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Expansão

Mercadinhos autônomos ampliam presença em condomínios de Sorocaba e da região

Formato facilita a compra de itens de conveniência pelos moradores por meio do autoatendimento

21 de Abril de 2026 às 20:23
João Frizo [email protected]
Modelo de varejo tem operação monitorada por câmeras e acesso e pagamento são feitos por meio de aplicativos
Modelo de varejo tem operação monitorada por câmeras e acesso e pagamento são feitos por meio de aplicativos (Crédito: DIVULGAÇÃO)

A presença de mercadinhos autônomos em condomínios residenciais tem se ampliado em Sorocaba e cidades da região nos últimos anos. Instalados em áreas comuns de empreendimentos verticais e horizontais, os espaços funcionam em sistema de autoatendimento, com pagamento digital e operação sem funcionário fixo.

O crescimento dessa modalidade de varejo acompanha um movimento observado em grandes centros urbanos. De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (Apas), a regional de Sorocaba — que abrange 60 municípios — contava com 50 estabelecimentos desse tipo localizados em condomínios até o terceiro trimestre de 2025.

Segundo a entidade, o segmento está em ritmo de expansão, impulsionado pela mudança no perfil de compra do consumidor. “O setor supermercadista tem buscado se adaptar a essas novas dinâmicas”, afirma o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz.

Com sede em Sorocaba, a Compact Store Brasil informa que possui 350 operações em atividade no País, com forte concentração no Estado de São Paulo. Segundo a empresa, mais de 190 operações estão localizadas em Sorocaba. Fundada em 2021, a empresa afirma ter iniciado as atividades com poucas operações e ampliado o número de unidades por meio de crescimento orgânico (com recursos próprios).

A meta é alcançar mil lojas até o fim de 2026. Além de condomínios residenciais, o modelo também está presente em empresas, escritórios, universidades, hospitais, hotéis, indústrias, centros logísticos, coworkings e shopping centers

Modelo de operação

De acordo com a empresa, o modelo é estruturado por meio de licenciamento, com operação autônoma e monitoramento por câmeras e sistemas de inteligência artificial. O controle de acesso e pagamento ocorre via aplicativo e sistemas integrados.

Segundo a companhia, o mercadinho autônomo não substitui o supermercado tradicional, atuando como solução de conveniência para compras rápidas e emergenciais. Entre os fatores apontados como motivadores para instalação nos condomínios estão praticidade e segurança.

Mudança estrutural

O economista e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Marcos Canhada, explica que o crescimento do modelo indica transformação no padrão de consumo. “Trata-se de uma mudança estrutural no padrão de consumo. A digitalização dos pagamentos, o autosserviço e a busca por conveniência vieram para ficar. Não é algo passageiro, é uma adaptação ao novo estilo de vida urbano”, afirma.

Segundo Canhada, a dinâmica das cidades médias também contribui para esse cenário. “Vivemos uma cultura da praticidade, mas também enfrentamos rotinas cada vez mais aceleradas nas cidades médias e grandes. O tempo virou um ativo econômico, e as pessoas pagam para economizá-lo.”

O economista avalia que o avanço dos mercadinhos dentro de condomínios pode alterar padrões de circulação e consumo. “Há um reforço do consumo dentro dos espaços privados. Isso pode reduzir a circulação nas ruas e alterar a dinâmica do comércio de bairro. Em longo prazo, pode fortalecer uma lógica mais fechada dos condomínios.”

Canhada ressalta que o impacto tende a ocorrer principalmente nas compras emergenciais. “Para compras emergenciais e itens básicos, pode sim impactar o mercadinho de bairro. Mas compras maiores, de abastecimento mensal, o consumidor ainda tende a recorrer aos supermercados tradicionais.”

Segundo Canhada, trata-se de um consumo de proximidade, porém concentrado no espaço privado.

Sustentabilidade

A expansão do modelo levanta questionamentos sobre sustentabilidade econômica. Para o economista, em cidades médias o crescimento acelerado pode gerar excesso de oferta. “Como a margem depende do volume e da rotatividade, nem todos os modelos podem se sustentar no longo prazo.” Ele observa que a sustentabilidade do negócio depende de escala, gestão de estoque e controle de perdas.

Ao mesmo tempo, considera que o modelo passou a integrar estratégias do setor imobiliário. “Este modelo já é um diferencial competitivo em novos empreendimentos. A conveniência virou argumento de venda e agrega valor ao condomínio, especialmente para famílias com rotina intensa.”

“Trata-se de uma mudança estrutural no padrão de consumo. A digitalização dos pagamentos, o autosserviço e a busca por conveniência vieram para ficar. Não é algo passageiro”, conclui Marcos Canhada.

 

 

 

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