Tecnologia
Startups buscam recursos para transformar pesquisa em inovação no Parque Tecnológico
Evento da Finep apresenta linhas de crédito e subvenção para empresas e pesquisadores que desenvolvem tecnologias
Transformar conhecimento científico em produto comercial ainda é um dos principais desafios para startups brasileiras. Empreendedores e pesquisadores se reuniram nesta semana no evento Finep pelo Brasil, realizado no Parque Tecnológico de Sorocaba, para conhecer oportunidades de financiamento voltadas a projetos de inovação.
A iniciativa apresentou editais e linhas de crédito da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência pública ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que financia projetos tecnológicos em empresas e instituições de pesquisa.
Para o presidente do parque, Nelson Cancellara, o acesso a esses recursos depende também da mobilização das próprias empresas. Segundo ele, o parque atua orientando startups e empreendedores sobre editais e programas de fomento disponíveis.
Da pesquisa ao mercado
Entre as empresas instaladas no parque que buscam apoio para expandir suas pesquisas está a startup Binano, criada por cientistas que decidiram levar ao mercado tecnologias desenvolvidas dentro da universidade.
Um dos fundadores da empresa, Jhones Luiz de Oliveira, explica que a startup surgiu a partir da experiência acadêmica dos sócios, que estavam concluindo o doutorado quando decidiram empreender.
A empresa desenvolve formulações baseadas em nanotecnologia voltadas principalmente à agricultura, com foco em aumentar a eficiência no controle de pragas e reduzir impactos ambientais. “A Binano desenvolve formulações à base de nanotecnologia para aplicações no agro, buscando melhorar a eficiência dos produtos e diminuir o impacto ambiental tanto para o agricultor quanto para o meio ambiente”, afirma.
Fundada em 2022, a startup passou inicialmente por um período de incubação na universidade. Durante dois anos, os pesquisadores trabalharam no aprimoramento da tecnologia e na validação das soluções desenvolvidas em laboratório.
Somente em 2025 a empresa conseguiu se instalar no Parque Tecnológico de Sorocaba, onde estruturou um laboratório próprio para ampliar o desenvolvimento das pesquisas e avançar na relação com o mercado.
Segundo Oliveira, o caminho até essa estrutura exigiu acesso a recursos de fomento voltados à inovação. “Conseguimos estruturar nosso laboratório principalmente por meio de projetos de fomento. Esse tipo de apoio permite que startups de base científica desenvolvam tecnologia, testem soluções e avancem até transformar a pesquisa em produto”, explica.
Hoje, além da agricultura, a empresa também estuda aplicações da nanotecnologia em outras áreas, como saúde animal e cosméticos, embora o principal foco continue sendo o setor agrícola.
Importância do financiamento público
Para startups de base tecnológica, o acesso a financiamento público pode ser determinante nas fases iniciais do negócio. Diferentemente de empréstimos tradicionais, os recursos de fomento são direcionados especificamente para pesquisa e desenvolvimento.
“Quando você tem linhas de fomento público, recebe recursos que devem ser aplicados diretamente na tecnologia. Isso permite avançar no desenvolvimento sem a pressão imediata de retorno financeiro”, afirma o empreendedor.
A startup já conta com projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e também busca ampliar suas fontes de recursos em nível federal.
Um dos projetos da empresa foi submetido à avaliação da Finep e aguarda resultado. A proposta envolve o desenvolvimento de uma formulação natural para controle de pragas agrícolas baseada em extratos vegetais associados à nanotecnologia. “É um processo competitivo, mas estamos otimistas. Também estamos atentos às novas oportunidades que possam surgir”, diz Oliveira.
Linhas de apoio para inovação
Durante o evento em Sorocaba, representantes da Finep detalharam as principais linhas de financiamento disponíveis para startups e empresas de base tecnológica.
De acordo com Marcio Ikegami, gerente do departamento regional Sudeste da instituição, uma das opções é o programa InovaCred, voltado ao financiamento de projetos de inovação.
Outra possibilidade ocorre por meio de fundos de investimento que podem participar diretamente no capital das empresas. “Nesse modelo, a Finep pode entrar como sócia da empresa. Além do aporte financeiro, isso amplia o networking e pode abrir portas para novas parcerias”, explica.
Ikegami também alerta que muitas empresas deixam de conseguir financiamento por falhas na apresentação dos projetos. “A proposta precisa estar bem detalhada. É importante que o projeto seja claro para quem vai analisá-lo, mostrando qual problema pretende resolver e qual impacto a inovação pode gerar”, afirma.
Ao aproximar empreendedores e instituições de fomento, iniciativas como o Finep pelo Brasil buscam reduzir a distância entre pesquisa, financiamento e mercado — etapa essencial para transformar ideias em soluções aplicadas.
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