Empresas adotam IAs na rotina de trabalho
Tecnologia aumenta a produtividade e agiliza processos, mas exige capacitação para garantir o uso seguro da ferramenta
As Inteligências Artificiais (IAs) estão cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas. Com apenas um clique, elas respondem a perguntas, auxiliam em tarefas e oferecem soluções para diferentes demandas. No ambiente corporativo, essa tecnologia também vem ganhando espaço. No entanto, especialistas alertam que seu uso exige comandos adequados e revisão das informações para garantir resultados confiáveis.
De acordo com o diretor de Transformação Digital da Apter, Tobias Junior, a empresa utiliza ferramentas de inteligência artificial há cerca de dois anos para aumentar a produtividade. Em 2025, decidiu incorporar a tecnologia aos processos de trabalho dos colaboradores. "Hoje, a gente utiliza a IA principalmente nas áreas internas. Então, ela está presente na área tributária, de governança, M&A, processos de valuation, operações financeiras, fiscal, contábil, folha de pagamento. Toda parte de RH e também na área de auditoria", diz.
Segundo Tobias, a implantação foi gradual para evitar resistência e facilitar a adaptação dos funcionários. A empresa promoveu programas de incentivo e treinamentos para que, aos poucos, os colaboradores passassem a utilizar a ferramenta. O resultado, segundo ele, foi o aumento da produtividade e da velocidade na execução das atividades.
A Inteligência Artificial passou a assumir tarefas operacionais, permitindo que os profissionais se dediquem a atividades de maior valor estratégico. "A IA veio para fazer parte do processo. Então hoje, para que todo mundo trabalhe no mesmo padrão, com a mesma qualidade e que a gente consiga ter todos os benefícios da IA, ela foi inserida como parte do nosso processo. Então a gente não teve uma substituição de função, a gente inverteu a pirâmide. A gente está tirando as pessoas de fazer o trabalho operacional para trazer elas para o trabalho mais analítico", afirma.
Para reduzir o risco de erros, a empresa também estabeleceu protocolos de revisão das respostas produzidas pela inteligência artificial. "A gente chama de alucinações no mundo da Inteligência Artificial. Por isso que a gente tem como premissa, inclusive faz parte aqui dos nossos trabalhos e até dos treinamentos, que todo trabalho seja revisado", ressalta.
Embora exista a preocupação de que a tecnologia substitua profissionais, Tobias acredita que ela deve ser vista como uma ferramenta para ampliar a capacidade de trabalho. "Quando o produtor rural passou a usar o trator, quem foi substituído não foi o produtor, mas o cavalo. Então eu pergunto: você quer ser o cavalo ou o produtor? A Inteligência Artificial, quando compreendida e bem utilizada, pode potencializar o seu trabalho, transformar a forma como você atua e trazer mais qualidade e velocidade, permitindo que você se destaque cada vez mais no mercado", completa.
Global Tax Compliance
A Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) concentra importantes indústrias de tecnologia, do setor automotivo e multinacionais de diferentes origens, como japonesa, francesa e alemã, segundo o sócio-diretor da Apter, Anderson Nishiura. "Temos uma concentração riquíssima de indústrias de tecnologia, do ramo automotivo e de grandes multinacionais de origens diversas como japonesa, francesa e alemã", diz.
Diante desse cenário, a Apter promoveu o evento Global Tax Compliance, com o objetivo de discutir os impactos tributários e as novas regras globais que afetam as operações internacionais das empresas. "Debatemos os impactos tributários e as novas regras globais que afetam diretamente essas operações internacionais, exigindo uma adaptação do cenário brasileiro", explica Anderson.
Entre os temas abordados estiveram as diretrizes internacionais de tributação mínima sobre o lucro, alinhadas ao Pilar 2 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que estabelece uma alíquota mínima global de 15%, além das mudanças nas regras de Preços de Transferência (Transfer Pricing), que regulam as operações entre empresas brasileiras e suas matrizes ou subsidiárias no exterior.
Segundo Nishiura, o cenário torna-se ainda mais desafiador diante da instabilidade da economia mundial, marcada por conflitos geopolíticos, mudanças tarifárias e oscilações nos preços de commodities, como o petróleo. Esses fatores impactam diretamente as cadeias logísticas globais e as margens de lucro das empresas.
Além dos temas debatidos durante o evento, o especialista avalia que a principal recomendação para as empresas da região que já atuam ou pretendem expandir seus negócios para o mercado internacional é adotar uma postura estratégica e proativa diante das transformações do cenário tributário global.
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