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Proteção

Casa da Mulher Brasileira terá investimento de R$ 12 milhões em Sorocaba

Unidade atenderá Sorocaba e outros 48 municípios da região; projeto integra ações de enfrentamento à violência contra a mulher

19 de Junho de 2026 às 12:18
Caroline Mendes [email protected]
"A Casa da Mulher Brasileira organiza a política para as mulheres e integra os serviços de atendimento com a saúde, assistência social, educação, cultura e segurança pública", afirmou a ministra Márcia Lopes (Crédito: Fábio Rogério)

Sorocaba receberá uma unidade da Casa da Mulher Brasileira, equipamento voltado ao atendimento integral de mulheres em situação de violência. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (19), durante visita da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ao município. O investimento federal previsto é de R$ 12 milhões, sendo R$ 9,5 milhões destinados à construção da estrutura e R$ 2,5 milhões para aquisição de equipamentos.

A unidade deverá atender não apenas Sorocaba, mas também outros 48 municípios da região. Segundo a ministra, os terrenos indicados pela administração municipal estão em fase de análise para definição do local que receberá o empreendimento. Após essa etapa, serão iniciados os procedimentos licitatórios e o planejamento operacional do serviço.

“A Casa da Mulher Brasileira organiza a política para as mulheres e integra os serviços de atendimento com a saúde, assistência social, educação, cultura e segurança pública”, afirmou.

A Casa da Mulher Brasileira é um dos principais eixos do Programa Mulher Viver sem Violência, retomado pelo governo federal em 2023. O modelo reúne, em um único espaço, diversos serviços especializados, como acolhimento e triagem, apoio psicossocial, delegacia especializada, Ministério Público, Defensoria Pública, Juizado especializado, alojamento provisório, brinquedoteca para crianças e ações de promoção da autonomia econômica.

O objetivo é facilitar o acesso das vítimas aos serviços de proteção e garantir atendimento humanizado e integrado, reduzindo a necessidade de deslocamentos entre diferentes órgãos.

Pacto contra o feminicídio

Durante o encontro, também foram apresentadas ações do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, iniciativa que reúne Executivo, Legislativo e Judiciário em ações coordenadas para prevenção da violência de gênero e proteção de mulheres e meninas.

Entre os objetivos do pacto estão o fortalecimento das redes de atendimento, a ampliação da efetividade das medidas protetivas, a responsabilização de agressores, o combate à violência digital e a promoção de ações educativas para enfrentar o machismo estrutural e a misoginia.

A ministra destacou que dados acompanhados pelo Ministério da Justiça apontam redução de 11,45% nos casos de feminicídio registrados no país nos meses de abril e maio deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Ela defendeu maior integração entre estados, municípios e o governo federal para aprimorar o monitoramento dos casos e fortalecer a rede de proteção. “Tudo o que a gente não precisa é ver mulheres mortas por serem mulheres. Chega de feminicídio, chega de estupros, chega de qualquer violência contra a mulher”, declarou.

Cultura machista e violência digital

Questionada pelo Cruzeiro do Sul sobre os fatores que continuam alimentando a violência contra as mulheres mesmo diante do avanço das políticas públicas, Márcia Lopes afirmou que o problema tem origem em uma estrutura histórica marcada pelo patriarcado e pela desigualdade de gênero.

Segundo ela, a violência está presente em todas as classes sociais e se manifesta de diferentes formas, incluindo agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais, políticas e digitais.

A ministra também chamou atenção para o crescimento de discursos de ódio e conteúdos misóginos nas redes sociais e em ambientes digitais. “Há uma cultura de que o homem pode mandar nas mulheres. Isso estimula comportamentos de humilhação, ofensa e violência”, afirmou.

Para ela, a superação desse cenário depende não apenas da atuação do poder público, mas também do envolvimento de instituições de ensino, organizações sociais, igrejas, sindicatos e da sociedade como um todo.

Educação e prevenção

A ministra ressaltou ainda a importância da educação como ferramenta de prevenção à violência de gênero. Entre as iniciativas citadas está a implementação da lei conhecida como “Maria da Penha vai à Escola”, que prevê a inclusão de conteúdos sobre direitos das mulheres, igualdade de gênero e enfrentamento à violência nos currículos da educação básica.

Segundo ela, o governo federal também trabalha na ampliação de estruturas de acolhimento para mães estudantes em universidades e institutos federais, por meio da implantação de cuidotecas e núcleos de apoio. “A mudança cultural é responsabilidade de toda a sociedade. Precisamos educar para o respeito, para a igualdade e para a convivência sem violência”, concluiu.