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Entrevista

Delegada reforça importância da denúncia para combater violência contra mulheres e crianças

Renata Zanin destaca eficácia das medidas protetivas, da tornozeleira eletrônica e alerta para sinais que podem indicar vítimas de agressão

26 de Junho de 2026 às 22:47
João Frizo [email protected]
Delegada faz alerta para sinais que podem indicar vítimas de agressão
Delegada faz alerta para sinais que podem indicar vítimas de agressão (Crédito: Reinaldo Santos)

A violência doméstica e os crimes praticados contra pessoas em situação de vulnerabilidade continuam exigindo atenção da sociedade e das autoridades. Durante entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3, nesta sexta-feira (26), a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba, Renata Zanin, ressaltou que denúncias feitas por familiares, vizinhos e profissionais da rede de proteção são fundamentais para interromper ciclos de violência e salvar vidas. A entrevista ocorreu em meio à repercussão do caso do bebê Miguel, cuja investigação segue sob sigilo judicial.

Segundo a delegada, em razão da decisão da Justiça que decretou sigilo sobre o caso, a Polícia Civil não pode divulgar detalhes da investigação. Ela afirmou apenas que todos os familiares serão ouvidos e que o trabalho prosseguirá até o completo esclarecimento dos fatos. "A investigação continua e todos os familiares serão ouvidos para que possamos chegar à completa elucidação do caso", afirma.

A delegada destacou que crimes praticados contra crianças estão entre os mais impactantes enfrentados pela Delegacia da Mulher. Segundo ela, a vulnerabilidade das vítimas torna esse tipo de ocorrência especialmente delicado. "Se um dia eu deixar de me sensibilizar com crimes como esses, estará na hora de mudar de profissão. São casos extremamente graves e que precisam continuar chocando toda a sociedade", afirma.

Denúncias

Ao comentar o trabalho da Delegacia da Mulher, a delegada reforçou que a maioria dos casos de violência contra crianças acontece dentro do ambiente familiar, o que torna ainda mais importante a participação da comunidade na identificação de possíveis situações de risco.

Segundo Renata, muitas vezes a denúncia parte de vizinhos, profissionais da saúde, professores ou integrantes da rede de proteção, já que dificilmente o próprio agressor ou familiares diretamente envolvidos comunicarão os fatos às autoridades. "Não podemos esperar que a denúncia venha de dentro da residência. Muitas vezes ela é a única oportunidade de salvar uma vida", afirma.

A delegada ressaltou que qualquer pessoa pode procurar os canais oficiais sempre que identificar situações suspeitas envolvendo crianças, mulheres, idosos ou pessoas em condição de vulnerabilidade.

Medidas protetivas

Outro tema abordado foi o crescimento das medidas protetivas concedidas pelo Poder Judiciário para mulheres vítimas de violência doméstica. Segundo Renata, além da decisão judicial, é fundamental garantir mecanismos que permitam resposta rápida quando houver descumprimento da determinação.

Ela destacou a importância do aplicativo e dos dispositivos utilizados para acionar imediatamente as forças de segurança em situações de emergência. "Qualquer mecanismo que garanta rapidez no atendimento é muito bem-vindo. O mais importante é que a vítima receba proteção imediatamente quando houver o descumprimento da medida protetiva", afirma.

Tornozeleira

Durante a entrevista, Renata também defendeu o uso da tornozeleira eletrônica para monitoramento de agressores. Segundo ela, o equipamento representa uma ferramenta importante para o cumprimento das medidas protetivas e fornece provas técnicas em caso de aproximação indevida da vítima.

"Muito eficaz. O sistema permite identificar quando o agressor se aproxima da vítima ou de locais onde ele está proibido de estar. É uma prova técnica de excelente qualidade e praticamente incontestável", afirma.

Para a delegada, o monitoramento eletrônico amplia a segurança das vítimas ao permitir atuação rápida das forças policiais sempre que houver descumprimento das determinações judiciais.

Sinais

A delegada também orientou a população sobre os principais sinais que podem indicar situações de violência. No caso das crianças, ela recomenda atenção para lesões recorrentes, mudanças bruscas de comportamento, isolamento e alterações emocionais.

Segundo Renata, uma criança normalmente ativa que passa a apresentar medo constante, tristeza ou agressividade pode estar vivenciando alguma situação de violência e merece acompanhamento.

No caso das mulheres, ela explica que a violência física muitas vezes é escondida por meio de roupas compridas, maquiagem excessiva ou outros recursos utilizados para ocultar hematomas.

"A mulher precisa, acima de tudo, ser ouvida sem julgamentos. Muitas vezes uma conversa acolhedora é o primeiro passo para que ela consiga reconhecer que está vivendo uma situação de violência", afirma.

Reconhecimento

Ao final da entrevista, Renata também comentou a homenagem recebida recentemente da Câmara Municipal, que lhe concedeu o título de cidadã sorocabana. Emocionada, ela afirmou que o reconhecimento representa também uma responsabilidade ainda maior na continuidade do trabalho desenvolvido na Delegacia de Defesa da Mulher.

"Foi uma honra muito grande. Esse reconhecimento aumenta ainda mais a responsabilidade de continuar trabalhando pela proteção das mulheres, das crianças e das pessoas em situação de vulnerabilidade", afirma.

 

A entrevista completa você pode acessar pelo LINK: https://www.youtube.com/watch?v=4deoamuy3TM