Combustível
Motoristas antecipam abastecimento por medo de novos aumentos
Com a guerra no Oriente Médio pressionando o petróleo, motoristas relatam impacto no bolso e maior procura por combustível
Nas ruas, a percepção é de impacto direto no orçamento e, em alguns casos, de uma corrida preventiva aos postos. A analista Lia Fernanda conta que, embora não tenha percebido postos lotados, o assunto já circula entre os consumidores. “Eu não vi nenhum posto cheio a ponto de notar diferença, mas as pessoas estão comentando. Acho que isso faz com que busquem abastecer com medo de ficar sem combustível”, relata.
Esse movimento tem origem no cenário internacional, que voltou a pressionar o mercado de combustíveis. A recente escalada da guerra no Oriente Médio tem provocado instabilidade no mercado global de petróleo, refletindo em aumentos consecutivos nos preços e gerando apreensão entre consumidores e empresários do setor.
De acordo com o presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Jorge Marques, o momento é de incerteza e pressão. “É um momento de turbulência devido à guerra no Oriente Médio”, afirma. Segundo ele, a instabilidade já se reflete no comportamento dos consumidores, com maior procura nos postos. “Está havendo uma procura maior pelos combustíveis devido aos aumentos de preços consecutivos”, explica.
Apesar disso, o dirigente pede cautela à população e descarta, por ora, um cenário de desabastecimento. “É importante manter a calma. Existe apenas um desequilíbrio pontual da logística em relação ao produto”, orienta. Ainda assim, ele reforça que a tendência é de continuidade na alta dos preços.
A preocupação pode aumentar nos próximos dias. Ainda conforme Marques, o barril de petróleo já abriu cotado a US$ 115, o que pode indicar novas altas caso o conflito se intensifique. “Talvez venham novos aumentos. O problema é que pagamos os combustíveis cotados em dólar e recebemos em reais, e nossa moeda já é desvalorizada”, pontua.
A empresária Renata Moreira admite que decidiu antecipar o abastecimento por precaução. “Quem não está sentindo o aumento? Eu vim para garantir. Já tenho gasolina, mas quis encher para ter certeza de que, pelo menos no fim de semana, não vou ficar sem”, afirma.
Para trabalhadores autônomos, o impacto é ainda mais sensível. O pedreiro Hildo Pires dos Santos diz que a alta pesa no dia a dia. “Pesa bastante. Para quem é autônomo, complica. E acaba encarecendo também o nosso trabalho”, explica.
Apesar do aumento na procura, não há, até o momento, registro de desabastecimento na região. No entanto, o cenário segue sendo acompanhado com atenção pelo setor, já que a dependência do mercado internacional e a variação do dólar continuam sendo fatores determinantes para o preço final ao consumidor.
Especialistas alertam que, enquanto o conflito persistir e o petróleo seguir em alta, a tendência é de manutenção da pressão sobre os combustíveis, exigindo cautela tanto de consumidores quanto de empresários.