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Entrevista

Psicóloga alerta para avanço das dependências comportamentais e dos jogos on-line

Daiana da Roza Custodio afirma que apostas virtuais, uso excessivo do celular e telas já figuram entre os principais fatores de adoecimento da saúde mental

07 de Julho de 2026 às 21:53
João Frizo [email protected]
Daiana da Roza Custodio, que atua na Seconci-SP Regional, afirma
que saúde mental está sendo prejudicada pela dependência digital
Daiana da Roza Custodio, que atua na Seconci-SP Regional, afirma que saúde mental está sendo prejudicada pela dependência digital (Crédito: João Frizo)

A dependência deixou de estar relacionada apenas ao consumo de álcool e outras drogas. O avanço da tecnologia, a popularização das apostas esportivas e o uso excessivo de celulares e redes sociais fizeram crescer um novo perfil de comportamento compulsivo, que afeta crianças, adolescentes e adultos e pode trazer prejuízos à saúde mental, ao convívio familiar e ao desempenho profissional. O alerta é da psicóloga da Regional Sorocaba do Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP), Daiana da Roza Custodio, que abordou o tema durante entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (7).

Segundo a psicóloga, é importante diferenciar vício de dependência. Enquanto o vício está relacionado a um hábito repetitivo, a dependência representa uma condição mais grave, caracterizada pela dificuldade de interromper determinado comportamento, mesmo diante de consequências negativas. “O vício é um hábito. A dependência já é crônica, torna-se uma doença. É quando a pessoa tenta parar aquele comportamento e não consegue".

Além das drogas

Daiana explica que, embora muitas pessoas associem dependência apenas ao uso de substâncias químicas, atualmente os comportamentos compulsivos estão presentes em diversas situações do cotidiano.

Segundo ela, compras compulsivas, pornografia, redes sociais e, principalmente, os jogos de apostas on-line passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas. “Hoje o vício está na palma das nossas mãos. Os jogos de azar, as compras compulsivas e outros comportamentos estão muito mais acessíveis por meio do celular".

Para a psicóloga, essa facilidade de acesso aumenta o risco de desenvolvimento da dependência, já que o estímulo está disponível durante praticamente todo o dia.

Sinais

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a dificuldade que muitas pessoas têm para reconhecer que desenvolveram uma dependência.

Segundo Daiana, normalmente são familiares, amigos ou colegas de trabalho que percebem as primeiras mudanças de comportamento. “Quem está à volta costuma perceber antes. A pessoa passa muito tempo no celular, muda a rotina, chega atrasada ou permanece longos períodos isolada".

Ela explica que, quando a pessoa tenta interromper o comportamento compulsivo, podem surgir sintomas como ansiedade, tremores, suor excessivo e insônia, características comuns dos quadros de abstinência.

Apostas

Durante a entrevista, Daiana também chamou atenção para o crescimento das apostas esportivas e dos jogos on-line, impulsionados principalmente pela intensa divulgação em redes sociais, plataformas digitais e transmissões esportivas.

Segundo ela, a exposição constante a esse tipo de publicidade desperta o interesse das pessoas e pode favorecer o desenvolvimento de comportamentos compulsivos. “É tentador. Você olha para todos os lados e vê propaganda. Nos atendimentos, é cada vez mais comum ouvir relatos de pessoas dizendo que todo mundo ao redor está jogando".

A psicóloga alerta que um dos sinais de preocupação é quando a pessoa passa a gastar valores superiores aos que havia planejado e não consegue interromper as apostas.

Crianças

A profissional também demonstrou preocupação com o uso precoce de telas por crianças e adolescentes.

Segundo Daiana, o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento e o excesso de estímulos pode comprometer a capacidade de concentração, a aprendizagem e até levar a diagnósticos equivocados. “Nem sempre é TDAH. Muitas vezes é o uso excessivo das telas. Elas funcionam como uma droga no cérebro da criança".

Ela afirma que o acompanhamento dos pais é fundamental para estabelecer limites e reduzir o tempo de exposição aos dispositivos eletrônicos.

Saúde mental

Ao comentar a importância do tratamento, Daiana ressaltou que buscar ajuda psicológica não deve ser motivo de vergonha.

Segundo ela, o debate sobre saúde mental tem reduzido preconceitos e incentivado cada vez mais pessoas a procurar acompanhamento profissional. “Mesmo quando existe acompanhamento psiquiátrico, a terapia continua sendo essencial para o autoconhecimento e para alcançar melhores resultados".

Ela também destacou que empresas têm ampliado a atenção ao tema, especialmente após a entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que reforça a necessidade de prevenção dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Prevenção

Durante a entrevista, Daiana explicou que o Seconci-SP desenvolve ações permanentes de orientação junto aos trabalhadores da construção civil por meio dos Diálogos Diários de Segurança (DDS).

Segundo a psicóloga, os encontros abordam temas relacionados à saúde mental, prevenção das dependências e identificação precoce de comportamentos que possam indicar necessidade de acompanhamento especializado. “A ideia é aproximar os trabalhadores do Seconci para que eles busquem ajuda e recebam a orientação adequada. Todos nós estamos suscetíveis ao desenvolvimento de algum tipo de dependência".

 

A entrevista completa você pode acessar pelo LINK:

https://www.youtube.com/watch?v=dNy39BlFwnQ