Caso Arthur
Após audiência na Câmara, famílias cobram agilidade para liberação de medicamento contra Duchenne
Mãe de Arthur Jordão integra comissão recebida pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (17)
A mobilização pela liberação do medicamento Elevidys para pacientes com Distrofia Muscular de Duchenne ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (17). Uma comissão formada por familiares de crianças diagnosticadas com a doença foi recebida pelo Ministério da Saúde, em Brasília, para discutir a situação do tratamento, que aguarda definição regulatória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entre os integrantes do grupo está Natália Jordão, mãe de Arthur Jordão, menino de Sorocaba que se tornou símbolo da luta pelo acesso à terapia gênica no Brasil.
Segundo Natália, o encontro busca dar continuidade às discussões realizadas durante a audiência pública promovida na terça-feira (16) pela Câmara dos Deputados. O principal objetivo é obter um compromisso do Ministério da Saúde para que haja maior agilidade no processo de análise do medicamento.
Durante a audiência, ficou definido que a Anvisa e o laboratório Roche, fabricante do Elevidys, terão prazo de dez dias para apresentar uma posição sobre o impasse envolvendo a documentação e os dados dos estudos clínicos do medicamento.
De acordo com as famílias, a agência reguladora aponta a necessidade de informações complementares para dar prosseguimento à análise. Já a farmacêutica sustenta que os dados exigidos já foram apresentados.
Em vídeo divulgado nas redes sociais após a audiência, Natália afirmou que o encontro foi marcado por muita emoção e destacou a expectativa em torno do prazo estabelecido. "Ficou acordado que a Anvisa e a Roche têm dez dias para entrar em um acordo sobre alguma coisa que, segundo a Anvisa, falta, e segundo a Roche, não falta”, afirmou.
A comercialização e o processo de avaliação do Elevidys no Brasil estão suspensos há quase um ano. As famílias defendem que a definição ocorra o mais rápido possível, argumentando que a progressão da doença reduz as chances de benefício do tratamento para as crianças que aguardam acesso à terapia.
A expectativa agora é que, ao fim do prazo estabelecido durante a audiência pública, Anvisa e Roche apresentem os próximos passos para a eventual liberação do medicamento no país.