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Processo

Família de vidraceiro espera resposta um ano após sua morte

Policial militar move ação contra pai da vítima, por manifestações nas redes sociais

09 de Junho de 2026 às 21:23
Caroline Mendes [email protected]
Anderson foi morto em abordagem policial
Anderson foi morto em abordagem policial (Crédito: ARQUIVO DA FAMÍLIA)

Mais de um ano após a morte do vidraceiro Anderson Queiroz Camargo, de 28 anos, em uma abordagem policial em Votorantim, a família afirma continuar sem respostas sobre as circunstâncias do caso. O episódio ocorreu em janeiro de 2025, na Vila Dominguinho, e segue sob investigação da Polícia Civil.

Anderson dirigia um carro, teria recusado uma ordem de parar o veículo e foi baleado, batendo na sequência em uma árvore.

Na semana passada, a família enfrentou mais um desdobramento judicial relacionado ao caso. O pai da vítima, Ronaldo Camargo, participou de uma audiência de conciliação em ação movida por um dos policiais militares envolvidos na ocorrência. Segundo ele, o processo foi motivado por manifestações e desabafos publicados nas redes sociais após a morte do filho.

Para Ronaldo, a principal reivindicação da família continua sendo o esclarecimento dos fatos. “A resposta que buscamos é só a verdade”, afirma. Ele questiona informações registradas no boletim de ocorrência e aponta o que considera inconsistências na investigação e nos trabalhos periciais realizados após a morte de Anderson.

“Há mais de um ano buscamos esclarecimentos e até agora nada. A Polícia Militar nunca nos chamou para dar alguma resposta. Dizem que as investigações deles foram encerradas, mas nós seguimos aguardando o trabalho da Polícia Civil”, declarou.

Após a audiência, Ronaldo informou que não houve acordo entre as partes. “Foi uma tentativa de conciliação, mas não tem como haver conciliação. Não tem lógica um negócio desses”, afirmou. Segundo ele, a família pretende recorrer dentro do prazo legal. “Agora vamos recorrer. Temos 15 dias para entrar com requerimento e vamos ver o que vai acontecer”, disse.

O pai relata que a demora na conclusão do caso agrava o sofrimento da família. Segundo ele, a perda provocou impactos emocionais profundos. “Nossa vida nunca será a mesma. Sentimos muita falta dele. Tudo o que fazemos nos lembra o Anderson. Eu já não consigo trabalhar direito e minha esposa e eu fazemos acompanhamento psiquiátrico”, relatou.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) informou que o caso é apurado por meio de inquérito policial instaurado na delegacia de Votorantim.

Em nota, a pasta respondeu que as investigações seguem em andamento e aguardam a conclusão dos laudos periciais, considerados fundamentais para o esclarecimento das circunstâncias dos fatos. A SSP acrescentou que equipes da Polícia Civil continuam realizando diligências, oitivas e demais procedimentos para reunir elementos probatórios, identificar eventuais responsabilidades e adotar as medidas cabíveis.

“A Polícia Civil prossegue com as apurações até o total esclarecimento dos fatos”, informou a secretaria.

A reportagem também tentou falar com o policial militar autor da ação judicial contra o pai da vítima, mas não conseguiu contato. O espaço permanece aberto para manifestação.