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Transplantes

Doação de órgãos avança em SP, mas fila por córneas cresce

Estado registrou aumento de 33,2% no número de doadores em 2025; recusa familiar ainda é um dos principais entraves para ampliar os transplantes

04 de Junho de 2026 às 21:13
Caroline Mendes [email protected]
Apesar do aumento no número de doadores e transplantes em São Paulo,
a fila para transplante de córnea ainda cresce e desafia o sistema de saúde
Apesar do aumento no número de doadores e transplantes em São Paulo, a fila para transplante de córnea ainda cresce e desafia o sistema de saúde (Crédito: DIVULGAÇÃO)

O número de doadores de órgãos em São Paulo cresceu 33,2% em 2025, passando de 1.023 para 1.363 doadores, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). O aumento também se refletiu no total de transplantes realizados no Estado, que chegou a 8.875 procedimentos no ano passado, 564 a mais do que em 2024. Apesar do avanço, a fila de espera continua elevada, especialmente para transplantes de córnea, que seguem entre os mais realizados em território paulista.

De acordo com a SES, atualmente cerca de 28,9 mil pessoas aguardam um transplante no Estado. Somente entre janeiro e abril deste ano foram realizados 2.940 procedimentos. Entre os transplantes efetuados em 2025, o destaque foi para as córneas, com 5.886 cirurgias realizadas, além de rins, fígados, corações, pulmões e pâncreas.

Em Sorocaba, o papel do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) é considerado estratégico dentro da rede transplantadora paulista. Segundo o superintendente da instituição, Edil Vidal de Souza, o BOS é atualmente o maior banco de olhos do Brasil e um dos maiores do mundo, sendo responsável por grande parte das córneas distribuídas no Estado de São Paulo.

A instituição realizou 2.911 transplantes de córnea em 2025 e registrou crescimento em relação ao ano anterior. Ainda assim, a demanda segue superior à oferta de tecidos disponíveis. “A fila de espera para transplante de córnea aumentou nos últimos anos no Brasil, principalmente devido à demanda crescente e aos desafios relacionados à doação de tecidos”, afirmou Edil.

Os pacientes que mais aguardam pelo procedimento são aqueles diagnosticados com doenças degenerativas da córnea, como ceratocone e distrofias corneanas, além de pessoas com cicatrizes provocadas por infecções, traumas oculares ou complicações cirúrgicas.

Autorização familiar

Embora São Paulo tenha registrado redução na recusa familiar em 2025 — queda de 1,3 ponto percentual, segundo a SES —, o tema ainda é considerado um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes.

“O principal obstáculo continua sendo a autorização familiar. Muitas famílias têm dúvidas sobre o procedimento, desconhecem o desejo do falecido de ser doador ou possuem receios relacionados à aparência do corpo após a doação”, explicou Edil.

Para tentar ampliar a conscientização, o BOS mantém a campanha “Quem Ama, Doa”, que busca incentivar o diálogo entre familiares sobre a intenção de doar órgãos e tecidos.

Segundo a Secretaria da Saúde, o processo de doação começa após a confirmação da morte encefálica do paciente. A equipe hospitalar comunica a Central de Transplantes, enquanto profissionais especializados realizam a abordagem da família para solicitar autorização. Após o consentimento, exames avaliam a viabilidade dos órgãos e tecidos que poderão ser transplantados.

No caso das córneas, a compatibilidade entre doador e receptor não costuma ser um problema significativo. Isso porque o tecido não possui vasos sanguíneos, o que reduz a necessidade de compatibilidade imunológica. Para o superintendente do BOS, o principal desafio está em ampliar o número de doações efetivas e fortalecer as estruturas de captação.

Rede de captação

O Banco de Olhos de Sorocaba mantém equipes de captação em diferentes regiões paulistas, incluindo Sorocaba, Campinas, Piracicaba, Jundiaí, Vale do Paraíba, capital paulista, Região Metropolitana de São Paulo e Baixada Santista.

Após a retirada, as córneas passam por uma rigorosa avaliação de qualidade antes de serem encaminhadas à Central de Transplantes, responsável pela distribuição aos pacientes cadastrados no sistema estadual.

A SES destaca que os critérios para distribuição dos órgãos seguem regras previstas em lei, considerando fatores como tipo sanguíneo, compatibilidade, tempo de espera, condições clínicas e prioridade para casos graves. Crianças e adolescentes também possuem prioridade em determinadas situações.

Transporte aéreo

Entre as ações implantadas pelo Governo do Estado para agilizar os transplantes está o programa TransplantAR Aviação Solidária, criado em setembro de 2024. A iniciativa permite que proprietários de aeronaves privadas doem horas de voo para auxiliar no transporte de equipes médicas e órgãos.

Desde sua criação, o programa já realizou 106 voos e contribuiu para a captação de 99 órgãos. A rapidez é considerada essencial, principalmente para transplantes de coração e pulmão, que precisam ocorrer em até quatro horas após a captação.

 

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