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Entrevista

Derrite comenta PL das facções, critica vetos e fala sobre segurança pública

Deputado federal abordou projeto em tramitação, medidas contra violência à mulher e possível atuação política em 2026

27 de Março de 2026 às 10:15
Caroline Mendes [email protected]
Deputado federal abordou projeto em tramitação, medidas contra violência à mulher e possível atuação política em 2026
Deputado federal abordou projeto em tramitação, medidas contra violência à mulher e possível atuação política em 2026 (Crédito: Reinaldo Santos)

O deputado federal Guilherme Derrite comentou, em entrevista ao jornal Cruzeiro do Sul, pontos do projeto conhecido como “PL das facções”, criticou vetos presidenciais à proposta e falou sobre políticas de segurança pública, incluindo ações de combate à violência contra a mulher e sua pré-candidatura ao Senado em 2026.

Ao abordar o projeto, o parlamentar afirmou que a proposta representa uma mudança no enfrentamento ao crime organizado. “O PL de facção é a maior resposta do Congresso Nacional para o combate ao crime organizado. São 10 novos tipos penais previstos”, disse.

Segundo ele, o texto inclui crimes como explosão de caixas eletrônicos, ataques a carros-fortes e uso de armamento pesado contra policiais, com punições mais rígidas. “São as penas mais duras da nossa legislação. Penas que começam com 20 anos podem chegar a 40, mas com as qualificadoras podem chegar até o dobro. Estamos falando de até 80 anos de prisão”, afirmou.

Além da ampliação dos tipos penais, Derrite destacou mudanças no cumprimento de pena em regime fechado. “No PL de facção, é 70% no mínimo para réu primário, mas pode chegar até 85%. Quando a gente fala que o mínimo é 20 anos, a gente está falando que no mínimo 14 anos o criminoso vai ficar preso”, disse.

O deputado também mencionou mecanismos voltados ao combate financeiro das organizações criminosas. “Há o trabalho do Ministério Público e do Judiciário para descapitalização de bens de empresas que fazem a lavagem de dinheiro do crime organizado”, afirmou.

Ao tratar da tramitação do projeto, Derrite criticou vetos feitos pelo presidente da República. “Era uma legislação que era para ter sido sancionada imediatamente. Ele demorou 40 dias e ainda realizou dois vetos”, disse.

Entre os pontos citados, ele destacou a destinação de recursos oriundos de investigações. “Se o estado realiza uma investigação de lavagem de dinheiro, esse recurso fica no estado para investimento nas forças de segurança. Ele vetou para que o recurso vá direto para a União”, afirmou. “Nós vamos derrubar os dois vetos.”

Durante a entrevista, o parlamentar também comentou um caso recente de tentativa de feminicídio registrado em Sorocaba e falou sobre políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. “A gente lamenta muito mais um caso como esse”, disse.

Nesse contexto, ele citou medidas adotadas em São Paulo, como o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores. “O estado de São Paulo foi pioneiro no Brasil a usar a tornozeleira eletrônica para monitorar o agressor de violência contra a mulher”, afirmou.

Derrite também mencionou o aplicativo SP Mulher Segura como ferramenta de apoio. “Esse aplicativo, linkado com a tornozeleira eletrônica do agressor, permite georreferência à posição dos dois. Se o agressor se aproxima da mulher, um alerta vai para a polícia, que chega antes dele”, explicou. “Nós conseguimos romper o ciclo da violência.”

Ao falar sobre o cenário político, o deputado confirmou a pré-candidatura ao Senado em 2026 e indicou que pretende manter a segurança pública como principal pauta. “A bandeira da segurança pública é a nossa principal bandeira”, declarou. “Ser um senador municipalista significa continuar ajudando os municípios.”

Por fim, questionado sobre declarações do senador Flávio Bolsonaro, Derrite afirmou que foi convidado a contribuir com propostas na área de segurança. “Fui chamado para ajudá-lo no plano de segurança pública do plano de governo dele”, disse.

Ele também defendeu a criação de um ministério específico para o setor. “Eu defendo o Ministério exclusivo da Segurança Pública. Não quer dizer que o Derrite vai ser ministro. Eu já fico feliz por isso e vou estar sempre à disposição para ajudar”, declarou.