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Saúde

Casos de infarto atingem pessoas cada vez mais jovens

Sedentarismo, má alimentação, uso de drogas, doenças silenciosas e predisposição genética estão entre os fatores associados ao aumento dos casos

13 de Junho de 2026 às 19:35
Thaís Verderamis [email protected]
Manter uma rotina de exercícios é uma das 
recomendações para reduzir o risco de infarto
Manter uma rotina de exercícios é uma das recomendações para reduzir o risco de infarto (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

Tradicionalmente associado a pessoas mais velhas, o infarto tem sido registrado com frequência crescente entre indivíduos com menos de 40 anos. Dados do Ministério da Saúde compilados pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) mostram que as internações por infarto nessa faixa etária aumentaram 150% entre 2000 e 2024, passando de dois para cinco casos a cada 100 mil habitantes.

O infarto ocorre quando há interrupção ou redução significativa do fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco, geralmente em razão da obstrução de uma artéria coronária. Os motivos para o aumento dos casos entre os mais jovens podem ser diversos.

A cardiologista Beatriz Matheuz Zamuner, do Hospital Evangélico, explica que há quatro principais fatores que podem levar ao infarto em pessoas mais jovens: estilo de vida, uso de drogas, doenças silenciosas e predisposição genética.

Atualmente, muitas pessoas trabalham por mais de oito horas por dia, alimentam-se de forma prática e adotam hábitos que podem cobrar um preço a médio e longo prazo. "O sedentarismo, a gente vê muitas pessoas trabalhando 12 horas ao dia sem tempo para fazer atividade física. Alimentação ruim, focada em comidas rápidas e ultraprocessadas. O que os nutricionistas falam muito é que as pessoas desembalam muito e descascam pouco. Então, a obesidade, que tem crescido muito, o estresse crônico, tudo isso contribui para um estilo de vida que pode levar ao infarto", afirma a médica.

Outro ponto mencionado é o uso de substâncias lícitas e ilícitas. "Os hábitos modernos incluem o cigarro, que ainda é muito comum. Houve a mudança para o vape, que é um vilão, porque as pessoas acham que estão fumando menos, mas a carga tabágica do vape é muito mais alta que a do cigarro. Outros fatores de risco são a cocaína e o uso de energéticos misturados com álcool", explica a especialista.

Também merecem atenção doenças silenciosas como hipertensão, colesterol elevado, resistência à insulina, síndrome metabólica e o histórico familiar.

Sintomas

Já é de conhecimento popular que os principais sintomas do infarto incluem dor ou pressão no peito, irradiação da dor para o braço esquerdo ou para as costas, falta de ar e suor frio. No entanto, em pessoas mais jovens, os sinais podem se apresentar de forma diferente. "No jovem, o sintoma pode ser diferente, pode ser atípico. Então, o infarto pode enganar. Não é sempre aquela dor clássica. Pode surgir uma náusea, uma dor de estômago, um cansaço inexplicado que antes não existia ou uma tontura diferente", explica a cardiologista.

Como há variações nos sintomas, a especialista orienta que qualquer alteração incomum deve ser avaliada por um médico.

Alerta

A prática de exercícios físicos está em alta, mas a busca por resultados estéticos rápidos leva algumas pessoas ao uso de esteroides anabolizantes. A cardiologista faz um alerta sobre os riscos dessas substâncias. "Um sinal de alerta que eu gostaria de deixar é o uso muito frequente dos esteroides anabolizantes. Temos recebido muitos pacientes que utilizam esses produtos por conta própria, com fins estéticos, e temos observado casos de infarto nesse grupo", afirma.

O uso constante de anabolizantes pode provocar alterações no colesterol, aumento da pressão arterial, espessamento do sangue, sobrecarga cardíaca e aumento da inflamação dos vasos sanguíneos, fatores que elevam o risco de infarto.

Segundo o profissional de Educação Física Stefano Pilon, especialista em exercícios voltados ao controle glicêmico, à resistência à insulina e ao diabetes tipo 2, a recomendação dessas substâncias não faz parte da atuação da categoria."Profissionais de educação física não indicam anabolizantes. A prescrição, quando necessária, deve ser feita por um médico especialista, como um endocrinologista, com avaliação e exames adequados", explica.

O especialista ressalta que essas substâncias costumam ser vistas como uma solução rápida para resultados estéticos, mas podem trazer riscos e efeitos colaterais capazes de sobrecarregar o organismo sem necessidade ou acompanhamento adequado.

A forma mais segura de alcançar resultados continua sendo a combinação entre atividade física e alimentação equilibrada. "Pessoas saudáveis não precisam utilizar essas substâncias. É mais seguro focar em treino, alimentação e orientação profissional", afirma.

Exercício e saúde

A prática regular de exercícios físicos e a alimentação saudável são formas eficazes de manter a saúde e prevenir diversas doenças.

Segundo o personal trainer Rodrigo Nogueira de Carvalho, a atividade física traz benefícios importantes ao sistema cardiovascular. "O exercício físico traz inúmeros benefícios para a saúde do ponto de vista cardiovascular. Controla a pressão arterial, reduz o LDL, conhecido como colesterol ruim, eleva o HDL, o bom colesterol, melhora a circulação sanguínea e diminui os riscos de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto", explica.

Rodrigo destaca ainda outros benefícios, como ganho de massa muscular, aumento do gasto calórico, redução da gordura corporal, melhora da sensibilidade à insulina, aumento da densidade óssea, controle dos níveis de glicose no sangue, redução da insônia e auxílio no combate à depressão.

Mesmo para pessoas com doenças cardiovasculares, a prática de exercícios continua sendo recomendada, desde que com acompanhamento adequado.

De acordo com Stefano Pilon, "o exercício é recomendado. O ideal é combinar caminhada e musculação, pois ambos trazem benefícios ao coração. A caminhada pode ser praticada diariamente, enquanto a musculação pode ser realizada de duas a três vezes por semana. Sempre com orientação profissional e liberação médica".