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Habitação

Mercado imobiliário mantém ritmo de vendas e Sorocaba se destaca

Volume fica atrás apenas de mercados como Campinas, Grande ABC e Região Metropolitana de São Paulo

10 de Junho de 2026 às 22:16
João Frizo [email protected]
Metade das moradias são fruto do Programa MInha Casa Minha Vida
Metade das moradias são fruto do Programa MInha Casa Minha Vida (Crédito: DIVULGAÇÃO)

Quase dois em cada três imóveis vendidos na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) no primeiro trimestre de 2026 foram adquiridos por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. Levantamento divulgadopelo Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) aponta que 1.557 unidades foram comercializadas entre janeiro e março, das quais 978 estavam enquadradas no programa federal.

O resultado colocou a região entre os destaques estaduais do segmento habitacional, ao lado de Campinas, e evidenciou a força da demanda mesmo em um ambiente de juros elevados e custos crescentes para a construção civil. A pesquisa considera Sorocaba, Itu e Votorantim, mas aproximadamente 90% das unidades ofertadas estão em Sorocaba. Além das vendas, a região contabilizou 1.028 lançamentos no período, sendo metade deles voltados ao Minha Casa.

Os números fazem parte de um levantamento realizado em 42 cidades do interior, da Baixada Santista e da Região Metropolitana de São Paulo. No conjunto das regiões analisadas, as vendas cresceram 7,9% no primeiro trimestre, enquanto os lançamentos recuaram 15%, indicando que a procura por imóveis continua aquecida apesar da maior cautela dos incorporadores.

Segundo Júlio Casas, diretor regional do Secovi- SP, a combinação entre demanda consistente e produtos adequados à realidade financeira da população ajuda a explicar o desempenho local. “O desempenho de Sorocaba no Minha Casa é reflexo de uma combinação entre forte demanda local e a adequação do produto ao bolso do consumidor”, afirma.

Destaque regional

No primeiro trimestre, a região de Sorocaba respondeu por 8,3% de todas as unidades comercializadas entre as 42 cidades pesquisadas. O volume coloca Sorocaba atrás apenas de mercados tradicionalmente fortes, como Campinas, Grande ABC e Região Metropolitana de São Paulo. Além das vendas, a região registrou o lançamento de 1.028 unidades nos três primeiros meses do ano. Desse total, cerca de metade estava vinculada ao Minha Casa.

O desempenho chama atenção porque ocorre em um momento de desaceleração dos lançamentos em boa parte do Estado. Para Casas, o mercado local tem demonstrado maturidade ao equilibrar oferta e demanda. “Enquanto a média das 42 cidades pesquisadas indicou uma postura mais conservadora dos incorporadores neste início de ano devido ao cenário macroeconômico, Sorocaba se descola dessa tendência operando com resiliência”, observa.

Segundo ele, muitas empresas optaram por priorizar a venda dos empreendimentos já disponíveis em vez de acelerar novos lançamentos, estratégia que ajudou a manter o equilíbrio do mercado.

Estoque saudável

Outro indicador considerado positivo pelo setor é o nível de estoque disponível. De acordo com o Secovi- SP, o volume atual representa cerca de nove meses de vendas, patamar considerado saudável para o mercado imobiliário.

O indicador afasta, ao menos neste m o m e n t o , preocupações relacionadas a uma eventual sobreoferta de imóveis e demonstra que os empreendimentos lançados continuam encontrando compradores.

Os dados também revelam características do mercado local. O valor médio dos imóveis verticais na região está próximo de R$ 553 mil, enquanto as unidades do Minha Casa apresentam valor médio de aproximadamente R$ 254 mil.

Em relação ao tamanho dos imóveis, os empreendimentos verticais possuem área privativa média de 59 metros quadrados. Já as unidades do programa habitacional têm média de 43 metros quadrados, refletindo uma tendência observada em diversas cidades do Estado: projetos mais compactos e voltados à busca por maior acessibilidade financeira.

Procura aquecida

Apesar do impacto dos juros sobre o financiamento imobiliário, a demanda continua forte. Levantamento de intenção de compra realizado pela Brain Inteligência Estratégica, parceira do Secovi- SP na pesquisa, mostra que 35% dos entrevistados pretendem adquirir um imóvel nos próximos meses.

Além disso, 51% afirmaram manter interesse ativo na compra, seja pesquisando imóveis, visitando estandes ou planejando iniciar a busca por uma propriedade. Para o diretor regional do Secovi-SP, os números indicam que o imóvel segue sendo visto como uma das principais formas de investimento e proteção patrimonial. “O imóvel continua sendo visto como porto seguro para proteção de patrimônio e moradia”, destaca. Segundo Júlio Casas, o Minha Casa continua liderando o volume de transações devido aos subsídios e às condições de financiamento oferecidas pelo programa federal. Ao mesmo tempo, Sorocaba mantém força nos segmentos de médio e alto padrão, especialmente em condomínios fechados e empreendimentos verticais de maior valor agregado, principalmente na zona sul da cidade. “O mercado local tem duas forças. O Minha Casa garante o volume de unidades vendidas, enquanto os empreendimentos de médio e alto padrão sustentam o Valor Geral de Vendas da região”, explica.

Desafios

Se a demanda permanece aquecida, os custos de produção seguem preocupando o setor. O aumento dos preços dos materiais de construção e a dificuldade de contratação de mão de obra qualificada são apontados como os principais desafios enfrentados atualmente pelas construtoras. Para enfrentar esse cenário, o mercado tem investido em projetos mais eficientes e em soluções capazes de reduzir custos sem comprometer a qualidade dos empreendimentos. “O desafio em Sorocaba é continuar inovando em processos industrializados de construção para reduzir a dependência de mão de obra tradicional no canteiro”, afirma Casas.

Perspectiva

A expectativa do Secovi- SP para os próximos meses é de crescimento gradual. A entidade avalia que muitas empresas que seguraram lançamentos no início do ano deverão colocar novos projetos no mercado ao longo do segundo semestre, impulsionadas pela manutenção da demanda e pela possibilidade de melhora das condições de crédito. A projeção é que Sorocaba encerre 2026 consolidada entre os principais mercados imobiliários do interior paulista.