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Música

Quarteto de jovens é selecionado para festival internacional nos EUA

Wood Quartet, formado por músicos do Conservatório de Tatuí, conquista bolsa integral para evento em Missouri

04 de Abril de 2026 às 21:07
Murilo Aguiar [email protected]
Grupo nasceu em festival local e ganhou projeção após participação 
em importantes encontros de música erudita
Grupo nasceu em festival local e ganhou projeção após participação em importantes encontros de música erudita (Crédito: DIVULGAÇÃO)

Um quarteto de cordas formado por jovens músicos ligados ao Conservatório de Tatuí, na Região Metropolitana de Sorocaba, transformou a amizade e a rotina intensa de estudos em uma conquista internacional. O Wood Quartet, com integrantes de Sorocaba, foi selecionado com bolsa integral para participar do Arianna Chamber Music Festival, nos Estados Unidos, de 8 a 18 de junho, após uma trajetória iniciada em um evento local e consolidada em importantes festivais de música erudita.

O violoncelista Samuel Ferreira, integrante do grupo, conta que o quarteto surgiu de forma espontânea entre colegas. “O Wood nasceu entre amigos que estudam no Conservatório de Tatuí. Inicialmente, formamos o grupo para participar do Festival de Música de Câmara de Sorocaba. Foi uma experiência marcante e ali percebemos uma conexão musical muito forte, o que nos motivou a continuar”, afirma.

Além de Samuel, que é de Sorocaba, o Wood Quartet é formado por Nicolas Augusto (primeiro violino), de Araras, Adriel Gatto (segundo violino), de Rio Claro, e Marlon Villegas (viola), de Tatuí. Os primeiros passos do grupo foram durante o festival realizado na Fundec, onde receberam orientação do violinista norte-americano John McGrosso que, recentemente, se apresentou na cidade.

Após essa experiência, o quarteto buscou novos desafios e conquistou uma vaga no Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), considerado o maior festival-escola de música erudita da América Latina. O processo seletivo foi rigoroso e contou com a escolha de apenas três grupos brasileiros. “Foi um período de muito estudo e construção coletiva. Repetíamos trechos diversas vezes até alcançar o nível desejado”, relembra Marlon.

Durante a preparação, o grupo contou com a orientação do maestro Abner Antunes e da professora Elen Ramos, que contribuíram para o amadurecimento artístico do quarteto. Já no Femusc, os músicos tiveram aulas com o Arianna String Quartet, experiência considerada decisiva. “Aprendemos muito sobre interpretação e sobre tocar como um único organismo. Isso trouxe mais unidade ao grupo”, destaca Adriel.

Foi a partir desse contato que surgiu a oportunidade de concorrer a uma vaga no Arianna Chamber Music Festival, realizado em St. Louis, no Estado do Missouri. O processo seletivo exigia o envio de gravações com repertório camerístico contrastante, e o grupo optou por disputar uma bolsa integral.

A aprovação veio acompanhada do convite da University of Missouri, St. Louis, que concedeu bolsa de estudos e hospedagem ao quarteto, além da oportunidade de representar o Brasil no evento. “Quando recebemos a carta oficial, ficamos muito felizes. Sabemos que não é simples acessar um festival internacional desse nível”, afirma Samuel.

Para Nicolas, o crescimento do grupo está diretamente ligado ao diálogo musical construído ao longo do tempo. “Antes de tocar, discutimos a obra, o caráter e o que queremos transmitir. Isso nos ajuda a construir uma interpretação mais coesa”, explica.

A relação de amizade entre os integrantes também é apontada como um dos pilares do projeto. “Somos mais do que colegas de quarteto; somos amigos que se apoiam e se inspiram. Isso torna a música mais significativa”, ressalta Marlon.

Durante o festival, o grupo terá uma rotina intensa, com aulas, ensaios, apresentações públicas e privadas, além de atividades voltadas ao desenvolvimento profissional e à troca de experiências com músicos de diferentes países.

O repertório do Wood Quartet inclui obras de compositores como Haydn, Mozart, Schubert, Dvorák e Beethoven, além de peças brasileiras, como Villa-Lobos e Nepomuceno. O grupo também explora arranjos populares, incluindo trilhas de cinema e músicas contemporâneas.

Para os integrantes, a conquista representa a consolidação de um trabalho construído com disciplina e identidade coletiva. “Ver esse percurso nos levar a um festival internacional nos motiva a seguir em busca de excelência na música erudita”, conclui Samuel.

 

 

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