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MP-SP aponta teor racista em vídeo de prefeito de Sorocaba e encaminha caso à Procuradoria-Geral
Produção mostra uma encenação em que uma pessoa negra simula o furto de uma carteira e, em seguida, aparece a imagem de um braço negro ao lado de um celular, sugerindo que teria sido arrancado como punição.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) classificou como racista um vídeo publicado pelo prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), e determinou o encaminhamento do caso à Procuradoria-Geral de Justiça para análise de eventual prática de crime no exercício do cargo.
A manifestação foi motivada por representação do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (Compír), que solicitou apuração do conteúdo. No despacho, a promotoria afirma que o vídeo, divulgado para anunciar a inauguração de um posto da Guarda Civil Municipal (GCM), “vincula a prática de furtos a pessoas da raça negra” e apresenta mensagem de violência.
Segundo o MP, a produção mostra uma encenação em que uma pessoa negra simula o furto de uma carteira e, em seguida, aparece a imagem de um braço negro ao lado de um celular, sugerindo que teria sido arrancado como punição. O vídeo termina com a frase “roubou, levou”.
Para a promotoria, o conteúdo tem “cunho notoriamente racista” e pode configurar crime de injúria racial, além de outras possíveis irregularidades. O órgão também aponta a possibilidade de análise na esfera cível por eventual improbidade administrativa, já que o material teria sido divulgado em rede social pessoal, mas com conteúdo relacionado a ato de governo.
Como o prefeito possui foro privilegiado, a investigação criminal foi encaminhada à Procuradoria-Geral de Justiça. Já a apuração sobre eventual improbidade será distribuída às Promotorias de Patrimônio Público.
Em nota, a assessoria do prefeito Rodrigo Manga afirmou que “nunca houve, nem haverá” conteúdo com teor racista ou discriminatório nas redes sociais do chefe do Executivo.
A defesa sustenta que as publicações do prefeito têm como característica a inclusão de diferentes perfis sociais “sempre com todo respeito e no tom descontraído que é sua marca registrada”. A nota diz ainda que Manga “repudia veementemente qualquer tipo de atitude” discriminatória.
Com o envio à Procuradoria-Geral de Justiça, caberá ao órgão analisar se há elementos para abertura de investigação criminal contra o prefeito. Paralelamente, o material será avaliado no âmbito cível pelas Promotorias de Patrimônio Público.
Até o momento, não há prazo definido para a conclusão das análises.