Saúde
Empresa atrasa salários de médicos terceirizados em UBSs
Profissionais médicos terceirizados que atuam na rede municipal de saúde de Sorocaba relataram atrasos no pagamento de salários desde janeiro deste ano. A situação, segundo os trabalhadores, atingiu cerca de 300 médicos contratados como pessoa jurídica (PJ), que atuam em unidades de emergência e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município.
De acordo com a Prefeitura de Sorocaba, no entanto, o problema não estaria relacionado diretamente aos repasses do poder público, mas sim ao não pagamento por parte de uma das empresas responsáveis pela contratação dos profissionais. Em nota, a Secretaria da Saúde (SES) informou que “apenas a MedCal não pagou os profissionais”.
Ainda conforme a pasta, o modelo de contratação prevê que a prefeitura só realiza o repasse financeiro às empresas após a comprovação de que os médicos foram devidamente remunerados. “Conforme o contrato vigente, a Prefeitura só efetua o repasse via nota fiscal após a comprovação do pagamento dos médicos, diante da modalidade de credenciamento e da previsão editalícia”, destaca.
A SES afirmou também que notificou a empresa responsável e alertou que a não regularização poderia resultar em penalidades administrativas. A prefeitura reforçou que a situação começou a ser resolvida. Segundo a Secretaria da Saúde, a empresa MedCal encaminhou a documentação necessária para comprovar os pagamentos aos profissionais, o que permitirá a liberação dos valores por parte do município.
Com isso, de acordo com a administração municipal, os médicos já teriam recebido os salários atrasados, e agora a prefeitura dará andamento ao reembolso à empresa contratada.
A reportagem tentou contato com a empresa MedCal por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
O Sindicato dos Médicos de Sorocaba manifestou “profundo desagravo” diante dos atrasos e criticou o modelo de contratação adotado pelo município. Em nota, a entidade afirmou que a situação “expõe, mais uma vez, a fragilidade de um modelo de contratação que precariza o trabalho médico e falha em garantir o cumprimento mais elementar das obrigações: o pagamento em dia pelos serviços prestados”.
O sindicato também ressaltou que, mesmo com a intermediação por empresas, a responsabilidade final recai sobre o poder público. “Ainda que os contratos sejam intermediados por empresas, é inegável que, em última instância, a responsabilidade recai sobre o poder público municipal”, destaca.
A entidade reiterou posição contrária à terceirização na saúde e defendeu a realização de concursos públicos como forma de garantir estabilidade e qualidade no atendimento. “A assistência à população não pode estar sujeita à instabilidade contratual, à rotatividade de profissionais e à insegurança jurídica”, afirma.
Por fim, o sindicato alertou que os atrasos não impactam apenas os profissionais, mas também o funcionamento do sistema de saúde e o atendimento à população.