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Varejo

Marca sueca chega à região e reforça avanço de redes globais fora das capitais

29 de Abril de 2026 às 23:02
Caroline Mendes [email protected]
Nova loja reflete mudança de estratégia no varejo de moda, com expansão para cidades do interior
Nova loja reflete mudança de estratégia no varejo de moda, com expansão para cidades do interior (Crédito: DANIEL GOUVEIA)

A inauguração da primeira unidade da H&M em Sorocaba, nesta semana, vai além da chegada de uma nova loja ao Shopping Iguatemi Esplanada. O movimento reforça uma tendência recente: o avanço de grandes redes internacionais para cidades médias do interior paulista, impulsionadas pelo potencial de consumo fora das capitais.

Com cerca de 2 mil metros quadrados, a operação na região é uma das primeiras fora das capitais após a estreia no Brasil, em 2025. Segundo o country manager da empresa, Joaquim Pereira, a escolha por Sorocaba está ligada ao porte da cidade e à força econômica regional. “A gente entende que é uma das cidades mais importantes do Estado para ter uma loja. Era um passo natural dentro da expansão”, afirmou durante visita guiada à unidade.

A aposta no interior acompanha uma mudança de estratégia no varejo de moda. Cidades como Sorocaba passaram a concentrar público consumidor suficiente para sustentar operações de grande porte — algo que, até poucos anos atrás, ficava restrito às capitais. Além da localização, a parceria com a administradora de shoppings também pesou na decisão. A Iguatemi S.A. vem se consolidando como porta de entrada de marcas internacionais no País, mirando um público fora dos grandes centros.

A nova loja deve gerar 62 empregos diretos, podendo chegar a cerca de 100 trabalhadores em períodos de maior movimento. Há ainda vagas indiretas ligadas a serviços como limpeza, segurança e logística. A empresa afirma apostar em um modelo de jornada com dois dias de descanso semanais e planejamento prévio de escala como forma de reduzir a rotatividade — um dos principais desafios do varejo no Brasil. “A dificuldade não é só contratar, mas manter as pessoas. Por isso, tentamos dar previsibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho”, disse o executivo.

A chegada da rede intensifica a disputa com varejistas já consolidadas no País, como Renner, Riachuelo e C&A, que atuam há décadas no mercado brasileiro. Pereira reconhece o cenário competitivo e adota um discurso cauteloso. “O Brasil tem marcas fortes e estabelecidas. A gente acabou de chegar, então precisa entender o consumidor local”, afirmou.
Segundo

ele, a empresa tem recorrido a ferramentas de inteligência artificial para ajustar o volume de produtos ao perfil brasileiro, evitando excesso de estoque, um problema recorrente no setor. Um dos pontos destacados pela empresa é o compromisso com práticas mais sustentáveis, incluindo o uso de tecnologia para reduzir desperdícios e alinhar produção à demanda.

A operação em Sorocaba também evidencia mudanças no comportamento do consumidor. Segundo a empresa, há diferenças claras entre perfis de compra: enquanto o público feminino tende a consumir por tendência, o masculino costuma priorizar volume e reposição de peças básicas. A expectativa é de maior movimento nos fins de semana, quando se concentra o fluxo em centros de compras.

A chegada da marca à cidade simboliza o fortalecimento de Sorocaba como polo regional de consumo. Ao mesmo tempo, reacende discussões sobre os impactos desse tipo de operação no comércio local e nos padrões de consumo. Os efeitos mais duradouros, no entanto, devem aparecer com o tempo, tanto para consumidores quanto para o varejo da região.

 

 

 

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