estarmos próximos, conversar, ouvir, tirar foto. Foi um momento muito rico para mim e para a comunidade. Foi muito bom”.

A romaria atraiu fiéis de várias cidades do Estado e até de fora dele. Houve grupos de Campinas, São Paulo, Mairinque e até do Paraná caminhando juntos pelas ruas de Sorocaba.

O trajeto teve início em frente à Catedral Metropolitana, seguiu pela rua São Bento até a avenida São Paulo. A imagem fez paradas em paróquias e na Santa Casa de Misericórdia, onde foi recebida pelo padre Flávio Miguel Junior. Depois, os romeiros seguiram pela avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes e pela avenida Três de Março até o Santuário.

A chegada da imagem encerra a caminhada, mas mantém viva uma devoção que vai além dos quilômetros. A mesma fé que uniu sorocabanos durante as epidemias de febre amarela no fim do século 19 hoje leva milhares às ruas em agradecimento.

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