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Segurança pública

Roubos e furtos caem na região

Estatística da SSP mostra redução de crimes patrimoniais e aumento de homicídios e tentativas

03 de Julho de 2026 às 21:49
João Frizo [email protected]
Prisões ajudaram a diminuir número de roubos e furtos
Prisões ajudaram na redução de roubos e furtos na região de Sorocaba (Crédito: Divulgação / PM)

Os indicadores da criminalidade em Sorocaba e região seguiram trajetórias diferentes nos cinco primeiros meses deste ano. Enquanto os crimes patrimoniais mantiveram a tendência de queda observada desde o ano passado, os crimes contra a vida caminharam em sentido oposto e registraram aumento.

A fotografia revelada pelas estatísticas divulgadas nesta semana pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) mostra um cenário de avanços no combate aos roubos e furtos, mas também evidencia que a violência continua sendo um dos principais desafios das forças de segurança na região.

O levantamento mostra que praticamente todos os principais indicadores criminais apresentaram redução na comparação entre os cinco primeiros meses de 2025 e o mesmo período deste ano. Roubos, roubos de veículos, furtos, furtos de veículos, latrocínios e até os crimes sexuais tiveram diminuição. Em contrapartida, os homicídios dolosos e as tentativas de homicídio aumentaram tanto na região quanto no município de Sorocaba.

Os números reforçam um cenário já observado pelas forças policiais nos últimos meses. De um lado, o trabalho de repressão aos crimes patrimoniais tem conseguido reduzir ocorrências que afetam diretamente o cotidiano da população. De outro, os assassinatos continuam exigindo atuação permanente das equipes de investigação, principalmente em casos relacionados à criminalidade organizada, conflitos interpessoais e disputas envolvendo o tráfico de drogas.

Crimes patrimoniais

Na região de Sorocaba, os roubos passaram de 977 registros entre janeiro e maio de 2025 para 784 neste ano, redução de 19,8%. O recuo foi ainda mais expressivo nos roubos de veículos, que diminuíram de 258 para 186 ocorrências, queda de 27,9%.

Os furtos também permaneceram em retração. Foram 10.887 registros nos cinco primeiros meses do ano passado, contra 10.402 neste ano, redução de 4,5%. Nos furtos de veículos, a queda foi de 9%, passando de 1.373 para 1.249 casos.

Outro indicador que chama a atenção é o latrocínio — roubo seguido de morte. Enquanto sete pessoas perderam a vida nesse tipo de crime entre janeiro e maio de 2025, nenhuma ocorrência foi registrada no mesmo período deste ano.

Para o delegado Rodrigo Ayres, diretor da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba, esse comportamento está diretamente ligado ao fortalecimento das ações integradas das forças de segurança.

Segundo ele, a redução dos índices não é resultado da atuação isolada da Polícia Civil, mas da integração entre Polícia Militar, Guardas Civis Municipais, prefeituras, Receita Federal, Receita Estadual e outros órgãos públicos, além da participação da própria população. "A segurança pública não é um problema apenas da polícia. Nós precisamos do apoio da população e das prefeituras. Esse trabalho integrado acaba refletindo diretamente na redução dos índices criminais", afirma.

De acordo com o delegado, outro fator importante é o aumento da confiança da população nas instituições policiais. "Quando a gente tem resultado, a população passa a acreditar mais na polícia e passa a fornecer mais informações. Isso cria um ciclo virtuoso, porque as denúncias ajudam as investigações e as investigações geram novos resultados", explica.

Violência

Se os crimes patrimoniais apresentaram redução, os dados mostram que a realidade é diferente quando o assunto são os crimes contra a vida.

Na região de Sorocaba, os homicídios dolosos aumentaram de 74 para 85 registros entre janeiro e maio, crescimento de 14,9%. As tentativas de homicídio passaram de 125 para 149 casos, alta de 19,2%.

