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Justiça

Pai de jovem assassinada diz que família tenta seguir após condenação de acusados

Beatriz Munhoz foi morta em novembro de 2025 em uma emboscada na capital paulista

11 de Março de 2026 às 10:35
Da Redação [email protected]
Apesar da dor, Lucas espera que o caso sirva como alerta
Apesar da dor, Lucas espera que o caso sirva como alerta (Crédito: Arquivo Pessoal)

“Apesar de não ter uma real esperança, espero que isso sirva de exemplo para que algo mude na penalidade da justiça brasileira. Estamos reaprendendo a tentar viver”, afirmou Lucas Munhoz, pai de Beatriz Munhoz, jovem assassinada em novembro de 2025.

A condenação de dois dos quatro homens preso pelo assassinato da filha, aconteceu na última quinta-feira (05). Lucas conta que quando reconheceu novamente os acusados diante do juiz, foi algo rápido, mas extremamente dolorosa para a família.“Foi uma audiência relativamente rápida, mas extremamente depressiva para mim e para o Leonardo, namorado dela, que estava junto”, relatou.

Lucas disse que a única sensação de alívio é saber que os responsáveis pelo crime estão presos. “A única comemoração é que eles estão presos e julgados, tirando da sociedade a possibilidade de novos ataques desses assassinos”, afirmou.

Mesmo assim, ele destaca que a dor da perda permanece. “A dor de terem tirado a Beatriz de quem a amava vai continuar para sempre. Era uma menina linda, sorridente e feliz, que teve a vida tirada de forma cruel”, disse.

Para o pai, nenhuma decisão da Justiça é capaz de reparar o que aconteceu com a família. “Não existe justiça para algo como isso. Minha filha não volta. Os verdadeiros condenados fomos nós: eu, minha esposa, o namorado dela e todos os familiares e amigos que amavam a Beatriz”, declarou.

Lucas também contou que a rotina desde o crime tem sido marcada por sofrimento. “Hoje tento viver à base de remédios e com uma dor dilacerante na alma, diária e sem cura”, afirmou.

Apesar da dor, ele espera que o caso sirva como alerta. “Se houvesse uma penalidade à altura no país, crimes como o que vitimou a Beatriz e tantas outras pessoas não aconteceriam. Enquanto houver impunidade, todos nós estaremos sujeitos a tragédias como essa”, concluiu.

Relembre o caso

Segundo a Polícia Civil, a jovem administrava uma microempresa de fabricação de letreiros com o pai. Eles haviam saído de Araçoiaba da Serra, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), para realizar a entrega de um drone vendido pela internet.

O pai relatou aos policiais que o encontro foi marcado por meio das redes sociais, em um endereço indicado pelo suposto comprador. No local, duas pessoas em uma motocicleta se aproximaram e anunciaram o assalto.

Durante a abordagem, o namorado da jovem conseguiu jogar o celular sob o veículo em que estavam. Em seguida, os criminosos foram em direção à vítima para roubar o drone que ela levava. Ao perceber a aproximação, a jovem utilizou spray de pimenta contra os assaltantes. Um deles reagiu com um disparo que atingiu a cabeça da vítima, que caiu imediatamente.

Um dos suspeitos usava uma bolsa térmica de entregador de aplicativo. O namorado ainda tentou retirar o item, mas a dupla conseguiu fugir. A jovem foi socorrida e levada ao Hospital Estadual de Sapopemba, mas não resistiu aos ferimentos.

O caso foi registrado no 69º Distrito Policial de São Paulo como latrocínio, que é roubo seguido de morte.

O que diz o TJSP

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) informou que os dois acusados pelo crime foram condenados a penas superiores a 30 anos de prisão.

De acordo com a decisão, Lucas Kauan da Silva Pereira, que pilotava a motocicleta no momento da ação, recebeu pena de 30 anos, 4 meses e 15 dias de prisão.Já Isaías dos Santos, apontado como o responsável pelos disparos, foi condenado a 31 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão.

Segundo o advogado Marcello Guimarães, o caso foi considerado pela Justiça como crime grave e hediondo. Ainda conforme o tribunal, os dois não poderão recorrer da sentença em liberdade. Atualmente, eles estão detidos no Centro de Detenção Provisório (CDP) II de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.