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Segurança

Estrada entre Sorocaba e Iperó expõe falhas e impasse após acidente fatal

Moradores apontam falta de iluminação, sinalização precária e indefinição de responsabilidades como fatores de risco na via

28 de Abril de 2026 às 21:50
Caroline Mendes [email protected]
Morte de um jovem de 20 anos reacendeu o alerta sobre as condições de segurança na via
Morte de um jovem de 20 anos reacendeu o alerta sobre as condições de segurança na via (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

A estrada que liga Sorocaba a Iperó voltou ao centro das discussões após a morte de um jovem de 20 anos em um acidente registrado no dia 18 de abril. O caso reacendeu o alerta sobre as condições de segurança da via, que há anos é alvo de reclamações de moradores, motoristas e de pedidos formais de melhorias encaminhados ao poder público.

Com cerca de 22 quilômetros de extensão, o trecho é utilizado diariamente por moradores de bairros como Jardim Santa Cristina, Cruz de Ferro, Reserva Ipanema, Vila Bom Jesus e George Oeterer, além de trabalhadores e motoristas que usam a via como ligação entre os dois municípios. Apesar da importância regional, relatos apontam problemas estruturais recorrentes que comprometem a segurança.

Entre as principais queixas está a falta de iluminação em trechos considerados críticos. Moradores afirmam que há pontos em que a visibilidade é praticamente inexistente, aumentando o risco de acidentes. A sinalização horizontal também é alvo de críticas, com pintura desgastada e pouca visibilidade, além de placas insuficientes ou deterioradas ao longo da estrada.

Outro problema frequente é a falta de manutenção nas margens da via. O mato alto e galhos de árvores avançam sobre a pista, dificultando a visibilidade e, em alguns casos, atingindo veículos maiores, como caminhões. A ausência de acostamento em alguns trechos também é citada como fator de risco, principalmente em situações de emergência.

Na semana passada, moradores realizaram um protesto ao longo da estrada, instalando placas para chamar a atenção das autoridades. A mobilização ocorreu poucos dias após o acidente fatal e foi definida pelos participantes como um “grito de socorro”.

“É muito perigoso passar por aqui no escuro. Tem trecho em que você não enxerga nada; depende só do farol do carro”, afirmou um morador que preferiu não se identificar.

Para outra moradora, a estrada está abandonada. “Falta iluminação, falta manutenção e ninguém assume a responsabilidade”, disse. “A gente já fez pedidos, já procurou autoridades, mas nada muda. Parece que precisa acontecer uma tragédia para alguém olhar para isso”, completou.

Apesar das cobranças, há divergência entre os órgãos públicos sobre quem deve assumir as intervenções na via.

Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que a estrada é de responsabilidade estadual, destacando que o trecho passou por recapeamento e sinalização por órgãos do Estado. O município afirmou que atua de forma complementar, por meio da Secretaria de Mobilidade (Semob), em ações de sinalização quando demandado.

A administração municipal também informou que realiza serviços de apoio, como roçagem e limpeza, por meio da Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo), e que equipes estão atualmente trabalhando no local. Em relação à iluminação, a prefeitura disse que solicitou à CPFL Piratininga, em janeiro, a implantação de rede secundária de energia. Segundo o Executivo, somente após essa etapa será possível instalar novos pontos de iluminação pública com tecnologia LED.

Já o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo apresentou uma versão diferente. O órgão afirmou que a manutenção de estradas municipais é de responsabilidade das prefeituras e destacou que, para a realização de obras por meio de convênio com o Governo do Estado, é necessário que as administrações municipais apresentem um projeto executivo para análise técnica.

O DER também ressaltou que a estrada integrou um programa estadual de recuperação viária, concluído em 2022, quando cerca de 22,6 quilômetros passaram por intervenções de recuperação funcional.

Além disso, o Departamento informou que, em 2025, a Câmara de Sorocaba encaminhou um pedido de estudos para melhorias na via. Em resposta, o órgão apontou a necessidade de intervenções, mas reforçou que o avanço depende da formalização de projetos por parte das prefeituras envolvidas.

Enquanto o impasse sobre responsabilidades persiste, moradores afirmam que a estrada segue sem soluções efetivas. Para quem utiliza o trecho diariamente, a preocupação é constante, especialmente em horários de baixa visibilidade.

A principal cobrança da população é por medidas imediatas que garantam condições mínimas de segurança, como reforço na iluminação, melhoria da sinalização e manutenção regular da via. Para os moradores, a falta de definição clara sobre quem deve agir acaba prolongando um problema que, segundo eles, já custou vidas.

Prefeitura anuncia medidas após reunião

Na tentativa de responder às demandas, a prefeitura realizou, na noite de segunda-feira (27), uma edição do programa “Prefeitura de bairro em bairro”, no Jardim Novo Horizonte, na zona norte. A reunião ocorreu perto do início da estrada e reuniu moradores do Reserva Ipanema e bairros próximos, que voltaram a cobrar melhorias como iluminação, sinalização e até a duplicação da via.

Durante o encontro, o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) afirmou que, embora a estrada seja administrada pelo Governo do Estado, o município irá atuar dentro de suas possibilidades legais para melhorar as condições do trecho.

Entre as medidas anunciadas como imediatas estão a limpeza e a roçagem de cerca de 3,5 quilômetros da via, a instalação de dois radares de velocidade, a poda de árvores, a terraplanagem nos acostamentos e o reforço da sinalização, incluindo a implantação de refletores “olho de gato” e demarcações próximas à região da Cruz de Ferro.

Também ficou definida a realização de uma reunião com a CPFL Piratininga, prevista para os próximos dias, com o objetivo de agilizar a implantação da rede secundária de energia elétrica — etapa considerada essencial para viabilizar a instalação de iluminação pública na estrada.

Segundo a prefeitura, moradores também devem formar uma comissão para acompanhar as tratativas com o poder público e concessionárias.

Apesar dos anúncios, a população segue cobrando prazos e efetividade nas ações. Para quem utiliza a estrada diariamente, a principal preocupação é que as medidas saiam do papel e garantam condições mínimas de segurança, evitando novos acidentes em um trecho que, segundo os moradores, já acumula histórico de tragédias.

 

 

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