Meio Ambiente
Obras no Itanguá e Marginal Direita motivam protesto
Moradores, ambientalistas e lideranças políticas cobram mais transparência, novos estudos de viabilidade e alternativas que reduzam os impactos ambientais dos projetos
Moradores dos bairros Central Parque e Villa dos Inglezes, juntamente com ativistas ambientais, realizaram uma manifestação na manhã deste sábado (30), contra o avanço das obras no Córrego Itanguá e o início das intervenções previstas para a Marginal Direita. A concentração ocorreu na rua Carlos David Oetterer de Almeida, em frente ao Residencial Villa dos Inglezes, de onde os participantes seguiram em caminhada até a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), carregando cartazes e bandeiras.
Além de protestar contra os impactos ambientais das obras, os manifestantes reivindicaram mais transparência por parte do poder público, a realização de novos estudos de viabilidade e a adoção de alternativas que priorizem a preservação ambiental e a proteção da fauna e da flora do município.
De acordo com a engenheira ambiental e integrante do movimento Justiça Climática, Bárbara Virgili da Costa, falta comunicação entre a prefeitura e a população afetada pelas intervenções. “A principal questão é o desmatamento que está acontecendo e que ainda vai acontecer em ambas as obras. Na Marginal Direita, as intervenções ainda não começaram, mas atingirão um importante trecho de mata ciliar do Rio Sorocaba. O mesmo já está acontecendo na Marginal Itanguá. Estamos aqui como sociedade civil organizada, conscientes dos impactos dessas obras e pedindo que haja um espaço de diálogo, comunicação e transparência, o que não está acontecendo”, justifica.
Ainda segundo a engenheira, as obras da Marginal Itanguá foram iniciadas sem que muitos moradores da região tivessem conhecimento do projeto. Ela afirma que não foram apresentados detalhes sobre o plano completo da intervenção, os estudos realizados, as alternativas avaliadas ou formas de participação efetiva da comunidade nas decisões relacionadas ao futuro do bairro e da cidade.
Bárbara também destacou que os impactos do desmatamento são irreversíveis. “Estamos reunidos justamente para chamar a atenção para os impactos dessas duas obras e para que a população seja ouvida. Infelizmente, depois que uma área é desmatada, não há volta. Pode até haver compensação ambiental em outro local, mas nunca será a mesma coisa”, ressalta.
A psicóloga Jessica Wandenkolk, moradora do Central Parque, afirmou que buscou informações sobre as obras e identificou possíveis irregularidades no processo. “A obra do Córrego Itanguá precisa ser paralisada porque, da forma como está sendo conduzida, não pode continuar. No Central Parque, solicitei acesso aos autos do processo e pude verificar que a prefeitura autorizou a obra mediante algumas condições. Nenhuma delas foi cumprida.”
Conforme Jessica, uma das exigências para o início das intervenções era a realização do manejo da fauna e da flora da área afetada. “Não houve manejo da fauna nem da flora. A área do Central Parque sequer foi monitorada adequadamente e não houve laudos. São informações que fomos descobrindo ao longo do tempo.”
A moradora relatou ainda ter acompanhado de perto os impactos provocados pelas obras. “As máquinas simplesmente entraram na área e os macacos foram todos para dentro do bairro. Tivemos animais entrando nas casas, andando desorientados pelos fios. Muitas árvores que poderiam ter sido transplantadas para outros locais foram simplesmente derrubadas”, conta.
Jessica também questionou a classificação da vegetação local. Segundo ela, embora a Prefeitura de Sorocaba tenha identificado diversas árvores como leucenas -- espécie considerada invasora --, há também um número significativo de espécies nativas na área afetada.
A Prefeitura de Sorocaba foi procurada para se posicionar a respeito dos protestos, mas ainda não se manifestou.