Gestão urbana
Conflito urbano: crescimento de árvores desafia rede elétrica em Sorocaba
Prefeitura e concessionária de energia dividem a responsabilidade das manutenções
O ajuste do equilíbrio de preservação ambiental e expansão urbana é um desafio para muitas cidades e em Sorocaba não é diferente. É comum encontrar árvores em canteiros centrais, calçadas, residências e praças. No entanto, à medida que crescem, muitas acabam alcançando a fiação elétrica, gerando conflitos e dúvidas sobre responsabilidades em casos de danos. Em Sorocaba, de acordo com a assessoria municipal, a responsabilidade pela poda e supressão de árvores em áreas públicas é da Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo).
Em áreas particulares, o procedimento pode ser autorizado, mas os custos são do proprietário. Já quando os galhos atingem a rede elétrica, a atribuição gera controvérsia: enquanto a prefeitura aponta a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) como responsável, a concessionária afirma que atua apenas em situações emergenciais ou de risco iminente, destacando que a gestão da vegetação urbana cabe ao poder público municipal.
Para solicitar poda ou supressão, os moradores devem acessar o site da Prefeitura de Sorocaba, preencher a documentação necessária e concluir o pedido em uma unidade da Casa do Cidadão. As solicitações passam por análise técnica da Secretaria do Meio Ambiente, com base em normas da ABNT e legislação municipal. Em casos de risco envolvendo a rede elétrica, a população também pode acionar diretamente a CPFL por meio de seus canais de atendimento.
Além da estética
De acordo com o biólogo Hélio Rubens Jacintho Pereira Junior, a presença de árvores vai além do aspecto estético. “As áreas verdes e ruas arborizadas são fundamentais para o paisagismo urbano, tornando os espaços mais agradáveis à população. Além disso, contribuem para a regulação climática, melhorando a distribuição de umidade, reduzindo variações de temperatura e auxiliando na infiltração da água da chuva, o que diminui a ocorrência de enxurradas e enchentes, especialmente em períodos de eventos climáticos extremos”, explica.
O especialista também destaca o impacto positivo das áreas verdes no bem-estar da população. Segundo ele, ambientes mais arborizados proporcionam maior conforto e sensação de acolhimento. “O conforto que uma paisagem mais verde traz as pessoas, fazendo com que elas se sintam melhor neste ambiente, mais acolhidas e mais respeitadas como ser humano que precisa da natureza, é fundamental”, afirma o especialista.
Para que possa haver áreas verdes no meio urbano são necessários os serviços de manutenção. “Quanto a manutenção do ente arbóreo, devemos fazer toda a reorganização do espaço, com podas técnicas e preventivas (sempre pedindo as devidas autorizações aos órgãos públicos)”, explica.
Alerta
O biólogo Hélio alerta que as cidades possuem códigos ambientais e planos diretores ambientais que orientam o processo de plantio urbano. Ou seja, há um conjunto de regras para o plantio em relação a local, espécie e necessidades da planta e do meio urbano.
Segundo ele, “a população, de modo geral, não tem conhecimento desse conjunto de regras e vai fazendo os plantios conforme seus desejos e anseios, sem que tenham a preocupação se é a árvore mais adequada, se é o lugar mais adequado, se é o espaço mais adequado, se é o solo mais adequado, apenas vão pelos seus anseios e desejos, fazendo sem olhar o amanhã, e os eventos dentro de um longo prazo, uma vez que as árvores são os seres mais longevos que habitam a Terra”, explica. (Da Redação)