Meio Ambiente
Manifestação protesta contra início das obras da Marginal Direita
O início estava previsto para esta quinta-feira (14)
Um grupo formado por ambientalistas, membros de grupos a favor do meio ambiente e interessados da população se reuniu na rua Saliba Mota, no bairro Além Ponte, das 7h às 10h desta quinta-feira (14), contra a obra da Marginal Direita que estava prevista para início nesta data e horário.
A reportagem do Cruzeiro do Sul esteve no local por volta das 8h30. Agentes de trânsito isolaram a área, mas ainda não havia movimentação de equipes dando início às obras. Os manifestantes se reuniram próximo ao isolamento de forma pacífica, com cartazes e megafone solicitando a suspensão da obra.
Segundo o membro do movimento Justiça Climática SOS Rio Sorocaba e Evolução Sustentável Rafael Franco, “nós estamos aqui pela notícia de que iam começar as obras de drenagem da água, pensamos que teria a possibilidade de já trazerem as máquinas escavadeiras, então já marcamos no mesmo horário”, explica. No entanto, segundo ele, a equipe estava apenas realizando marcações.
A coordenadora do núcleo de Comunicação e Relações Públicas do Comitê do Justiça Climática Míriam Bonora afirmou que o Ministério Público (MP) precisa fiscalizar o cumprimento do acordo feito por eles com a Prefeitura de Sorocaba. “Eles que fizeram o acordo, eles que têm que verificar se o acordo está sendo cumprido ou não e acionar a Justiça”, afirma.
A obra tem preocupado e mobilizado a população. A professora Beatriz Amorim Bocolli é contra mexer no parque e na mata ciliar do rio Sorocaba. “Não deveria existir nem a ideia e é perigoso porque nós temos um histórico de alagamento aqui na cidade e asfaltar. No parque tem muita nascente, você enterrar isso, vai piorar as enchentes e piorar a qualidade do ar, do abafamento, que já é bem difícil no calor, são vários problemas climáticos que vão piorar”, explica.
Para o tatuador Lucas Aguiar, a obra vai causar impactos a curto, médio e longo prazo e é preciso avaliar como a cidade quer evoluir em relação ao meio ambiente. “Essa Marginal Direita é um absurdo, essa obra não deveria nem existir. É justificada em cima de um projeto que foi muito tempo atrás e hoje em dia mudou completamente o clima, as coisas. Eu acho que não é um projeto que vai ajudar, de fato, o trânsito”, conta.
Em relação a compensação ambiental, discutida entre o Ministério Público (MP) e a prefeitura, Lucas acredita que não é possível compensar. “Não se mata a mata ciliar, porque não tem como compensar isso. Eles dizem que vai ter uma compensação, mas plantar árvores em outro lugar não vai substituir as árvores que tem aqui, que são muitas espécies nativas. No Parque Linear, que foi inaugurado há pouco tempo, foram encontradas espécies nativas de abelhas, roedores, esse habitat dessas espécies que estão lá não vão ser repostos, não existe isso. E não se constroi do lado de rio”, afirma.
Já para o professor e ativista contra a Marginal Direita Eduardo Martins do Prado, a obra envolve mais do que questões ambientais, ou a melhoria do tráfego. “A intenção não é favorecer o tráfico. A intenção é favorecer os lotes lindeiros à floresta, porque não é só fazer a destruição da floresta onde vai passar a avenida, todos os lotes que tem a floresta de frente vão construir. A destruição será três vezes maior”, afirma.
Ainda de acordo com ele, há estudos que comprovam que há uma floresta em regeneração no local, com nascentes, espécies nativas, que contra indicam qualquer tipo de manejo de máquinas, ou até mesmo de execução da obra.
A vereadora Iara Bernardi (PT) também compareceu à manifestação, segundo ela, parte da população ainda não sabe o que está acontecendo. “Tem uma parcela significativa da população que não sabe o que é a Marginal Direita, o quanto de destruição vai trazer e é uma proposta antiga, de 20, 30 anos”, afirma. A parlamentar também cita o alteamento da avenida Doutor Afonso Vergueiro, que não obteve sucesso. “O alteamento da Afonso Vergueiro que foi feito, não durou 20 anos e foi feita dizendo-se no governo Lippi que iria resolver o problema dos alagamentos e inundações”.
Por fim, Iara afirma ser contra a obra. “Essa Marginal Direita é altamente destrutiva para a área de preservação ambiental, área de preservação permanente de Sorocaba que nós deveríamos estar protegendo e não destruindo”, afirma.
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