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Alerta

Motociclistas representam 54% das mortes no trânsito em Sorocaba

Expansão acelerada de motos e falhas de comportamento no trânsito ajudam a explicar aumento de acidentes fatais

25 de Junho de 2026 às 23:49
Caroline Mendes [email protected]
 Direção defensiva e respeito às regras são fundamentais
Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 35 mortes no trânsito no município, sendo 19 de motociclistas (Crédito: Fábio Rogério )

Os acidentes envolvendo motocicletas seguem em destaque no trânsito da cidade de Sorocaba. Dados do sistema Infosiga indicam que, entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 35 mortes no trânsito no município, sendo 19 de motociclistas — o equivalente a 54% dos óbitos.

O cenário se torna ainda mais sensível diante do crescimento acelerado da frota. Levantamento baseado em dados de mercado aponta que Sorocaba registrou cerca de 21,6 mil emplacamentos de motocicletas 0 km apenas no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 47% em relação ao mesmo período do ano anterior. A estimativa até maio indica que mais de 36 mil novas motos passaram a circular na cidade.

A expansão do uso de motocicletas é impulsionada por fatores como economia, agilidade no deslocamento urbano e o avanço dos serviços de entrega. No entanto, o aumento da frota também intensifica os desafios de convivência no trânsito e expõe fragilidades na formação e no comportamento dos condutores.

Para a instrutora de autoescola Viviane Melo, muitos acidentes estão ligados a atitudes recorrentes no dia a dia. Segundo ela, os principais erros envolvem "excesso de confiança ao pilotar, não uso de seta, uso incorreto de corredores entre veículos, falha no uso do freio e desrespeito à sinalização, como paradas obrigatórias e semáforos vermelhos". Ela reforça, ainda, dois fatores críticos: "o uso de celular ao pilotar e o excesso de velocidade".

Viviane explica também que o tipo de via influencia diretamente o risco e a gravidade dos acidentes. "Na rodovia, os acidentes são mais graves e até fatais por serem em velocidades maiores. Já no trânsito urbano, o perigo é diferente, porque há mais veículos circulando e ocorrem as 'fechadas' no trânsito. O uso dos corredores e o desrespeito às regras tornam o cenário igualmente perigoso", afirma.

Formação distante das ruas

Outro ponto de atenção, segundo a especialista, está no modelo de formação de novos motociclistas. "O motociclista de primeira habilitação é treinado em circuito fechado, que não tem a mesma experiência ou situações que o trânsito oferece", explica Viviane Melo.

Para ela, a mudança depende também de postura individual: "Deveria pilotar com mais responsabilidade e empatia no trânsito e sempre com direção defensiva, evitando se colocar em risco e evitando acidentes".

Relatos de quem vivencia

Os próprios motociclistas reforçam os riscos diários nas ruas de Sorocaba.

Felipe Antônio de Santos, que trabalha com moto desde 2020, aponta a falta de sinalização como o principal problema. "O que eu vejo é que as pessoas não dão seta. Às vezes entram sem sinalizar e acabam fechando tanto o motoboy quanto os carros. Falta respeito no trânsito", diz.

Ele também avalia que o problema está na convivência. "Se cada um respeitasse o seu lugar, acredito que teria menos acidentes", completa.

Já Edson Guilherme Pereira Júnior destaca a necessidade de mais atenção dos motoristas. "A falta de sinalização dos carros, muitos carros que vão entrar e não dão seta, isso é a maioria dos casos", afirma. Para ele, a convivência exige mais cuidado de todos: "É preciso respeitar mais os motociclistas no trânsito".

O motociclista Dereck Henrique da Silva Lima reforça o mesmo ponto e cita locais de maior risco. "As pessoas ficam fechando a gente no trânsito, no corredor principalmente, na Itavuvu e na Ipanema. Essas são as duas avenidas com mais incidência", relata. Ele defende mais respeito no dia a dia: "quando a gente vem buzinando, a pessoa já deveria ficar atenta e abrir espaço".

Crescimento e desafio

Os dados mostram um cenário em que o aumento de motocicletas em circulação ocorre de forma acelerada, enquanto os índices de acidentes seguem elevados. As motos estão envolvidas em quase metade dos sinistros registrados no período analisado.

Com isso, especialistas alertam que a redução das mortes depende de ações integradas de educação, fiscalização e mudança de comportamento. A direção defensiva, o respeito às regras de trânsito e a atenção constante seguem como principais caminhos para reduzir os acidentes e preservar vidas em Sorocaba.

 

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