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Apuração

MPF prevê novos inquéritos na Operação Copia e Cola

12 de Maio de 2026 às 22:16
Cruzeiro do Sul [email protected]
Investigações devem avançar sobre outros contratos e empresas ligadas à saúde de Sorocaba
Investigações devem avançar sobre outros contratos e empresas ligadas à saúde de Sorocaba (Crédito: ARQUIVO JCS)

A Procuradoria Regional da República da 3ª Região informou que a investigação da Operação Copia e Cola deverá avançar para novos inquéritos autônomos envolvendo outros contratos e empresas médicas ligadas à gestão da saúde em Sorocaba. Segundo o órgão, a medida busca aprofundar as apurações sobre possíveis desvios de recursos públicos, contratos suspeitos e movimentações financeiras identificadas ao longo da investigação. A procuradoria também afirmou que novas denúncias contra investigados atuais ou outros suspeitos não estão descartadas.

O Ministério Público Federal denunciou, em fevereiro deste ano, 13 pessoas por supostos crimes relacionados a contratos firmados com a Prefeitura de Sorocaba na área da saúde. Entre os denunciados estão o prefeito Rodrigo Manga, um empresário apontado como amigo do chefe do Executivo, um casal de pastores — cunhados de Manga — e outros investigados. As acusações incluem organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados à administração pública.

As denúncias são resultado da Operação Copia e Cola, conduzida pela Polícia Federal e vinculada ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). A investigação apura supostos desvios de recursos públicos em contratos destinados à administração de unidades de saúde do município. A operação teve desdobramentos em abril e novembro de 2025. Na última fase, Rodrigo Manga foi afastado do cargo por 180 dias.

O afastamento teria validade até 4 de maio de 2026. No entanto, o prefeito retornou ao cargo após decisão liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de abril. Posteriormente, a Corte manteve a suspensão da medida cautelar imposta pelo TRF3 até julgamento definitivo, decisão referendada ontem (12).

Ao detalhar os fundamentos da denúncia, o MPF afirmou que a acusação se sustenta em um “vasto conjunto probatório”, que teria identificado uma organização criminosa estruturada para desviar verbas da saúde municipal. Segundo o ministério, entre os elementos reunidos estão relatórios considerados fraudulentos, mensagens, áudios, movimentações financeiras suspeitas e a apreensão de R$ 1,3 milhão em espécie. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras também teriam identificado movimentações atípicas de R$ 6,5 milhões.

Ainda conforme o MPF, auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo apontaram suposto sobrepreço de 40,64% em contratos da saúde, além da utilização de situações emergenciais para justificar contratações sem licitação. O MPF sustenta que recursos públicos teriam sido utilizados para o pagamento de despesas pessoais de agentes políticos e para ocultação patrimonial por meio de terceiros.

‘Transparência comprometida’

“Institucionalmente, o esquema comprometeu a transparência ao misturar verbas federais e municipais para dificultar a fiscalização e utilizou a ‘fabricação de emergências’ para burlar licitações. A administração da saúde foi instrumentalizada para o desvio de recursos públicos, destinados ao custeio de despesas particulares de agentes políticos, prejudicando a eficiência e a ética do serviço municipal”, afirma a assessoria da procuradoria.

O órgão também informou que pediu o desmembramento das investigações em novos procedimentos independentes, voltados à análise de outras empresas médicas subcontratadas, além de contratos custeados exclusivamente com verbas municipais e estaduais.

Segundo o MPF, parte dessas apurações deverá ser encaminhada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na esfera estadual. O ministério ressaltou que não há arquivamento de fatos conexos e que novas medidas podem surgir conforme o avanço das análises.

Manifestações

Procurados pelo Cruzeiro do Sul, outros órgãos federais envolvidos mantiveram cautela sobre o andamento das investigações. A Polícia Federal informou que não confirma nem divulga informações sobre possíveis nomes envolvidos, operações, inquéritos ou atos investigativos em andamento. Já o TRF3 afirmou apenas que os autos tramitam sob segredo de Justiça e que não possui autorização para divulgar informações do processo.

A defesa de Rodrigo Manga, conduzida pelo escritório Bialski Advogados Associados — que já atuou em casos envolvendo Sérgio Cabral, Milton Ribeiro, Cuca e Michelle Bolsonaro — também foi procurada para comentar o andamento do caso, mas não enviou resposta. Ainda assim, o espaço segue aberto. (T.R.)