Desidratação
Menina de 8 anos morre aguardando vaga de UTI pediátrica em Sorocaba
Vítima deu entrada na UPH Zona Leste na segunda-feira, mas já havia recebido atendimento duas vezes em Araçoiaba da Serra
Uma menina de 8 anos morreu na segunda-feira (15) na Unidade Pré-Hospitalar (UPH) Zona Leste, em Sorocaba, enquanto aguardava transferência para um leito de UTI pediátrica. A criança apresentava um quadro grave de desidratação e era portadora de cardiopatia.
De acordo com a Santa Casa de Sorocaba, responsável pela gestão da unidade, a menina deu entrada na UPH em estado gravíssimo, com severa desidratação causada por um quadro intenso de diarreia.
Ainda segundo a instituição, a mãe informou à equipe médica que a criança já havia recebido atendimento em Araçoiaba da Serra, município onde a família reside. Diante da gravidade do caso, os profissionais iniciaram imediatamente os protocolos de estabilização clínica e solicitaram, por meio do sistema SIRESP/CROSS Estadual, uma transferência emergencial para um leito de UTI pediátrica.
No entanto, segundo a Santa Casa, não havia vaga disponível na rede referenciada. A regulação e autorização desses leitos são de responsabilidade do Governo do Estado.
Em nota, a instituição lamentou a morte da criança. “Neste momento de profunda tristeza, a UPH Zona Leste e a Santa Casa de Sorocaba se solidarizam com os familiares e amigos da pequena Lívia, reforçando seu respeito à dor da família e sua confiança no trabalho técnico e humano realizado pelas equipes assistenciais da unidade”, declarou.
A Secretaria da Saúde de Sorocaba (SES) informou que a solicitação de vaga foi feita com prioridade máxima, mas a paciente não resistiu. “A Prefeitura se coloca à disposição da família para prestar todo o apoio e os esclarecimentos necessários”, afirmou a pasta.
Prefeitura de Araçoiaba da Serra se manifesta
Questionada pelo Cruzeiro do Sul, a Secretaria de Saúde de Araçoiaba da Serra informou que a menina foi atendida no Pronto Atendimento Municipal na tarde de domingo (14), apresentando sintomas compatíveis com gastroenterocolite aguda.
Segundo a administração municipal, após a classificação de risco, a paciente passou por avaliação médica, recebeu medicação intravenosa, hidratação venosa e permaneceu em observação clínica. Com a melhora do quadro, foi liberada com prescrição médica e orientações para acompanhamento.
Ainda conforme a prefeitura, a criança retornou à unidade no mesmo dia, durante a noite, com queixas semelhantes. Na ocasião, recebeu nova avaliação, medicação, hidratação venosa e reforço das orientações para hidratação domiciliar, além da recomendação de retorno imediato em caso de agravamento dos sintomas. “Todos os atendimentos foram realizados dentro dos protocolos assistenciais vigentes, com registro em prontuário, avaliação médica, administração de medicamentos, monitoramento clínico e orientações à família, permanecendo à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos adicionais”, informou a prefeitura.
A administração municipal também manifestou pesar pela morte da menina. “A Prefeitura de Araçoiaba da Serra lamenta o ocorrido, manifesta seus votos de pesar aos familiares e amigos e se coloca à disposição para mais detalhes e esclarecimentos”, concluiu.
Estado diz que transferência para o CHS foi autorizada
Procurada pelo Cruzeiro do Sul, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), informou que a paciente L.A.S.G. foi inserida na regulação estadual na tarde de segunda-feira (15) e que a transferência para o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) foi autorizada cerca de duas horas depois.
Em nota, a Cross lamentou a morte da criança e esclareceu que atua como intermediária entre as unidades de origem e os hospitais de referência, funcionando ininterruptamente, 24 horas por dia, na busca por vagas hospitalares compatíveis com as necessidades de cada paciente.
Segundo o órgão, a procura por leitos leva em consideração a disponibilidade de vagas e a capacidade técnica das unidades de saúde, sejam elas municipais, estaduais ou filantrópicas.
A Central também informou que todos os casos inseridos no sistema de regulação são encaminhados às unidades de referência correspondentes, cabendo à Cross realizar a busca ativa por vagas na rede assistencial conforme a classificação de risco e a gravidade do quadro clínico. A atualização das informações médicas do paciente durante o processo regulatório é de responsabilidade da unidade de origem.