Educação
Criança autista relata agressões de cuidadora em escola estadual de Sorocaba
Aluno de 11 anos teria sido impedido de comer e alvo de agressões físicas e psicológicas; profissional foi afastada após denúncia
Um aluno de 11 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi vítima de supostos maus-tratos dentro da Escola Estadual “Jorge Madureira Professor”, localizada no Parque das Laranjeiras, zona norte de Sorocaba. O caso foi registrado na Polícia Civil e é investigado pelo 8º Distrito Policial da cidade.
De acordo com a mãe da criança, os episódios teriam ocorrido no dia 1º de abril, durante o período escolar em uma escola estadual de Sorocaba.
Relato da mãe aponta agressões e mudanças no comportamento
Segundo a mãe, ao buscar o filho na escola naquele dia, percebeu um comportamento incomum tanto da criança quanto da cuidadora responsável pelo acompanhamento de alunos com necessidades especiais.
“Ela me entregou ele muito nervosa e disse que pediria transferência após um episódio na escola. Eu estranhei, porque meu filho não costuma ter esse tipo de comportamento”, relata.
Já em casa, ao conversar com o menino, a situação se tornou ainda mais preocupante. “Ele, com os olhos cheios d' água, me disse que ela não deixava ele comer, apertava o braço dele e gritava quando ele ia ao banheiro”, afirma.
A mãe também relatou mudanças significativas no comportamento do filho após o episódio. “Na terapia, ele não queria abraçar, ficava assustado. Em casa, começou a ficar irritado, teve noite que acordou de madrugada e não conseguiu mais dormir”, diz.
Ainda segundo ela, o menino apresentava dificuldade para expressar o que estava acontecendo. “Os olhos ficavam lacrimejando, ele queria chorar e não conseguia me falar o que estava acontecendo.”
Sinais foram percebidos antes da revelação
A responsável afirmou que chegou a comentar com profissionais da terapia sobre a mudança de comportamento do filho ainda no mesmo dia, antes de saber das possíveis agressões. Segundo ela, os próprios profissionais também notaram que a criança estava mais assustada e resistente ao contato físico.
Escola teria confirmado episódio após análise de imagens
De acordo com a mãe, o caso foi levado à escola, e uma reunião foi realizada no dia 6 de abril com a equipe pedagógica. “Elas me chamaram na escola e disseram que viram tudo pelas câmeras”, relata.
Segundo o advogado responsável pelo caso, Anselmo Bastos, a direção da unidade teria confirmado a existência de imagens de câmeras de segurança que registrariam os episódios. O material já foi solicitado oficialmente pela Polícia Civil.
Ainda conforme o advogado, outras crianças e funcionárias da unidade teriam presenciado as situações. “As merendeiras foram chamadas pelas crianças que presenciaram os fatos, e a direção também tomou conhecimento”, afirma.
O advogado acrescentou ainda que há relatos de que a profissional já teria apresentado comportamento semelhante com outros alunos. A informação, no entanto, ainda será apurada.
Investigação e medidas judiciais
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou, em nota, que o caso foi registrado como maus-tratos e é investigado pelo 8º Distrito Policial de Sorocaba. Segundo a pasta, a equipe analisa os elementos apresentados e realiza diligências para esclarecer os fatos.
Ainda de acordo com o advogado, o delegado responsável pelo caso já solicitou oficialmente as imagens à escola e encaminhou a criança para escuta especializada.
Na esfera civil, também foi ajuizada uma ação contra o Estado, com pedido de indenização no valor de R$ 50 mil, além de uma liminar para garantir acesso ao material das câmeras.
Secretaria confirma afastamento da cuidadora
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que a profissional foi afastada e já não atua mais na unidade escolar. Uma nova cuidadora foi designada para acompanhar o estudante.
A pasta informou ainda que, assim que tomou conhecimento do caso, acionou a unidade responsável pela profissional e realizou uma reunião com os pais na segunda-feira, dia 6 de abril.
A Secretaria, no entanto, não detalhou as circunstâncias do ocorrido.
Indignação da família
A mãe do aluno cobra responsabilização pelo caso e afirma que o episódio não pode ficar impune. “Nenhuma mãe gostaria que seu filho indefeso passasse pelo que o meu filho passou”, disse.
Ela também questiona a possibilidade de outros casos envolvendo a mesma profissional. “Se ela fez isso na frente das câmeras, imagina o que fazia quando ninguém estava vendo”, afirmou.