Economia
Sorocaba soma 9 mil ligações de energia solar e crescimento pressiona rede elétrica
Aumento das conexões impõe restrições técnicas pontuais em áreas de maior concentração
Sorocaba ultrapassou a marca de 9 mil pontos de geração de energia solar em operação, com crescimento contínuo da micro e minigeração distribuída. Dados atualizados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que o município conta com 9.053 unidades geradoras, com potência instalada de aproximadamente 79,8 mil quilowatts-hora (kWh).
Ao todo, mais de 10,2 mil unidades consumidoras participam do sistema de compensação de energia, incluindo unidades maiores de geração, no qual a eletricidade excedente é inserida na rede e convertida em créditos. Os dados fazem parte dos conjuntos públicos disponibilizados pela Aneel sobre geração distribuída no País.
O volume de conexões aumentou nos últimos anos em Sorocaba. Em 2025, foram registradas mais de 2,3 mil novas instalações. Em 2026, até o início de abril, cerca de 395 unidades já haviam sido conectadas.
Na comparação com municípios da região, Sorocaba concentra o maior número de sistemas e de potência instalada. Em Votorantim, são 1.735 unidades e cerca de 11,9 mil kWh. Araçoiaba da Serra registra 1.168 sistemas e aproximadamente 14 mil kWh. Porto Feliz soma 1.732 unidades, com cerca de 32,2 mil kWh instalados.
Outro município com volume semelhante é Itapetininga, que registra 1.754 sistemas de geração distribuída e potência instalada de aproximadamente 15,4 mil kWh.
Os dados indicam que a geração distribuída também avança em cidades vizinhas, mas em escala inferior à observada em Sorocaba.
O aumento das conexões tem impacto direto na operação da rede elétrica. A CPFL Piratininga informa que os pedidos de acesso seguem as regras da Aneel e são analisados individualmente, com base em critérios técnicos.
Segundo a distribuidora, há casos de restrições técnicas pontuais, principalmente em áreas com maior concentração de sistemas, o que pode demandar ajustes ou reforços na rede antes da liberação de novas conexões.
Para atender ao crescimento da demanda, a empresa realizou investimentos na infraestrutura local. Entre as ações recentes está a entrada em operação de uma nova subestação, que ampliou a capacidade do sistema elétrico no município, além da implantação de medidores inteligentes.
A geração distribuída no município é composta integralmente por sistemas de fonte solar fotovoltaica, com predominância nas classes de consumo residencial e comercial.
Os dados completos sobre micro e minigeração distribuída são disponibilizados em plataformas públicas da Aneel e permitem o acompanhamento por município, potência instalada e perfil de consumo.
Cenário nacional
O avanço acelerado da energia solar no Brasil impõe novos desafios ao sistema elétrico nacional. Relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta risco de sobrecarga na rede em ao menos 11 Estados, em função do crescimento da geração distribuída — principalmente por painéis solares instalados em residências e comércios.
O principal problema está no chamado “fluxo reverso”: a energia gerada e não consumida localmente retorna para a rede, criando uma via de mão dupla que pode sobrecarregar subestações e comprometer a estabilidade do sistema. Não existem ainda dispositivos eficientes de armazenamento da energia gerada nas residências para o consumo à noite ou nos próximos dias.
Atualmente, o Brasil produz 33 gigawatts (GW) de energia na modalidade de micro e minigeração distribuída, composta majoritariamente por energia solar fotovoltaica em residências e estabelecimentos comerciais. A estimativa é que a modalidade chegue em 50 GW até 2029.
Apesar do alerta, o ONS destaca que não há risco iminente de apagão, mas sim um sinal de atenção para o planejamento do setor nos próximos anos. O cenário reforça a necessidade de adaptação do sistema elétrico brasileiro diante da transição energética e da descentralização da geração.