Emprego
Mercado de trabalho de Sorocaba abre 1.199 vagas em fevereiro
Dados do Caged mostram protagonismo do setor de serviços e estabilidade na geração de empregos
Sorocaba fechou fevereiro com saldo positivo na geração de empregos formais. O município registrou a abertura de 1.199 vagas com carteira assinada, resultado de 12.907 admissões e 11.708 desligamentos, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar de inferior ao desempenho do mesmo período de 2025, o resultado é considerado consistente e acompanha a tendência nacional de crescimento moderado.
Na análise setorial, o destaque ficou com o setor de serviços, que abriu 713 vagas (6.404 admissões e 5.691 desligamentos), seguido pelo comércio, com saldo de 300 vagas (3.446 admissões e 3.146 desligamentos), pela indústria, com 146 vagas (2.051 admissões e 1.905 desligamentos), e pela construção civil, com 47 vagas (996 admissões e 949 desligamentos). A agropecuária foi o único setor com saldo negativo, de -7 vagas (10 admissões e 17 desligamentos), movimento associado à sazonalidade. O predomínio dos serviços reforça o perfil econômico do município, fortemente baseado em atividades ligadas ao consumo e atendimento.
Os dados também mostram diversidade no perfil das contratações, com destaque para trabalhadores de serviços e comércio, além de funções ligadas à produção industrial e logística, que também apresentaram saldo positivo no período.
Para o economista Marcos Canhada, o cenário local demonstra resiliência. “O resultado de fevereiro de 2026 mostra um mercado de trabalho dinâmico em Sorocaba, com geração líquida relevante de empregos. Mesmo em um cenário econômico mais desafiador, o município mantém capacidade de absorção de mão de obra, o que demonstra a resiliência e pujança da economia local”, afirma.
Ele ressalta que a comparação anual não invalida o desempenho atual. “Apesar de menor em relação a 2025, o resultado pode ser considerado positivo. É natural haver oscilações na comparação anual, especialmente após períodos de crescimento mais intenso. O saldo permanece consistente e indica continuidade da geração de oportunidades, ainda que em ritmo mais moderado”, completa.
O setor de serviços foi o principal responsável pela geração de vagas no município, puxado por áreas como atendimento, saúde, educação, tecnologia e atividades administrativas. Esse protagonismo, segundo especialistas, reflete tanto a estrutura econômica local quanto o momento de retomada do consumo.
A coordenadora do curso de Recursos Humanos da Universidade de Sorocaba (Uniso), Rosângela Gonsalves de Araujo, avalia que o resultado de fevereiro deve ser interpretado dentro de um contexto sazonal e de cautela econômica. “Historicamente, os primeiros meses do ano costumam ser mais fracos em contratações, o que torna o resultado relevante. Mesmo com a comparação anual indicando retração, o movimento atual sinaliza expansão e estabilidade”, destaca.
Rosângela também chama atenção para o perfil das vagas e para os desafios enfrentados pelas empresas. Segundo ela, há uma combinação entre oportunidades em funções operacionais e uma crescente demanda por profissionais qualificados. “O mercado busca tanto especialização, especialmente em áreas digitais e técnicas, quanto mão de obra para atividades essenciais, como atendimento e saúde”, explica.
Outro ponto destacado pela especialista é a dificuldade de contratação em setores estratégicos. “Há escassez de mão de obra qualificada em áreas como tecnologia da informação, enfermagem e funções técnicas industriais, além de alta rotatividade em cargos de serviços. Isso exige maior investimento em capacitação e retenção de talentos por parte das empresas”, afirma.
Essa realidade tem impactado diretamente o comportamento das empresas, que adotam uma postura mais cautelosa. “As contratações estão mais seletivas, muitas vezes priorizando posições estratégicas ou temporárias, diante da necessidade de controlar custos e da incerteza econômica”, completa Rosângela.
Do lado dos trabalhadores, ela observa uma mudança nas prioridades. “Cresce a busca por benefícios além do salário, como plano de saúde, flexibilidade e possibilidade de home office, enquanto a estabilidade ganha importância em cargos mais qualificados”, pontua.