Buscar no Cruzeiro

Buscar

Saúde

Mortes por febre maculosa acendem alerta na região

Doença tem alta letalidade e avança em áreas urbanas com presença de carrapatos

24 de Março de 2026 às 22:04
Caroline Mendes [email protected]
 Doença é transmitida pela picada de carrapatos contaminados por bactérias do gênero Rickettsia
Doença é transmitida pela picada de carrapatos contaminados por bactérias do gênero Rickettsia (Crédito: Divulgação/Ministério da Saúde)

A confirmação da morte de uma menina de 10 anos por febre maculosa em Tatuí, somada a um caso com óbito registrado em Sorocaba neste ano, acende um alerta para a circulação da doença na região.

Em Sorocaba, há um caso confirmado em 2026 que evoluiu para morte no dia 12 de janeiro, com confirmação laboratorial em 11 de março. A Secretaria de Saúde investiga o local provável de infecção. Até então, o último registro na cidade havia sido em 2023, quando um menino de cinco anos contraiu a doença.

Já em Tatuí, o caso envolvendo a criança é o primeiro confirmado em 2026. Segundo a prefeitura, não houve registros da doença em 2025. Após a confirmação, foram adotadas medidas de vigilância, incluindo reuniões intersetoriais e planejamento de ações preventivas.

A circulação da febre maculosa está diretamente ligada à presença do carrapato-estrela, vetor da doença, comum em áreas com vegetação, rios e animais de grande porte.

Em Sorocaba, o monitoramento inclui pesquisas acarológicas para identificar a presença do carrapato, especialmente em locais com capivaras, consideradas hospedeiras importantes para a manutenção do vetor no ambiente. As equipes também realizam roçagem em áreas com vegetação alta, estratégia que ajuda a reduzir a proliferação do carrapato.

Em Itu, não há registros de casos em 2026, mas o município confirma que áreas próximas a córregos urbanos são consideradas de risco devido à presença de capivaras. Esses locais são monitorados regularmente, e já houve registro do carrapato-estrela em áreas de mata.

Já na cidade de Salto, a febre maculosa provocou uma sequência de casos e mortes ao longo de 2025, evidenciando o potencial de disseminação da doença.

O município confirmou três óbitos. Em um dos episódios mais críticos, pai e filho morreram com um intervalo de cerca de 15 dias, em uma área próxima ao rio Tietê, marcada pela presença de carrapatos-estrela e animais.

A situação levou à interdição temporária do Parque de Lavras após a confirmação de mortes de frequentadores. O espaço permaneceu fechado por quase dois meses para ações de controle ambiental, como aplicação de carrapaticidas, instalação de cercas para conter capivaras e sinalização de risco.

Doença grave e de rápida evolução

A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida pela picada de carrapatos contaminados por bactérias do gênero Rickettsia. O quadro pode evoluir rapidamente e levar à morte se não tratado precocemente.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a doença apresenta elevada letalidade, especialmente na região Sudeste, onde se concentram os casos mais graves .

Entre 2013 e 2023, o país registrou mais de 2,3 mil casos confirmados e cerca de 761 mortes, com taxa média de letalidade superior a 30% . Além disso, o estado de São Paulo concentra o maior número de ocorrências, o que reforça o cenário de atenção na região.

Atenção é o melhor caminho para manter-se longe da Febre Maculada

Onde está o risco
A orientação das autoridades de saúde é redobrar os cuidados em áreas com vegetação alta; margens de rios e córregos; pastagens; locais com presença de capivaras, cavalos e outros animais. Esses ambientes favorecem a presença do carrapato-estrela, principal transmissor da doença.

Sintomas podem confundir
Os sintomas iniciais são inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças, como dengue ou gripe. Os principais sinais incluem febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, manchas vermelhas na pele, náuseas e vômitos. A recomendação é procurar atendimento médico imediato ao apresentar sintomas após frequentar áreas de risco.

Prevenção ainda é o principal caminho
Para evitar a doença, especialistas orientam: usar roupas claras e compridas; utilizar botas e vedar a entrada com meias ou fita; inspecionar o corpo com frequência e retirar carrapatos com cuidado. O início rápido do tratamento é decisivo para reduzir o risco de morte.