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Preocupação

Moradores relatam cheiro forte na zona leste de Sorocaba

Órgãos públicos apuram origem de odor percebido durante a noite e madrugada

13 de Maio de 2026 às 22:39
João Frizo [email protected]
Relatos sobre cheiro semelhante a plástico ou fio queimado se concentraram em bairros próximos ao Córrego Lava-Pés nos últimos dias
Relatos sobre cheiro semelhante a plástico ou fio queimado se concentraram em bairros próximos ao Córrego Lava-Pés nos últimos dias (Crédito: REINALDO SANTOS)

Moradores da zona leste de Sorocaba relatam, nos últimos dias, um forte odor percebido principalmente durante a noite e a madrugada em diferentes pontos da região. O caso tem gerado preocupação entre a população, mobilizado discussões em grupos de moradores e levado órgãos públicos a iniciarem apurações para identificar a origem do cheiro.

Os relatos se concentram principalmente nos bairros Jardim Prestes de Barros e Vila Hortência, especialmente em áreas próximas ao Córrego Lava-Pés e à avenida Nogueira Padilha. Moradores descrevem o odor como semelhante a plástico queimado, fio queimado e até produto químico.

Com o aumento das reclamações, moradores passaram a se organizar por meio de grupos de mensagens para compartilhar relatos, identificar os horários em que o odor aparece com maior intensidade e cobrar providências dos órgãos responsáveis.

Casos

O trabalhador do setor de obras Tiago Muraro afirma que percebeu o cheiro pela primeira vez na noite de terça-feira (12), por volta das 20h. Segundo ele, o odor chamou atenção não apenas pela intensidade, mas também pela sensação de estar espalhado por toda a região.

Inicialmente, o morador acreditou que o problema pudesse estar relacionado à própria casa ou a algum vizinho. No entanto, ao sair para a rua, percebeu que o cheiro permanecia forte em diferentes pontos do bairro. “Como eu saí para a rua, o cheiro estava acompanhando. Parecia que era no ar mesmo”, relata.

Tiago descreve o odor como semelhante a “fio queimado”, porém mais intenso do que um cheiro comum percebido em situações do dia a dia. Ele afirma que o problema foi mais perceptível no início da noite e seguiu ao longo da madrugada.

O morador relata ainda que sentiu um leve desconforto respiratório enquanto o odor estava mais forte. “Dá uma ofegada”, afirma.

Já o vendedor Bruno César Moreira Lima conta que começou a perceber o problema há cerca de três dias, principalmente em regiões próximas ao Córrego Lava-Pés e à avenida Nogueira Padilha.

Segundo ele, o cheiro tem características semelhantes a produtos químicos, solventes ou plástico queimado e costuma ser mais intenso em determinados períodos do dia. “É um cheiro de química forte, parecido com solvente ou plástico queimado”, comenta.

Bruno afirma que moradores da região ainda tentam entender de onde o odor poderia estar vindo. Entre as hipóteses levantadas pela própria população estão possíveis obras na região, intervenções próximas ao córrego ou até atividades em imóveis em construção próximos ao bairro. Apesar disso, ele ressalta que ninguém conseguiu identificar com precisão a origem do cheiro. “Acredito que possa ser de alguma obra ou até do córrego, mas não temos como distinguir exatamente”, afirma.

A preocupação dos moradores aumentou nos últimos dias com o crescimento das reclamações em redes sociais, grupos de mensagens e comunidades de bairro. Em alguns grupos, moradores passaram a compartilhar os horários em que o odor se torna mais forte e comparar relatos sobre o problema em diferentes pontos da zona leste.

Moradora da Vila Hortência e tutora do programa Vizinhança Solidária, Ciléia Silva afirma que os comentários começaram a se multiplicar após diferentes moradores perceberem que a situação não era isolada. “Só fui perceber que muitas pessoas também estavam sentindo quando começaram os comentários nas redes sociais e nos grupos do bairro”, relata.

Segundo ela, os relatos começaram a surgir inicialmente entre moradores próximos ao Jardim Prestes de Barros, mas rapidamente passaram a envolver outras regiões vizinhas da zona leste. Com a repercussão do caso, moradores criaram grupos de conversa para reunir informações, compartilhar experiências semelhantes e cobrar respostas dos órgãos públicos.

Ciléia afirma ainda que decidiu registrar reclamação oficial junto ao serviço 156 da prefeitura após perceber a frequência do odor e o aumento das queixas entre os moradores.

De acordo com ela, funcionários do atendimento informaram que já existiam outras denúncias semelhantes registradas sobre o mesmo problema.

A moradora também relata que passou a perceber piora em sintomas como irritação na garganta, tosse, ardência nos olhos e desconforto respiratório nos períodos em que o odor fica mais intenso, especialmente durante a noite e a madrugada.

Ela afirma ainda que outros moradores comentaram episódios de mal-estar e até procura por atendimento médico nos últimos dias. Até o momento, porém, não há confirmação oficial relacionando os sintomas relatados pela população ao odor investigado pelos órgãos públicos.

Investigação

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou à reportagem que a ocorrência segue em andamento e que equipes ainda realizam apurações para identificar a origem do problema. Segundo o órgão, as informações levantadas serão encaminhadas após a conclusão da investigação.

Apesar dos relatos de moradores, o monitoramento da qualidade do ar em Sorocaba indicava condição considerada “boa” ontem (13), segundo dados divulgados pela Cetesb.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba informou que não tinha conhecimento formal da reclamação até ser procurado pela reportagem, mas afirmou que equipes técnicas passaram a investigar o caso.

Segundo o Saae, caso seja constatada qualquer irregularidade, serão adotadas as medidas necessárias para correção do problema. O órgão informou ainda que o Córrego Lava-Pés passou recentemente por serviços de manutenção preventiva e limpeza, concluídos no início de abril.

A orientação do Saae é para que moradores registrem ocorrências pelos canais oficiais de atendimento, informando endereço exato, horário em que o odor é mais intenso e outros detalhes que possam auxiliar as equipes técnicas na identificação da possível origem.

A reportagem também procurou a Polícia Militar Ambiental e aguarda retorno.