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Empregos

Supermercados ampliam contratações e enfrentam desafio de mão de obra

Setor fecha 2025 com saldo positivo de empregos, mas ainda tem vagas abertas e debate sobre condições de trabalho

26 de Março de 2026 às 21:56
João Frizo [email protected]
 Maior parte das oportunidades de vagas está concentrada no chamado
Maior parte das oportunidades de vagas está concentrada no chamado "piso de loja" (Crédito: REINALDO SANTOS)

O setor supermercadista fechou 2025 com saldo positivo de empregos na região de Sorocaba, mas ainda enfrenta dificuldades para preencher vagas e manter a mão de obra. Dados da Associação Paulista de Supermercados (APAS) apontam a criação de 1.142 postos de trabalho ao longo do ano.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram registradas 34.682 admissões, contra 33.540 desligamentos. Com isso, o número total de trabalhadores no setor passou de 40.218 em 2024 para 41.360 em 2025.

Segundo o presidente da Apas, Erlon Carlos Godoy Ortega, o saldo positivo registrado representa a criação de empregos efetivos. “São empregos fixos, não temporários”, afirma.

Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta escassez de trabalhadores. “Nós temos uma demanda de 37 mil vagas no setor, hoje, abertas. Só aí na região de Sorocaba tem 2.200 vagas para serem preenchidas”, destaca.

De acordo com Ortega, a maior parte das oportunidades está concentrada no chamado “piso de loja”, como operadores de caixa, repositores, estoquistas, açougueiros e padeiros. “Essas vagas que a gente chama piso de loja, chão de loja, são a maioria das oportunidades”, explica.

O presidente da Apas também destacou o perfil das contratações. “A maioria das contratações são mulheres, jovens e pessoas da faixa etária de 50, 60 anos”, afirma. Segundo ele, 71% dessas contratações são público feminino.

Sobre as condições de trabalho, Ortega afirmou que a disputa por mão de obra tem impactado positivamente o setor. “Essa competição reflete em melhores condições e mais benefícios ao trabalhador”, diz e acrescenta que, na maior parte das lojas, são oferecidos plano de carreira, plano de saúde, planos de incentivo, além de capacitação e ensino.

Para o presidente, um dos gargalos das contratações está na mudança no perfil dos trabalhadores. “O jovem não quer o velho modelo de trabalho, que trabalha 44 horas e tem 30 dias de férias, ele quer liberdade”, avalia.

Trabalho aos domingos

O funcionamento dos supermercados aos domingos segue permitido em São Paulo e, segundo a Apas, não há previsão de mudanças. Ortega defende a manutenção das atividades nesses dias. “Nós somos a favor da liberdade”, afirma.

Ele também argumenta que o trabalho aos domingos não é exclusivo do setor supermercadista e faz parte de uma dinâmica mais ampla do funcionamento do comércio e de serviços, citando outras atividades econômicas e de lazer que operam normalmente nesse dia, o que, na avaliação do setor supermercadista, reforça a necessidade de manter o atendimento ao consumidor. “Existe um pouco de lenda quanto à questão do supermercado. Aos domingos você vai ao shopping, você abastece, você vai ao teatro, você vai ao parque”, diz.

O presidente da Apas também defende que o funcionamento nesse dia está associado à rotina atual da população e à demanda por conveniência. Segundo ele, a abertura dos estabelecimentos acompanha hábitos de consumo que incluem compras e atividades realizadas aos fins de semana.

“Os trabalhadores atuam em sistema de revezamento. Quem trabalha aos domingos folga dia de semana, ele não trabalha todo domingo”, explicou.

Contraponto

O Sindicato do Comércio Varejista de Sorocaba afirma que o crescimento no número de vagas deve ser analisado com cautela. “O aumento no número de vagas, por si só, não é o único parâmetro para avaliar as condições de trabalho”, destaca o presidente da entidade, Fernando Festa Casali.

Segundo ele, as condições são definidas por meio de negociação coletiva. “São regulamentadas por convenções coletivas firmadas entre as entidades representativas patronais e laborais, sempre em conformidade com a legislação vigente”, afirma.

Em relação ao trabalho aos domingos, o sindicato aponta que o funcionamento segue regras já estabelecidas. “As escalas seguem o que está previsto na Convenção Coletiva de Trabalho, garantindo folgas compensatórias e respeitando os limites legais”, diz. A entidade também destaca que a prática é consolidada no setor. “O funcionamento aos domingos é uma realidade consolidada no comércio, sendo tratado de forma negociada entre as partes”, informa.

Sobre possíveis problemas relacionados à jornada, o sindicato afirma que não há aumento relevante de queixas. “Até o momento, o Sindicato não identificou um aumento significativo de demandas formais relacionadas a jornadas ou descumprimento de escalas”, declara.

Já em relação à rotatividade, o presidente relata que se trata de uma característica do setor. “Trata-se de uma característica histórica do setor varejista, especialmente no segmento supermercadista, influenciada por fatores como sazonalidade e dinâmica do mercado de trabalho.”

Por fim, o sindicato informou que não há negociações em andamento que indiquem mudanças estruturais. “No momento, não há negociações extraordinárias em curso que impliquem alterações nas jornadas ou escalas de trabalho”, conclui.

O cenário na região combina crescimento no número de empregos, vagas ainda em aberto e a manutenção do funcionamento aos domingos, dentro das regras previstas em convenção coletiva.