Envelhecimento Ativo
Número de idosos no mercado de trabalho aumenta, segundo o IBGE
Dados apontam que um a cada quatro idosos está no mercado de trabalho
A imagem quase bucólica da velhice, de aproveitar a vida, cuidar dos netos e descobrir novos hobbies, vai se perdendo pouco a pouco. Pessoas mais velhas têm buscado mais o mercado de trabalho. Seja como uma forma de complementar a renda ou mesmo um objetivo para fugir do marasmo. No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada quatro idosos está no mercado de trabalho. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada no fim de 2025, que traz dados de 2024.
A diretora comercial da Qualitas Humanus, Laura Maciel, afirma que o movimento é percebido. “As pessoas com mais de 60 anos hoje são muito diferentes das de décadas atrás. Estamos falando de uma geração mais ativa, com melhor qualidade de vida e grande disposição para continuar produtiva.”
Dados baseados no Censo do IBGE e projeções da Fundação Seade indicam que a população com mais de 60 anos na cidade de Sorocaba superou a marca de 115 mil pessoas no início deste ano, um salto de quase 80% na última década. Esse fenômeno demográfico transforma o perfil das ruas e, consequentemente, das empresas locais, que agora buscam equilibrar a renovação de seus quadros com a retenção de talentos experientes e tecnicamente qualificados.
Apesar do avanço nas contratações com carteira assinada __ que iniciaram 2026 com saldo positivo de 814 vagas apenas em janeiro, de acordo com o Caged __, o desafio da informalidade ainda é uma realidade para a maioria dos idosos ocupados. Cerca de 70% desse contingente atua em modalidades como trabalho por conta própria ou consultoria informal, muitas vezes para complementar a renda da aposentadoria ou manter a produtividade.
Mercado em adaptação
Porém, de acordo com Laura, o mercado ainda não está adaptado a este movimento: “O mercado ainda carrega resquícios de uma visão ultrapassada, muitas vezes associando a idade avançada a limitações.”
A aposentada Maria Aparecida Bastos, de 74 anos, fez sua carreira como professora. Porém, após se aposentar, os dias pareceram longos demais em casa. A companhia da televisão, do celular e dos livros não pareceu suficiente.
Maria decidiu voltar ao mercado de trabalho, mesmo com mais de 60 anos. Foi vendedora e secretária, mas ainda não parecia o suficiente. Decidiu então voltar a estudar, cursou enfermagem e hoje trabalha como enfermeira particular. “Claro que o dinheiro ajuda, mas eu fiz pela minha saúde mental.”
A psicóloga Talita Bedinelli afirma que “para um idoso continuar trabalhando, sem contar com a questão financeira, ele pode sentir-se útil, preservar sua autoestima e sua identidade, ter a possibilidade de socializar, manter uma rotina e também manter a mente ativa.”
Mas às vezes o conto de fadas não é tão bonito. Às vezes o trabalho é pela necessidade, como no caso de Henrique Santos, de 67 anos, que atualmente trabalha como segurança. Ele afirma que, durante a vida, viveu de pequenos empregos: foi encanador, pedreiro, segurança, vigia e caminhoneiro.
INSS
Em muitos desses empregos não conseguia pagar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, por isso, ainda não conseguiu se aposentar. Logo, depende do salário para sobreviver. Há de se considerar ainda as novas regras de aposentadoria para 2026, que aumentam os requisitos de idade e pontos no INSS. Mulheres precisam de 59 anos e 6 meses de idade + 30 anos de contribuição, ou 93 pontos. Homens necessitam de 64 anos e 6 meses de idade + 35 anos de contribuição, ou 103 pontos.
Talita ainda completa, afirmando que, quando a questão monetária não é o foco, existem outras formas de atividades para manter a mente em dia: “grupos de voluntariado, recreativos e de convivência (como o clube do idoso) também podem ser uma excelente escolha, já que proporcionam diversas atividades que também podem auxiliar muito nas questões cognitivas e sociais.”
Entre 2012 e 2024, a população com 60 anos ou mais cresceu mais de 50% no país. Já o nível de ocupação atingiu a marca de 24,4%. Doze anos antes o nível era de 23,1%. Em 2019 teve seu menor índice no período: 19,8%.