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Combustível

Alta do diesel alerta motoristas de caminhão

Postos têm dificuldade para garantir o fornecimento e profissionais relatam redução do lucro em fretes

16 de Março de 2026 às 21:00
Vernihu Oswaldo [email protected]
Guerra no Oriente Médio reduz a oferta internacional
Guerra no Oriente Médio reduz a oferta internacional (Crédito: EMIDIO MARQUES / ARQUIVO JCS)

Nos postos, seja na cidade ou nas rodovias, uma mesma preocupação aflige os motoristas: o aumento no custo do combustível, principalmente o diesel.

Em um posto em Itu, motoristas de caminhão relataram à reportagem do Cruzeiro do Sul que o aumento do preço está assustando. Um deles, que não quis se identificar, afirmou que o valor já subiu R$ 2 por litro em relação ao começo do ano. Ele exemplificou que, em um frete de 1.100 quilômetros de distância, no qual costumava lucrar R$ 4 mil, agora lucra cerca de R$ 1.800 devido ao aumento da despesa com o diesel, praticamente inviabilizando o trajeto.

A Petrobras anunciou na sexta-feira (13) um reajuste no preço do diesel A para as distribuidoras, de R$ 0,38 por litro. O diesel comercializado em postos é chamado de “diesel B”. Ele é formado obrigatoriamente por uma mistura do diesel A com o biodiesel, na proporção de 85% de diesel e 15% de biodiesel. De acordo com a Petrobras, o valor médio do diesel no Brasil atualmente é de R$ 6,16.

Outro apontamento feito pelos caminhoneiros foi a dificuldade de encontrar diesel. Segundo os profissionais, diversos postos pelo caminho têm relatado problemas para adquirir o combustível. Entre os caminhoneiros, há o medo de que falte.

O economista Gustavo Pessoa alerta que o aumento do valor do frete irá pesar no bolso do brasileiro: “O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário: cerca de 65% das mercadorias transportadas no País circulam por rodovias. Quando o diesel sobe, sobe o custo do frete; quando o frete sobe, a pressão se espalha por toda a cadeia de preços. Alimentos, medicamentos, materiais de construção, entregas de comércio eletrônico e serviços em geral acabam absorvendo esse aumento.”

Pessoa lembrou que o governo tem tomado medidas para mitigar o aumento. “Algumas medidas já foram anunciadas para tentar amortecer o impacto. Entre elas está a decisão de zerar temporariamente o PIS/Cofins sobre a importação e a comercialização de diesel, além de ações de monitoramento e fiscalização de preços para evitar práticas abusivas ao consumidor. Também foi instituído um programa de subvenção econômica ao diesel, com previsão de cerca de R$ 0,32 por litro de compensação às empresas beneficiárias.”

Em 2025, as misturas obrigatórias nos combustível foram alteradas. Para a gasolina, o percentual de etanol passou de 27% para 30% e, no diesel, a quantidade de biodiesel aumentou de 14% para 15%. Esse movimento, além de ajudar a diminuir o custo do produto, reduz a dependência do País em relação à importação de combustível fóssil.

Causas

Gustavo Pessoa explica que o principal motivo para o aumento é a crise internacional, especialmente o conflito no Oriente Médio, principal centro produtor de petróleo no mundo. “Diante do risco de interrupções no Estreito de Ormuz e de restrições de oferta global, algumas instituições financeiras já revisaram suas projeções para o preço médio do petróleo em 2026. Para um país que ainda importa parte relevante do diesel consumido internamente, essa dinâmica internacional acaba pressionando os custos domésticos.”

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) afirmou que acompanha com atenção os impactos da recente escalada de tensões no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo. Postos revendedores relatam aumentos recentes nos preços de aquisição de diesel e gasolina junto às distribuidoras. No caso do diesel, também há relatos de maior dificuldade na confirmação de pedidos e prazos de entrega por parte das companhias distribuidoras, o que acende um sinal de alerta para o setor.

Gasolina

Não é apenas o preço do diesel que está subindo. A gasolina também está aumentando. De acordo com a Petrobras, o preço médio no Brasil é de R$ 6,30 por litro.

O economista observa que o risco mais relevante no curto prazo não parece estar na gasolina isoladamente, mas na propagação do aumento do diesel por toda a cadeia econômica. No Brasil, os combustíveis não impactam apenas o custo de abastecer veículos, mas também o transporte de praticamente todos os produtos que chegam ao consumidor final. Em um mundo cada vez mais globalizado, mesmo os conflitos mais distantes influenciam no modo de vida do brasileiro.

 

 

 

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