Prédio histórico
Entulho, água e caminhões cercam o antigo Matadouro de Sorocaba
Área próxima ao prédio vinha sendo utilizada pelo Saae; especialistas apontam possível impacto sobre estrutura
O uso do entorno do antigo Matadouro Municipal de Sorocaba passou a integrar as preocupações relacionadas à preservação do prédio histórico, que já enfrenta problemas estruturais, infiltrações e avanço da deterioração. Enquanto o imóvel tombado apresenta rachaduras, paredes escoradas e parte da cobertura desabada, a presença de entulho, materiais armazenados e a circulação de caminhões nas proximidades também levantam questionamentos sobre impactos na estrutura e no patrimônio.
Embora o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) afirme que o espaço está em processo de desocupação, o local ainda apresenta pilhas de pedras, terra, entulho e materiais armazenados próximos à construção tombada.
Durante visita realizada pela reportagem, também foi possível observar áreas com acúmulo de água ao lado da edificação, além de sinais de intensa movimentação de veículos pesados no entorno do imóvel.
Arquiteta, especialista em restauro e vice-presidente do CMDP, Mônica Pinesso Cianfarani, que acompanha há mais de uma década a situação do Matadouro afirma que a utilização da área próxima ao patrimônio sempre gerou preocupação. “A área envoltória desse edifício é de 40 metros. A movimentação de caminhões ocorre muito próxima do prédio e isso preocupa porque a estrutura já apresenta problemas”, afirma.
Segundo ela, o fluxo constante de veículos e o armazenamento de materiais ocorreram durante anos nas proximidades do imóvel. “Ali já teve manilhas, granito, entulho e outros materiais. Existe uma movimentação constante naquele espaço”, relata.
A pesquisadora também afirma que houve comprometimento de um sistema de drenagem localizado ao lado da construção. “Tinha uma tubulação de drenagem ali atrás do prédio. Os caminhões acabaram estourando esse cano e hoje existe um acúmulo de água muito perto da estrutura”, diz.
De longa data
O tema não é recente. Um estudo acadêmico desenvolvido em 2014 sobre o antigo Matadouro já apontava preocupação com a ocupação do entorno do prédio histórico. O trabalho de pesquisa, voltado à requalificação do espaço, mencionava que a área vinha sendo utilizada como ponto de descarte e armazenamento de materiais. “O município hoje abriga no local uma área de despejo de entulhos, provenientes das atividades do Saae”, aponta o estudo.
O levantamento também defendia preservação ambiental e valorização urbanística do entorno do Matadouro, destacando o potencial da área para implantação de espaços culturais e públicos ligados ao Rio Sorocaba.
Resposta do Saae
Questionado pelo jornal Cruzeiro do Sul, o Saae confirmou a utilização do espaço. Em nota, a autarquia informou que uma área no entorno do antigo Matadouro era usada “como ponto de entrada e saída de materiais armazenados para uso em serviços ou manutenções diárias”.
Segundo o Saae, o local “não tem mais recebido materiais” e o processo de desocupação está “em fase final”.
A autarquia também afirmou que realiza levantamentos e reparos relacionados aos sistemas de água, esgoto e drenagem sempre que necessário.
Sobre discussões relacionadas à recuperação do patrimônio histórico, o Saae informou que projetos de preservação do Matadouro “não são prerrogativas da autarquia”, mas declarou estar aberta a colaborar “dentro das possibilidades técnicas e legais”.
Degradação
O uso do entorno passou a integrar as discussões envolvendo preservação do imóvel histórico, principalmente após o agravamento dos danos estruturais observados nos últimos anos.
Tombado desde 1996, o antigo Matadouro Municipal enfrenta atualmente rachaduras, infiltrações, pichações, furtos de estruturas metálicas e o desabamento de parte da cobertura. Especialistas defendem medidas emergenciais para evitar que o prédio entre em situação irreversível de degradação.