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Emprego

Avanço tecnológico e mudanças culturais redefinem exigências do mercado de trabalho

Com 616 mil trabalhadores, Sorocaba enfrenta desafios de equilíbrio e saúde mental no ambiente laboral

30 de Abril de 2026 às 21:29
Tom Rocha [email protected]
 Posto de atendimento ao Trabalhador (PAT) é uma das principais
fontes de busca de recolocação profissional dos sorocabanos
Posto de atendimento ao Trabalhador (PAT) é uma das principais fontes de busca de recolocação profissional dos sorocabanos (Crédito: DIVULGAÇÃO / ARQUIVO JCS)

Sorocaba tem um mercado de trabalho que engloba 131.764 estabelecimentos comerciais, segundo informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). O documento também registra 616.792 empregados cadastrados em todos os setores, com remuneração média de R$ 2.931,39. Os dados são referentes a 2024 e foram divulgados no dia 17 de abril deste ano. A publicação ganha relevância especial no contexto do Dia do Trabalhador, celebrado hoje (1º), data que tradicionalmente reforça debates sobre condições laborais, direitos sociais e os desafios enfrentados pelos trabalhadores diante das transformações econômicas e tecnológicas.

Especialistas entrevistados pela reportagem apontam que empregados devem estar atentos às atualizações dos processos de trabalho e procurar evitar o esgotamento, que pode provocar aumento de ansiedade e depressão. É uma balança difícil de equilibrar, dada a velocidade do cenário atual de mudanças, principalmente com o avanço de novas tecnologias de comunicação e da inteligência artificial.

Os setores econômicos que mais reúnem trabalhadores foram comércio varejista (101.997), atividades de atenção à saúde humana (30.579) e fabricação de produtos alimentícios (27.527). De acordo com dados da Receita Federal do Brasil (RFB), em Sorocaba, do total de estabelecimentos com registro até 2025, 19,5% correspondem a “Outros” (73.530 estabelecimentos), 44,8% a Microempreendedor Individual - MEI (168.881 estabelecimentos), 30,5% a Microempresa - ME (115.263 estabelecimentos) e 5,2% a Empresa de Pequeno Porte - EPP (19.626 estabelecimentos).

Múltiplas gerações

“Hoje, contratar vai muito além da experiência técnica. O setor de recursos humanos lida com múltiplas gerações, cada uma com valores, expectativas e formas de trabalhar distintas, o que transforma a cultura das empresas. Nesse novo cenário, o ’fit cultural’, a adaptabilidade e as habilidades comportamentais se tornaram decisivos, muitas vezes tanto quanto ou mais que o conhecimento técnico”, explica Thamara Silverio Dias, profissional de RH.

Isso eventualmente pode se transformar em pressões, e que devem estar no radar de todo empregado. “A hiperconectividade permite que todo momento seja um momento possível para se trabalhar e o trabalho remanescente da pandemia faz com que muitas pessoas não tenham nenhum limite físico entre a vida profissional e o pessoal. O resultado disso é o aumento de ansiedade, depressão, quadros de esgotamento como o burnout e o abuso de medicamentos e álcool como tentativas de algum relaxamento”, analisa o psicólogo comportamental João Eduardo Cattani.

“Alguns sinais podem servir de alerta, como a irritabilidade crônica que impacta os relacionamentos ou uma tendência ao isolamento; o desinteresse pelo trabalho, evitar de atividades prazeirosas que antes eram vivenciadas e problemas no sono”, alerta. Mas há alternativas. Segundo Thamara, o RH tem entendido que produtividade e bem-estar não são opostos, mas complementares. “Por isso, vem investindo em ambientes mais flexíveis, modalidade de trabalho híbrido, programas de bem-estar, escuta ativa e mantendo as lideranças mais próximas. Com isso, promovem naturalmente um ambiente com mais qualidade de vida, desenvolvimento e equilíbrio, fortalecendo o engajamento e, como consequência, reter talentos de forma mais sustentável”, analisa a profissional.

“Na prática, as empresas têm valorizado cada vez mais profissionais que tem maior adaptabilidade, flexíveis a mudanças, que saibam lidar com cenários incertos. Além do conhecimento técnico, podem gastar destaque quem tem uma comunicação clara, tem bom trabalho em equipe, resiliência, inteligência emocional para enfrentar os desafios e pensamento crítico para tomada de decisões”, finaliza Thamara.

IA e dignidade

“É possível ver que o temor de perder o trabalho para a IA e outras tecnologias paira no inconsciente coletivo da sociedade atual. Dentro das empresas, isso tende a gerar ansiedade, maior competitividade, necessidade constante de provar que tem valor e busca acelerada por qualificação. Fora delas, pode levar ao adiamento de projetos pessoais como casamento e filhos, além de maior insegurança financeira”, comenta João Eduardo.

“Em uma encíclica do papa João Paulo II de 1981 chamada Laborem Exercens (“Sobre o Trabalho Humano”), o pontífice argumenta que o trabalho não é apenas uma forma de servir à sociedade, mas uma forma de servir à própria dignidade, responsabilidade e sentido de vida. Em leitura laica, isso reforça a ideia de que o trabalho possui valor humano, não apenas mercantil. Quando uma sociedade ameaça o acesso ao trabalho, não afeta somente a renda das pessoas, mas também o pertencimento e perspectiva de futuro”, opina o psicólogo.

Ambiente laboral

O avanço da tecnologia e novas formas de organização laboral representam um desafio para muitas empresas. “Um dos principais obstáculos atuais é equilibrar desempenho consistente com a sustentabilidade das entregas. Nesse contexto, nossa empresa estrutura suas práticas de trabalho para conciliar eficiência operacional, dinâmica das equipes e gestão do tempo, adotando diretrizes alinhadas às necessidades do negócio e à construção de um ambiente saudável e colaborativo”, comenta Roberto Suguihara, sócio-diretor da consultoria Apter. “Em linha com esse movimento, acompanhamos de perto a evolução tecnológica, com especial atenção ao avanço da inteligência artificial, incentivando sua aplicação no dia a dia por meio de iniciativas estruturadas de capacitação e disseminação de boas práticas”, afirma. “O objetivo é preparar os profissionais da nossa empresa não apenas para os desafios atuais, mas também para as transformações futuras do mercado”.

 

 

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