Em Sorocaba, o avanço foi ainda mais significativo. Os homicídios passaram de 22 para 30 , aumento de 36,4%. Já as tentativas de homicídio cresceram de 26 para 38 registros, alta de 46,2%.

Rodrigo Ayres reconhece que esse é o principal indicador que ainda preocupa as forças de segurança. "O homicídio doloso, de fato, teve um aumento", afirma.

Segundo ele, a resposta da Polícia Civil passa menos pela repressão ostensiva e mais pela capacidade de investigação. "O principal número da Polícia Civil é o número de crimes esclarecidos. O crime infelizmente já aconteceu. O nosso trabalho é identificar quem praticou esse crime, esclarecer os fatos e prender os responsáveis", diz.

Investigações

Para aumentar o índice de esclarecimento dos homicídios, a Deic mantém uma Delegacia de Homicídios com equipes especializadas de plantão durante 24 horas.

Assim que um assassinato é registrado, investigadores seguem imediatamente para o local acompanhados por papiloscopistas responsáveis pela coleta de impressões digitais e outros vestígios.

Segundo Ayres, agir rapidamente é fundamental porque as primeiras horas da investigação costumam ser decisivas. "Muitas vezes as pessoas fornecem informações logo depois do crime. Com o passar do tempo, acabam ficando com medo e deixam de colaborar. Por isso nossa equipe vai imediatamente ao local", explica.

O delegado afirma que a Polícia Civil também ampliou o uso de softwares de inteligência, reconhecimento facial, cruzamento de dados e ferramentas de inteligência artificial para acelerar a identificação dos autores dos crimes.

Esse trabalho, segundo ele, permitiu elevar significativamente os índices de esclarecimento de homicídios na região, inclusive solucionando investigações iniciadas em anos anteriores.

Crimes sexuais

Ao contrário do que ocorreu com os homicídios, os crimes sexuais registraram redução.

Na região de Sorocaba, o número total de estupros caiu de 699 para 668 registros entre janeiro e maio, retração de 4,4%. No município, a redução foi ainda maior, passando de 142 para 104 ocorrências, queda de 26,8%.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que os crimes sexuais continuam sendo tratados como prioridade e destacou que Sorocaba e região apresentaram redução de 19,52% nesses registros no período.

A pasta informou que mantém uma série de ações voltadas à proteção das vítimas, como Delegacias de Defesa da Mulher, Salas DDM Online, Patrulha SP Mulher Segura, Cabine Lilás no Copom e monitoramento eletrônico de agressores.

Segundo a SSP, desde 2023 mais de 56 mil agressores foram presos ou apreendidos em flagrante por violência doméstica em todo o Estado. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano foram mais de 9,1 mil prisões, aumento de 25,5% em relação ao mesmo período de 2025.

Monitoramento

A Secretaria da Segurança Pública informou, em nota enviada ao Cruzeiro do Sul, que acompanha mensalmente os indicadores criminais por meio do Programa SP Vida, ferramenta utilizada para definir o direcionamento do policiamento ostensivo, das investigações e das operações de inteligência.

De acordo com a pasta, as estatísticas servem para redistribuir efetivos, identificar áreas mais sensíveis e intensificar ações de prevenção e repressão sempre que determinado indicador apresenta crescimento.

Para Ayres, o acompanhamento permanente dos dados também permite aperfeiçoar o trabalho das equipes de investigação.

Além dos homicídios, ele afirma que outra preocupação crescente da Polícia Civil são os golpes eletrônicos.

Segundo o delegado, as quadrilhas passaram a atuar de forma organizada, utilizando centrais telefônicas e ferramentas digitais para aplicar fraudes em grande escala. Por isso, ele orienta que toda vítima registre boletim de ocorrência. 'Muitas vezes a gente esclarece um golpe e acaba descobrindo dezenas de outros praticados pelo mesmo grupo criminoso. Por isso é importante registrar a ocorrência', conclui.